Eu já falei, ou escrevi, aqui o que penso sobre várias coisas, sendo uma delas a “incompetência” (no sentido de não saber fazer) dos governantes atuais de nosso amado e sofrido Brasil.
O PT (todos do partido, estejam ou não ocupando cargos no governo, tenham ou não mandatos eletivos) não se propõe sequer a lançar a dúvida ante cada acusação feita ou suspeita lançada. Veste a carapuça imediatamente, passa recibo e, com isso, faz crer que são verdadeiras as imputações.
Eu falei do Boca de Ouro (Nélson Rodrigues) e comentei que até um apolítico como eu (porém dotado de alguma inteligência), no caso do dossiê, teria, desde a primeira notícia, dito que os petistas presos eram quinta-coluna, que haviam sido infiltrados pelo PFL e/ou PSDB nas fileiras petistas para agir como cavalo de Tróia, exigiria a divulgação do “suposto” dossiê (“se é que ele existe”, frisando bem) para ver quem ele prejudicaria de fato, pois “somente quem alardeia sua existência e afirma ser contra Serra e Alckmin sabe o que ele contém e, provavelmente, foi quem, na verdade, o elaborou”, etc.
Outra afirmativa que foi explorada repetidamente na campanha presidencial e que continua sendo reiterada diz respeito ao inexpressivo crescimento de nossa economia. Quanto à classe dos economistas, também já me pronunciei, afirmando não reconhecer como ciência algo que se limita a especular o futuro com base no passado e sem qualquer responsabilidade, se as previsões não se concretizarem. É futurologia pura e sem compromissos, não muito maior ou diferente do que aquela feita por uma cartomante a seus incautos e crédulos consulentes. Tivesse eu algum poder, acabaria com essa profissão. Se não bastasse a assertiva jogada na TV sem contestação ou defesa, a cada dia se torna mais uma “verdade absoluta” (incontestada) porque a imprensa reproduz e acrescenta (quem conta um conto aumenta um ponto).
A ONU vem de publicar seu relatório sobre crescimento em 2007, prevendo aumento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 3,5% para este ano. O México, com estimativa de 3%. Segundo as avaliações dos economistas da ONU, a economia mundial vai se desacelerar em 2007 em comparação com o ano passado e crescerá 3,2%. Os americanos devem crescer 2,2%, ante 2,4% nos 27 países da União Européia (UE). Para o Japão, a previsão é de 2%. Ou seja, o Brasil terá crescimento maior do que aqueles países todos, os que compõem o famoso e invejado Primeiro Mundo, G-7 e que outras nomenclaturas lhes sejam dadas, e superior ao crescimento mundial previsto.
Ah bom, a ONU prevê aumento do PIB de 5,9% na média dos países emergentes. A África deve crescer 5,6%, ante 6,9% no leste e sudeste asiáticos. A liderança ficará mais uma vez com a China, com 8,9%, seguida pela Índia, com 7,9%, e pelo Paquistão, com 6,2%.
Caímos no campo da estatística, dos percentuais, como isso bastasse e não importassem os valores nominais, os números absolutos. A oposição e a imprensa “especializada” em Economia espalham que a Argentina cresceu 9% e que o Brasil, em 2005, só superou o Haiti, se bem me lembro.
Não disponho de dados, mas consideremos que no ano-base de referência (2004, sei lá), a Argentina tivesse tido um PIB de 100 bilhões de dólares; na mesma escala, os Estados Unidos, 12 trilhões; o Canadá, 1,2 trilhão; a França, 1,6 tri; o Haiti, 300 milhões; e por aí vai. O Brasil tivesse tido um PIB de 500 bilhões (tudo em US$). A China vem se constituindo num capítulo à parte, não pode entrar na comparação.
Se a Argentina cresceu 9%, em 2005, obteve 109 bilhões (cresceu 9 bilhões); Os EUA (com 2,2%), 12,3 trihões – mais 300 bilhões -; Japão, digamos, com um crescimento de 2%, passou de 4 trilhões para 4,08 (no duro, mais 80 bilhões); o Haiti, subiu de 300 para 309 milhões, se o PIB crescera 3% (9 milhões de dólares a mais que no ano anterior); E o Brasil? Seus 3,5% estatístico teria correspondido a um aumento de produção de 17 e meio bilhões!
Comparem-se os números absolutos, nominais, de aumento do PIB: Japão = USA = 300 bilhões, 80 bilhões, Brasil = 17,5 bilhões, Argentina = 9 bilhões e Haiti = 9 milhões.
Lembro-me de meu amigo João Saldanha, que dizia que “VT faz bola que entrou não entrar e bola que não entrou ser gol”, dependendo da posição da câmera e da mesa de corte, do slow motion e que recursos mais sejam adotados. Com uma determinada manipulação, rejuvenesce-se BB e envelhece-se Juliana Paes, tiram-se e põem-se rugas e celulites.
Assim pode ser feito com as estatísticas. Usa-se abusa-se dela a seu bel-prazer, como lhe convenha.