Prometo parar, mesmo porque ninguém me lê
Uma vez mais, vou dar uma de Zé Kéti e dizer o que leio. A revista Veja, na minha opinião, já teve seu momento maior de órgão informativo semanal que merecesse o aplauso geral. Desde que, há algum tempo, passou a dirigir sua linha jornalística mais voltada para a política, notadamente a de oposição não isenta, para mim, perdeu em credibilidade. Mas ainda goza de prestígio e, muitas vezes, traz matérias que escapam à crítica mais ácida.
A edição desta semana, nº. 1999 (14/03/2007), tem em suas conhecidas “páginas amarelas” iniciais (11, 14 e 15) uma entrevista com o Mr. Jim O´Neill, um inglês chefe do departamento de pesquisas econômicas globais do banco Goldman Sachs com o sugestivo título “O Brasil está no jogo”. Dela, extraio trechos que têm tudo a ver com aquilo que venho escrevendo neste meu blog desde quando os entendidos em economia e os políticos, que querem ver o Brasil ir pro buraco mais rápido do que ele pode caminhar, começaram a nos comparar com o Haiti, o único país do mundo que cresce menos que o Brasil (o último deles foi o ex-Ministro Maílson da Nóbrega).
Esses especialistas falam o que lhes convém, ou a seus grupelhos, ainda que não pensem exatamente assim. E a imprensa, igualmente cheia de comentaristas “experts”, repercutem irresponsavelmente (quem disse foi A, B ou C; não foi o jornal ou a revista).
A primeira questão é: o Brasil está, de fato, indo na direção do abismo?
Faz-se indispensável “provar” que o governo Lula é péssimo e que fora de FHC et caterva não há salvação (não bastassem os oito anos em que, em vez de resolverem, criaram mais e mais problemas – a atual “explicação” é que Lula pegou “céu de brigadeiro”, sem crises, ao contrário do mundo entre 1995 e 2002).
O que diz o Mr. O´Neill?
“Se o Brasil crescer 3,5% ao ano nas próximas quatro décadas, será a sexta maior economia do mundo”.
“O que o governo brasileiro poderia fazer de melhor seria não se envolver tanto em assuntos econômicos”.
“Quem culpa o câmbio pelo baixo crescimento do país está definitivamente errado.”
“A valorização da moeda brasileira tem até ajudado nesse ponto” (aumento da produtividade).
“A China é o maior fenômeno da nossa era. Não há nada que o Brasil possa fazer a respeito”.
“Acredito que o que está acontecendo com a China e a Índia é um superciclo que o mundo não vê desde a reconstrução da Alemanha e do Japão”
e várias outras coisas. Acho que vale a pena ler, nem que seja para não concordar.
Na minha leiguice e miopia, ainda digo que crescer 3,5% de um PIB de US$ 1 trilhão é melhor que crescer 9% de um PIB de 200 milhões de dólares. Deixem os argentinos pensarem e alardearem que superaram o Brasil. O que me dói é ver os brasileiros invejarem a economia da Argentina. Daqui a pouco, o Haiti cresce 4% ao ano, com nossa ajuda, e vão invejar o Haiti também....
O que pouquíssimos publicam, se é que alguém divulgou o dado, além de mim (neste blog), é que os EUA vêm crescendo menos de 3% ao ano, e com déficits anuais crescentes. O que acontece é que esses 2,8% deles resultam em US$ 400 bilhões anuais a mais (metade do PIB de cada país do “Bri” – excluindo a China -. Brasil, Rússia e Índia vêm tendo PIBs de 1 trilhão aproximadamente). Curioso que os dados publicados no nosso país são os valores relativos de crescimento dos países emergentes e os valores absolutos dos países mais ricos (aqueles dez que se encontram na frente do Brasil, em termos de PIB anual).
Isso é que é ser patriota!
Escrito por J.Celso às 14h51
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