Falando o que penso


Mais números percentuais e sua relativização

 

Reiteradas vezes tenho dito que os números podem ser enganadores e levar a conclusões, mais que precipitadas, equivocadas. A relativização de indicadores ou percentuais tem que ser levada em conta antes de se abrir a boca e fazer afirmativas sobre o passado e, principalmente, fazer prognósticos.

Hoje, li em Clóvis Rossi (Folha de São Paulo) algo que deve nos fazer pensar, esporte cada dia menos praticado:

Não está entendendo a gangorra em que se transformaram as bolsas de valores no mundo todo?

Não se preocupe. Até a revista britânica "The Economist", que tem mais de cem anos de certezas absolutas sobre quase tudo, escreve o seguinte: "Considerando que ainda se debatem as razões para os "crashes" de 2000, 1987 e 1929, seria prematuro, para dizer o mínimo, atar demais os eventos desta semana a causas econômicas básicas".
É o seguinte: o mundo financeiro, faceta hegemônica hoje no capitalismo, ficou complicado demais para amadores. Na verdade, até para profissionais.

O diabo é que a quantidade de amadores dando "chutes" no Brasil é fenomenal, como mostrou ontem a página B6 desta Folha, revisitando as, digamos, previsões sobre o crescimento da economia.

(.....)

Dá para acreditar no que diz esse pessoal?

Não é só o governo. O tal "mercado" só foi aproximar seu "chute" do gol em setembro, a três meses do fim do ano. E o fez para 3,2% de crescimento, ainda assim 0,3 ponto percentual longe da meta.

Se erram o "chute" no período mais favorável da economia mundial, trema só de pensar nos erros de que serão capazes se se confirmar que a sacudida da semana foi "o ronco do dinossauro", como diz a "Economist".

Notem bem aquele trecho que diz: “Considerando que ainda se debatem as razões para os "crashes" de 2000, 1987 e 1929, seria prematuro ...” (prematuro quanto à queda da bolsa americana de 29, gente!). E dezenas de milhares “especialistas” querendo explicar os soluços chineses de agora. Ou o pibinho brasileiro de 2006.

Ontem, realizei um lucro de 200% numa “aplicação financeira” que fiz. Vi o capital aplicado triplicar em curtíssimo tempo e não tive dúvidas: “realizei”, converti-o em espécie. Se eu fosse financista, investidor (e não mero especulador), consultaria alguns gurus sobre o que fazer. Deveria reaplicar um terço, dois terços  .... ou tudo? Dias, Solomon e Josias dariam suas opiniões sobre algo de que entendem, que constitui seu dia-a-dia. E, provavelmente, estariam errando, induzidos pelos “200%’ de lucro rápido. Quantos julgariam ser um ótimo negócio o que fiz, iam querer fazer também e recomendar a outros.

Minha filha mais velha cresceu 5% dos 14 aos 18 anos; a caçula, 8% naquela mesma faixa etária. Como afirmar qual das duas é mais alta ou cresceu mais? A caçula, vinha engordando 15% ao mês desde os 2 meses, mas do quinto para o sexto mês engordou apenas 2%, e do sexto para o sétimo, 12%, no mês seguinte 9%, voltando a níveis "normais" depois até 1 ano.

Esclarecendo, apostei R$ 2,00 na Lotofácil e ganhei R$ 6,00. Minha primogênita passou de 1,70 a 1,78, enquanto a menor cresceu de 1,60 para 1,72 m. E minha caçula teve um desidratação em função do que perdeu peso rapidamente, demorando a recuperar.

É ruim, não?

 



Escrito por J.Celso às 16h15
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Mais estatísiticas

 

Estendo hoje minha indignação com a cobertura dada pela imprensa a um tal Mapa da Violência nos Municípios Brasileiros, de uma entidade menos expressiva e assinada por um autor que não sei quais suas credenciais. Teve seus 15 segundos de fama de que falava Andy Wahol.

Mais uma vez, números relativos, índices, taxas percentuais são extrapolados para, sem maior ou mais aprofundada análise, virar manchete e tema de TODOS os noticiários.

Soube-se, assim, que existe uma cidade no norte do Mato Grosso, muito próximo da divisa com Amazonas e Pará (Serra do Cachimbo) chamada Colniza, nº. 1 em homicídios no Brasil, com a assustadora taxa média por 100 mil habitantes de 165,3. Em seguida, vem outro município mato-grossense, Juruena (137,8) e um do Mato Grosso do Sul, Coronel Sapucaia (116,4). Escândalo, surpresa, conclusões estranhas quanto à transferência da criminalidade das grandes cidades para pequenas localidades como aquelas três. Explicações das razões desse fenômeno de interiorização do crime não tardaram a surgir. Pura especulação.

Ninguém se deu conta de outro dado (nominal, absoluto) do mesmo “estudo” da tal Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI). Consta do mesmo “mapa” que em todo o Mato Grosso, em 2004, houve 465 (quatrocentos e sessenta e cinco!) homicídios, o que deveria bastar para um reflexão inicial, antes de divulgar com tanto destaque e repercussão. No Estado do Rio de Janeiro, no mesmo período, houve 6.205 homicídios e no de São Paulo, 7.617.

Resumindo, em Colniza, naquele ano, houve a incrível e absurda, altíssima, alarmante quantidade de ... 20 (vinte, isso mesmo) homicídios.

Aos economistas, somam-se agora sociólogos e “especialistas” estrangeiros, de entidades estrangeiras, a publicar dados tão distorcidos e contrários aos interesses nacionais, com impunidade (imunidade diplomática?) e destaque.

