Brasil, um país de todos (somente dos espertos)
Voltando a bater ponto, quase um mês depois da vez anterior, noto que a única grande mudança de lá pra cá foi a escolha de Dunga para treinador da seleção brasileira de futebol. Dizem que ele é mais um dos anõeszinhos, depois de Mestre (Telê), Feliz (Zagalo), Zangado (Scolari) e Soneca (Parreira). E que seu substituto será Atchim ou Dengoso.
O fato é que os escândalos continuam pipocando e lhes sendo dado o caráter político vantajoso a cada qual. Não há vestais entre nossos políticos, cada um se mostrando ser mais sequioso que os concorrentes pelo poder, e nenhum deles verdadeiramente compromissado com o que mais importaria, ou seja, o bem-estar social e o progresso do Brasil.
O noticiário da TV Globo (JN) nesta semana foi centrado na Previdência Social e seus intermináveis ou insuperáveis problemas de rombo eterno e crescente. Admirei-me de ouvir da candidata Heloísa Helena, que se faz factóide com a competência de um César Maia (o apoio dele à candidatura dela tem fundamento e identidades), que não há rombo nenhum, ao contrário, constata-se haver um expressivo superávit superior a 50 bilhões de reais.
Pudera, eu já escrevi que “país rico é outra coisa”, pode pagar aposentadorias de mentirinha a quem de fato continua trabalhando (os inativos na ativa, que paradoxo!) e a quem nunca contribuiu (trabalhadores rurais – ou quem alegue que foi - e idosos de baixa renda).
Pelos meus textos divulgados na internet, praticamente todo dia sou consultado sobre como obter a “aposentadoria especial”. Ninguém está pensando seriamente em parar de trabalhar, se retirar do mercado de trabalho, dar a vez a outro; quer, simplesmente, ganhar “algum” a mais mensalmente e dane-se o mundo, afunde a Previdência, quebre o Brasil. A “certeza” que todos têm é que o saco é sem fundo, a Previdência tem o dom de imprimir dinheiro a rodo; se o pirão é pouco, tanto pior: vai ter que dar pra mais um ou para mais mil, ou mais um milhão, desde que o novo postulante esteja incluído.
Pobre país rico este nosso, que reparte o que não tem (muito menos está sobrando), dá a muitos que ainda não fizeram por merecer e faz de conta que é justo e equânime.
A meu modesto juízo, o Estado é absurdamente, cegamente, levianamente, irresponsavelmente assaltado por cada um que, diariamente, procura o INSS ou o Judiciário (conivente ou omisso) para pretender arrancar da Previdência Social uma “pseudo-aposentadoria”, quando, de fato, quer apenas um aumento na sua receita mensal. Quanta avidez! Quando desamor ao país e ao mais necessitado (talvez o verdadeiramente necessitado).
Se nosso dia-a-dia não comprovasse que De Gaulle tinha razão (supondo que ele haja mesmo duvidado de sermos um país sério), cada brasileiro trabalharia enquanto pudesse, tivesse forças e ânimo; contribuindo para a grandeza ou o engrandecimento nacional, nosso PIB; desse seu suor e sangue; cumprisse as leis sem delas tão-somente usufruir para seu benefício pessoal, como se o dinheiro o acompanhasse ao além, fosse companheiro de caixão; etc.
Lembro-me do modismo, anos 80, de quem era profissional e, à noite, dava aulas (uma ou duas vezes por semana) em faculdades ou cursinhos pré-vestibular. Auto-intitularam-se “professores” e requereram a aposentadoria antecipada em cinco anos que a Constituição garante àqueles que, no texto mais moderno e que foi revisto para evitar essas espertezas, é garantida a quem “comprove exclusivamente tempo de efetivo exercício das funções de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio”.
Sem contar aqueles que sustentam que a aposentadoria voluntariamente requerida, por iniciativa do empregado, não extingue o contrato individual de trabalho. A esse respeito, ponho no mesmo balaio os empregadores que demitem “sem justa causa” aqueles que querem se aposentar e os sindicatos que homologam essas rescisões ou estimulam essas benesses, a ponto de os menos esclarecidos acharem que, quando se aposentarem, receberão a multa de 40%, sempre, como se fora um direito adquirido.
Escrito por J.Celso às 21h49
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