Eu e as Copas do Mundo
Embora eu me dê conta que sempre estive, desde muito menino, “ligado” nas coisas, ouvinte atento do rádio lá de casa e divulgador do que nele ouvia, de fato, somente a partir da Copa de 58 é que passei a acompanhar esses eventos. Não me recordo da de 54 (eu já tinha 9 anos) nem, muito menos, da de 50. Na da Suécia, assisti às transmissões radiofônicas todas, inclusive os jogos preparatórios na Itália.
Um pouco depois, em janeiro de 1960, mudei-me pro Rio, onde conheci uns chilenos num passeio ao Corcovado, e imaginei que poderia ir à Copa do Chile, o que não se concretizou. Nem a qualquer uma das seguintes, até hoje, apesar de dar vontade, fazer planos, pensar na hipótese. Quem sabe, um dia se realiza outra no Brasil e eu fico também vendo os jogos pela TV.
Em 66, na fase que antecedeu a Copa da Inglaterra, eu convivia com a equipe da Resenha Facit, na TV Rio (Saldanha, Armando Nogueira, Nélson Rodrigues, Scassa, ....), que logo depois (agosto) passou para a TV Globo, desfalcada de alguns, nem todos foram pra Globo (Scassa, por exemplo, não foi). E ouvi muitas coisas interessantes, como Gentil Cardoso pedindo que alguém lhe desse uma passagem para Portugal, de onde ele assistiria aos jogos pela Eurovision (aqui, somente a partir de 1970, com a implantação dos sistemas de microondas da Embratel, foi possível ver os jogos ao vivo).
É curioso como nossa memória apaga lembranças, ou nos faz esquecer que um dia só víamos os jogos em videotape e com atraso de dois ou três dias. Em 62 e 66, as fitas vinham de avião, passavam no Rio e São Paulo (um ou outro primeiro) e continuavam viajando de avião para as outras capitais. Certamente, uma TV de Belém ia passar um jogo depois que outro já se realizara. As novas gerações custam a acreditar que isso era verdade. Que as notícias só nos chegavam por rádio e depois de frias. Hoje, às 07h30, eu já ficara sabendo que Bussunda morrera na Alemanha jogando uma pelada entre colegas.
Há poucos dias, morria Garotinho, um jornalista esportivo radicado em Natal, a caminho de mais uma Copa; agora, morre Bussunda, que ali estava exatamente para trabalhar em torno do evento (vi duas participações suas: uma no Brasil na Copa e outro,vestido de baranga a enganar alemães ricos, no Casseta e Planeta. Diz minha mulher que ainda bem que não fomos, está morrendo muita gente esse ano).
Mais que nossa seleção, por enquanto, essa Copa está de morte!
Escrito por J.Celso às 08h04
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|