Urge relativizar as coisas, analisar criticamente antes de propagar. Será falta de assunto? Pauta-se qualquer coisa que alarme e dê Ibope, que venda jornal

Lembrei-me da manchete de um jornal carioca dos anos 50 ou 60: “cachorro faz mal à moça”. Vendeu três edições extras. Fora a salsicha estragada de um cachorro quente comprado numa carrocinha de rua..

Em tempo: naquele estudo, onde mais morreu gente atropelada (mortes por acidentes de transporte) foi em Barra do Turvo/SP (taxa média por 100 mil habitantes de 277,4) e em Rifaina/SP (202,6). Provavelmente, os recenseadores do IBGE sabem quantos automóveis e caminhões, jegues, bicicletas, carroças e outros meios de transporte existem em cada uma delas. Responsáveis pela morte de, talvez, 13 a 15 pessoas por ano (não consegui apurar quantos são os habitantes naqueles municípios onde o trânsito é tão "criminoso").

 



Escrito por J.Celso às 19h44
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Agora, com dados reais...

 

Em 14 e 27 de janeiro passado, escrevi aqui sobre a economia brasileira, questionando a exploração que se faz e o quanto se propaga nosso “atraso”, superação, a vaca indo pro brejo, etc. que a imprensa e a oposição (também tem seus maus políticos, e como) alardeiam quase que diariamente. Li hoje no blog de Josias de Souza (e até fiz um comentário que deve ser publicado se ainda não foi) a repercussão sobre, mais uma vez, também em 2006, o Brasil só ter tido “crescimento” do PIB maior que o Haiti.

Coincidentemente, hoje recebi um e-mail de um querido amigo (Sérgio Luiz Maia Pereira) com a dica quanto a um link disponibilizado pelo IBGE que nos permite obter dados de qualquer país do mundo. E eu, que em 14/01, dissera não ter dados, pude saber o que ignorava e chutara, embora sejam relativos a 2004 (espero que em breve estejam disponíveis dados de 2005 e 2006): www.ibge.gov.br/paisesat. Sem os chutes dados em 14/1, comparemos dados reais:

Em 2004, Argentina teve um PIB de 153 bilhões, um PIB/capita de 4 mil e exportações que chegaram a 30 bilhões (em dólares americanos); Venezuela, PIB de 112 bilhões, PIB/capita de 4,2 mil e exportações de 24 bilhões (com petróleo e tudo); Chile e Colômbia, praticamente PIB iguais (94/95 bilhões), PIB/capita bem diferentes (5,8 e 2,1 mil, respectivamente) e exportações de 21 bilhões e 13 bilhões; Equador, na ordem: 30 bilhões, 2.300 e 6,2 bilhões; Uruguai: 13 bi, 4 mil e 2,2 bilhões;  Bolívia: 8 bilhões, 935 e 1,6 bi (deve ser de gás); Paraguai: 7 bi, 1.100 e 1,2 bilhão (deve ser o contrabandeado pro Brasil via Foz e Ponta Porã em sua maioria, ou isso não está computado?).

Ah, ia esquecendo outro habitual paradigma adotado para mostrar o descompasso, a falta de progresso e de desenvolvimento de nosso país, ou seja, o glorioso Haiti do vodu e do antigo Papa Doc: PIB de 4 (quatro) bilhões, PIB/capita de 471 (quatrocentos e setenta e um) e exportações na “expressiva” quantia de 346 milhões de dólares!

Quanto ao nosso Brasil, coitado, teve um mísero PIB de 593 bilhões (quase 4 vezes o do segundo colocado na América do Sul, a Argentina, e quase 150 vezes o do Haiti), um PIB/capita – esse sim, ainda bastante baixo – de 3.200 dólares e exportações de 73 bilhões.

Dá pra comparar impunemente coisas tão desiguais?

Está certo que o PIB/capita de Liechtenstein é de 100 mil dólares; o de Luxemburgo chega 70 mil; na Suíça, 50 mil; nos EUA, 39 mil; Japão, Suécia, Reino Unido, França, Alemanha e Bélgica, entre 33 e 38 mil. Estamos no nível de países como Rússia (4 mil), Cuba (3 mil), Rep. Dominicana (2,7 mil), três vezes mais que a Bolívia e que a China (1.200), cinco vezes a Índia (626 dólares), que são os países mais referidos quando se quer falar mal do Brasil, e bastam para o fim deste meu comentário de hoje.

Em termos de PIB, já escrevi antes, dados recentes da ONU nos põem em 11º lugar no mundo, quase empatado com a Rússia (dados de 2005, acho). Porém quero apontar os PIB de países do primeiro mundo que não estão na nossa frente: Suécia e Bélgica, algo como 350 bilhões e Finlândia, 186 bilhões. Estamos (ou estávamos, em 2004), no patamar de Índia, 680 bilhões.

Continuo achando que um crescimento de 3% num PIB de 600 bilhões é preferível a 9%  num de 150. E que PIB/capita de 3.200 dólares, tendendo a crescer, é melhor que o da China e da Rep. Dominicana, sem nem pensar em comparação com Índia e Haiti, pelo amor de Deus!

 



Escrito por J.Celso às 15h25
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Não estou sozinho

Mais uma vez, dou uma de Zé Kéti e conto o que leio:

 

Indústrias faturam mais com real valorizado

 

O atual patamar do dólar em relação ao real, tão criticado pelo setor produtivo, impulsiona negócios de empresas de diferentes portes e áreas, principalmente na farmacêutica e eletrônica, que ganham vantagens competitivas ao recorrerem ao exterior para a compra de insumos, componentes e produtos acabados. Já no caso de setores como o petroquímico e o têxtil, vulneráveis à taxa de câmbio atual, empresas como a Braskem e a Marisol conseguiram expandir vendas graças ao esforço de buscar novos mercados no exterior e de intensificar projetos de redução de custos. (DCI, 27/02/2007)



Escrito por J.Celso às 08h31
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