Do que fui me lembrar agora
Algumas vezes me pergunto se não banco o otário. Fé no próximo deve ter um limite, e eu extrapolo. Dou sempre mais uma e mais outra chance. Foram pouquíssimos, nestes meus quase 62 anos (digamos, os últimos 50 – se é que aos 12 eu já me entendia por gente), aqueles de quem desconfiei “de cara” – meu sexto sentido nunca foi aguçado – ou a quem não perdoei, até mais de uma vez, por atitudes que não compreendi e que considerei prejudiciais a mim.
Não incluo nesse rol dos que parecem ter agido em meu desfavor aqueles chefes que me negaram uma promoção, por exemplo. Eles devem ter tido suas razões, e talvez, a seu juízo, outros mereciam mais. Ou eu não a merecesse. A decepção ao ver colegas subirem na escala salarial enquanto eu estagnara – cheguei a ficar 6 anos no mesmo nível; quando houve uma curva de correção, eu fiquei fora porque só a curva era "para promover os defasados" ... do nível seguinte ao meu (ou seja, numa lógica cartesiana, eu merecia mais do que quem já estava à frente). Não fui por ela beneficiado. Atreveram-se a me telefonar para dizer que eu não “podia” ser promovido.
Fosse pelo regime de promoções dos militares, eu teria entrado na cota expulsória ao levar caronas seguidas de mais modernos. Tive um colega que foi admitido em um nível salarial abaixo do meu. Em 5 anos, me ultrapassara. Meus colegas de turma, salvo os que saíram da empresa e o que morreu cedo, todos eles, estavam bem na minha frente em cerca de 8 anos. Quando criaram os subníveis, eu ganhava 1 (se ganhasse) enquanto eles ganhavam o nível cheio.
A empresa, ao não me promover durante tanto tempo, mostrava certa incoerência: se eu não correspondia ao que de mim se esperava, deveria ter me mandado embora, demitido quiçá por justa causa, por baixo rendimento, em vez de me manter seu empregado, evidentemente, insatisfeito.
Porém sobrevivi e não desanimei um só dia. Dei sempre o melhor de mim, brasileiro profissão esperança.
Até para conseguir ser admitido no programa de demissão incentivada, tive que brigar. Meu chefe não queria abrir mão de meu concurso. Gostava de meu trabalho.
Só nunca briguei, nos meus 30 anos e 10 meses de serviço, foi para ser promovido, pois essa lição não me ensinaram na escola nem na vida.
Tapinhas nas costas e elogios, ouvi inúmeros,.daqueles que não enchem barriga, não põem feijão na mesa nem custeiam a escola dos filhos.
Ih, acho que já escrevi isso uma vez, vou parar por aqui, antes de ficar amargo e ir dormir mal.
Escrito por J.Celso às 22h06
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