Botando a conversa em dia
Recentemente, comentei aqui sobre como se presta a internet, os e-mails e os grupos criados (ou as comunidades) para reaproximar pessoas.
Cristina Motta, excelente contista (multipremiada) e cantora maravilhosa (a começar da escolha do repertório), que trabalhou em vários órgãos da Embratel, manteve um primeiro contato comigo (ou eu com ela) a partir de uma comunidade criada por ela no Orkut (Embratel-Sede-ex-Empregados).
Depois, ela criou um fotoblog no qual foram postas várias fotos, algumas do acervo dela e outras que lhe foram enviadas a seu pedido. Eu mesmo mandei as que encontrei em casa.
Há menos de um mês, ela teve um probleminha e ficou sem poder usar mais aquele endereço. Daí, criou outro álbum, onde pôs as fotos antigas e recebeu mais algumas novas. O convite dela, estou certo, permanece para quem quiser mandar fotos DA SEDE (e dos “bons tempos”). Para ver, basta acessar
http://www1.snapfish.com/share/p=54441162692711590/l=221943799/g=7730942/otsc=SYE/otsi=SALB
Para enviar fotos, não sei se pode ser feito direto, mas pode-se descobrir em contato com ela (não estou autorizado a divulgar seu e-mail, claro).
O fato novo é que enviei uma dessas fotos a Sérgio Levy, que tratou de retransmiti-la a dezenas de ex-embratelinos, chegando a enviar a quem a fornecera para ser posta no álbum (Glória Santachiara). Resultou em novos contatos com antigos colegas, como Liberato Sousa Pinto, Luiz Flávio Maia Machado e Isnard Fernandes Uchoa (por enquanto).
Curioso é como as pessoas que conviveram um dia nem sempre sentem, ou demonstram, satisfação em reatar contatos interrompidos pela distância, pela aposentadoria ou mudança de emprego. “Descobri”, por meio de terceiros, os e-mails de pessoas com quem eu gostaria de me comunicar, nem que fosse apenas no dia do seu aniversário, que o jornal Nosso Momento, da Asastel, divulga com antecedência de um mês. Não obtive retorno às mensagens enviadas. Não sou mineiro, porém não insisti (quem sabe, a pessoa guarda más lembranças de mim).
E me contento em sonhar, ocasionalmente, com essas pessoas. Esta semana, por exemplo, sonhei que estava em uma das reuniões de CBTT. Não precisei se eu participava ou se coordenava. Mas lá estavam João Batista (Telerj), Milton Gomes (ex-Telerj/Telebrás e não sei se ainda Embratel), Lobo, Ceará, Jaccoud, Foward – era a CBTT XII, com certeza.
Nos últimos tempos, venho mantendo contato com Pines e Levy, além dos que já eram comunicantes mais antigos, como Cruz (que esteve aqui deixando um comentário), Dias (que até já copiou algo para seu blog) e Christiano. Nem a campanha política impediu que trocássemos mensagens, por mais que eu houvesse solicitado que “me poupassem”. Eu não me entusiasmei com os candidatos de 2006, acho que nunca mais vou torcer por ninguém, tal a má-qualidade de nossos políticos. Que pena. Por incrível que pareça, na avaliação que faço, Itamar ainda foi o melhorzinho dos últimos 30 ou 40 anos. Parece que os brasileiros vivem à espera de um Sassá Mutema, um Salvador da Pátria. E quem aparece são os Odoricos Paraguassus (será que devia ter deixado com as iniciais minúsculas, como saiu na primeira digitação? Freud explica).
Passado dos 60 anos, provavelmente, estou na descendente, se bem que haja resistido a um infarto aos 38. Os homens de minha família paterna, em sua maioria, se foram cedo por problemas de coração. Meu avô, aos 33; de seus irmãos, um aos 17 e o outro aos 29 (seu problema de coração foi de outra ordem, paixão não correspondida); meu pai atravessou uma fase tensa quando estava perto de completar os 33, crise que também experimentei. Ele se foi aos 58, idade em que repeti minha expectativa lúgubre, superada por obra e graça do Pai Eterno. Embora houvesse razões para questões existenciais naquela época. Talvez eu pudesse ter embarcado para a última viagem antes de ficar órfão de mãe também.
Escrito por J.Celso às 15h46
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Para momentos de crise existencial
"VIVER NÃO DÓI.
Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram,várias delas só por nossa culpa.
Por exemplo, por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer; apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.
Sofremos por que ? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor (e não conhecemos), por todos os filhos que gostaríamos de ter tido juntos (e não tivemos), por todos os shows, livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado (e não compartilhamos), por todos os beijos não dados, ou seja, pela eternidade interrompida.
Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir o cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar. Sofremos não porque as pessoas são impacientes conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a elas nossas mais profundas angústias, se elas estivessem interessadas em nos compreender.
Sofremos não porque envelhecemos, mas porque estamos confiscando o nosso futuro de nós mesmos, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e ainda não experimentamos.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso: Vivendo intensamente, com alegria e otimismo, sempre agradecendo por tudo que somos e pelo que temos.
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, na prudência covarde que nada arrisca e que não nos deixa enxergar a felicidade, que sempre está ao nosso alcance, desde que saibamos viver."
De quem é esse texto? de Carlos Drummond de Andrade. Ele sabia tudo!
Escrito por J.Celso às 08h52
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