Voltando a falar em Economia
Volto ao tema de alguns dias atrás:
Percentuais, estatísticas, previsões econômicas, etc. têm, repito, menos (?) ou relativa importância quando se analisam, também, valores nominais.
Li ontem, 26/01/2007, em vários jornais sobre o crescimento do PIB chinês (10,7%!), e deve superar a Alemanha em 2008 (hoje, em terceiro lugar).
"O Globo", p. 28, traz uma tabelinha muito interessante, com o Ranking dos maiores PIBs do mundo. O Brasil está em 11º (DÉCIMO-PRIMEIRO), atrás de EUA, Japão, Alemanha, China, Reino Unido, França, Itália, Canadá, Espanha e Rússia (tudo tubarão, G7, G8, G10, primeiríssimo mundo!).
Ou seja, dos emergentes (a China ainda é emergente?), somos o primeirão.
Por quê? EUA tem um PIB de 13,2 trilhões de dólares; Japão, 4,4 tri; Alemanha, 3 tri; Itália, 1,8 tri; ...; Canadá e Espanha, 1,2 tri; e Rússia, 975 bilhões - menos de 10 bilhões à frente do Brasil (967 bilhões).
Não discuto (não brigo com fatos) que o crescimento do PIB chinês é algo vertiginoso (passou de 2,7 pra 3,0 trilhões em um ano, um aumento de 300 bilhões - o do Brasil foi de "apenas" 30 bilhões).
Mas quanto foi o crescimento, em dólares, do PIB argentino, chileno, português, sueco, coreano, belga (lembram da Belíndia?), finlandês, holandês, mexicano e de outros países tidos por parâmetros aos que adoram criticar o Brasil? Já nem falo no Haiti, também explorado exaustivamente na campanha presidencial.
Outra tabela curiosa está ao lado dessa que citei antes (O Globo, 26/01/2007, p. 28): Ranking em "paridade de poder de compra", que significa "o quanto a renda nacional tem em poder de compra local". O Brasil está em 10º lugar, na frente de muita gente "boa" - a listagem é muito parecida com a anterior (PIBs), com EUA em primeiro, China em segundo, Japão em terceiro, surpreendentemente Índia em quarto, seguem-se Alemanha, UK, França, Itãlia e Rússia. Em 11º, Coréia do Norte!!!!
A Folha de SPaulo "explica" por que o Brasil não cresce, percentualmente, tanto:
"No Brasil, os investimentos tiveram expansão próxima de 6% em 2006 e ficaram em torno de 20,5% do PIB. A diferença explica por que o Brasil tem dificuldade para crescer mais de 3% e a China, menos de 10%. Os investimentos são destinados à construção de fábricas, compra de máquinas e equipamentos, abertura de estradas e outras atividades que se enquadram na definição de "ativo fixo", que ampliam a capacidade de produção de um país. Sem expansão de investimentos, não é possível crescer a taxas elevadas por longo prazo. Na avaliação de economistas, o percentual de 20,5% de investimentos em relação ao PIB registrado no Brasil é compatível com crescimento de 2% a 3%." Às favas estatísticas e percentuais, analistas econômicos (macaquinhos de repetição).
Sexta-feira passada ouvi alguém dizer que os economistas passam a metade do tempo fazendo previsões e a outra metade explicando por que elas não deram certo. Isso é que é CIÊNCIA!
Escrito por J.Celso às 12h05
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