O futuro do Brasil e do mundo
Zé Keti já dizia "eu conto o que leio, não conto o que vejo".
Li, e ouvi (CBN), hoje a seguinte notícia:
“08/02/2007 - 09h05
Brasil terá padrão de vida 'europeu' em 2050, diz estudo
da BBC, em Londres
Em 2050, a renda per capita no Brasil será equivalente à existente hoje na Europa, segundo um estudo sobre o futuro da economia dos países que compõem o grupo conhecido como BRIC (sigla para Brasil, Rússia, Índia e China) divulgado em Londres. "O Brasil não estará tão bem quanto a China e a Índia, mas é possível dizer que, com base na renda per capita, daqui a 45 anos, os brasileiros terão um padrão de vida equivalente ao existente hoje (2005) na Europa", disse à BBC Brasil o autor das projeções, Peter Gutmann, analista da consultoria Experian Business Strategies. Segundo o estudo, a renda per capita (cálculo do valor do PIB dividido pela população) no Brasil será de US$ 27,13 mil em 2050 (cerca de três vezes maior do que a medida atual), um valor apenas um pouco inferior à renda per capita na Europa (países que adotaram o euro) em 2005, que ficou em US$ 29,47 mil. O autor reconhece que o cálculo da renda per capita serve apenas de parâmetro para a comparação já que fatores como a má distribuição de renda podem impedir que o crescimento da economia previsto beneficie a maior parte da população.”
Não sei se é lisonja estar comparado com China e Índia em algo (ou com Venezuela, Cuba, Argentina, ....).
O que me entristece é que também li em Nostradamus que em 2032 vai haver uma guinada no eixo da Terra, e o mundo vai diminuir muito (ou seja, em 2050, não haverá muitos dos países de hoje e muitos dos que "sobreviverem" ao afogamento estarão bem menores - o Brasil, por exemplo, dos 8,5 milhões de quilômetros quadrados, terá mais da metade submerso).
Escrito por J.Celso às 15h59
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Se eu entendesse de economia não diria isso
Vez por outra eu me pergunto (exatamente porque não sou investidor, não sou especulador, não sou financista e não entendo lhufas de economia – a que, reiteradamente, nego caráter científico), AFINAL, A QUEM INTERESSA O DÓLAR EM ALTA?
Provavelmente, aos exportadores e a quem adore comprar dólar americano pra guardar na cueca.
Eu jamais esqueci que a moeda corrente no Brasil não é o dólar, como já foi na Argentina, por exemplo. Quando eu viajava ao exterior, achava curioso e invejava como a lojas duty free dos aeroportos aceitam a moeda local, o que, até muito recentemente, era impossível nas lojas, dizem, do ex-Senador Jorge Bornhausen (Brasif, detentora do monopólio dos free shops no Brasil e dos armazéns alfandegados para diplomatas).
Por conta disso, no outro extremo, não consegui trazer nenhum marco finlandês de minha estada naquele país, em 1993, porque resolvi beber uma última dose antes de embarcar (o dia fora tenso, com o encerramento às carreiras da I Conferência Mundial de Padronização das Telecomunicações – WSTC – e uma certa incerteza sobre se conseguíramos ou não antecipar em um dia nosso regresso, remarcando as passagens sem ter que pagar a taxa de US 75.00). O barzinho do setor de embarque internacional só aceitava marco finlandês, que era a moeda corrente nacional (hoje, é o euro). Tive que pagar com a nota (azul, muito bonita) de 5 markka que eu queria trazer de lembrança (valia menos de US$ 1.00). E ouvir calado o pito da garçonete, além da gozação dos três colegas de viagem (Betânia, Matos e Mattarazzo).
Ontem, ouvi o comentário de um cara da CBN de quem não gosto muito (mas tenho que ouvir, pois traz sempre boas informações) sobre um dos porquês de a China alcançar os índices de crescimento verificados: a falta de democracia, o poder tirano do governo: eles mandam dizer a toda uma população: “o governo resolveu construir um novo aeroporto aqui, vocês têm até amanhã para sair”. Turn yourselves. E a população da cidade (não era a de uma favela, como Sardenberg salientou) se muda sem tossir nem mugir. Não requer violência ou força policial. Mais pratrasmente, a la Odorico Paraguaçu, lembro-me de um antigo país da Cortina de Ferro, um dois satélites (não sei se Hungria ou Polônia), que disse ao povo que, no ano seguinte, todos os homens deveria comprar apenas sapatos pretos (embora fossem produzidos também marrons, por exemplo) porque os de outra cor seriam apenas para exportação.
Patriotismo? Conformismo? Ou ditadura mesmo?
No Brasil, de que adianta ter LEI (temos leis em excesso, cada vez mais, para serem desobedecidas; ao entrar em vigor, já se verificou e se sabe como burlá-la) determinando isso ou aquilo? Aquele pedido de não comprar sapatos marrons no mercado interno – na China, não se tem mais do que determinado número de filhos – foi respeitado e obedecido “voluntariamente”, porque os interesses da nação-sociedade são maiores do que os individuais, e devem prevalecer. Como eu já escrevi aqui, nesse nosso patropi, impera “o meu pirão primeiro, e dane-se o mundo” e a Lei de Gerson.
Infelizmente, nos tornamos inteiramente dependentes do mercado e, pior, de termos que exportar, para entrar dólar na economia brasileira. Brasileiros e multinacionais que aqui abrem seus negócios o fazem voltados para gerar dólar entrando. Se uma barra de chocolate, em 1998 (Plano Real, R$ 0,90 = US$ 1,00), custava R$ 2,00 no mercado interno, mas vai ser exportada – eu vi como os japoneses adoram chocolate Garoto, e pagam caro por ele -, a conta era: custa US$ 2,20. Em 2002, o dólar estava a R$ 3,00 quase (ou seja, a barra de chocolate rendia mais de R$ 6,00); em 2006, "caíra" para R$ 4,80 ou R$ 5,40 (mantidos os US$ 2.20).
Coitados dos exportadores, e que desastre para a economia nacional!
Eu penso diferente. Se a barra de chocolate pode ser vendida (com lucro) por R$ 2,00 no mercado interno, por que não reduzir o preço de exportação para US$ 1.00, e, quem sabe, exportar o dobro ou o triplo? A CNI, a Fiesp, o BC, o MinFaz, o MPOG, as oposições, as ONG e a imprensa não perdoariam, como não perdoam.
Outra vez, aqui, eu prego a relativização dos valores. Se o lucro de uma indústria ou de uma entidade financeira, em um dado exercício, foi de R$ 1 bilhão, digamos, e isso representou um retorno de investimentos (preço de venda / preço de custo+impostos) de 30% (estou sendo modesto), e se, no ano seguinte, os investimentos subiram 10%, por que não agradar os acionistas com um lucro do mesmo bilhão? O alarde é que a rentabilidade caiu de 10% a 20% , pois “teria” que ter dado mais de R$ 1,1 bi. Se der apenas 900 milhões, então, Santo Deus, uma tragédia na economia. Falta muito pouco para desconfiarem da estabilidade do negócio, será que vai falir?
Ora, o empresário ganhou uma baba! Dá pra fazer as mesmas dez viagens de turismo ao exterior com sua família a cada ano, sem afetar a solidez de sua fortuna. Ele não lucrou menos coisa nenhuma, lucrou o mesmo bilhão de reais!
Escrito por J.Celso às 15h11
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