A sementinha que plantei deu fruto
Em 98, elaborei um Tutorial sobre Metrologia Legal, a pedido de Fernando Vieira de Souza, para ser apresentado no Telexpo ´98. Esse tema me despertou interesse durante minha vida profissional, pelo menos de 76 a 94.
Supunha que aquele meu texto estava evidentemente desatualizados, porque o BIPM certamente evoluíra.
Atiçou-me a curiosidade, e fui ao site do BIPM (Bureau International des Poids et Mesures) me atualizar e saber o que mudara nesses últimos anos. Vi que nas Conferências da entidade, a última em 2005, nada de relevante mudou.
Mas, para minha surpresa e satisfação, encontrei um link para uma página do NIST (National Institute of Standards and Technology, do Departamento de Comércio dos Estados Unidos) que relaciona os prefixos para múltiplos binários. O Sistema Internacional (SI), do BIPM, só trata de prefixos múltiplos e submúltiplos decimais.
No meu Tutorial, eu destaco que “os prefixos quilo (k), mega (M), giga (G), etc. empregados em Informática são potências de 2, isto é: k=210, M=220 e G=230”. A diferença é notória, pois, em vez de 1.000 (10 à terceira potência positiva), quer se dizer 1.024 com o símbolo de quilo (k); em vez de 1 milhão (10 à sexta), pretende-se falar em 1.048.576 quando se põe M (mega); e, em vez de 1 bilhão (10 à nona potência positiva), o homem de Dados ou informático quer significar 1.073.741.824 com o prefixo G (giga).
O que eu não disse foi que, em 88 (um pouco antes ou um pouco depois), em um CP500 da CO.1, eu elaborei uma contribuição a respeito disso, e sugeri que o Brasil a encaminhasse às entidades internacionais de que participa e que cuidam da matéria metrologia e sua simbologia (UIT, IEC e congêneres). À época, eu coordenava uma das Comissões Brasileiras para a UIT e fora, por descuido da Secretaria de Assuntos Internacionais do Minicom, indicado para integrar a Comissão CMV (Comissão Mista de Vocabulário) da UIT como membro correspondente (eles não me iriam permitir viajar ao exterior para as reuniões, como jamais autorizaram).
Não constituiu surpresa que minha contribuição não fosse aprovada para envio.
Eu pregava que não se empregassem os prefixos k, M, G, T como múltiplos de 2, preservando seu uso exclusivamente para as potências de 10, pois para elas haviam sido definidos. À la poubelle a pretensão de João Celso, quem ele se julgava para propor algo desse tipo?
Conheci muitos especialistas do ramo (participei de um evento do IEC, em 82, no Rio de Janeiro). E a todos eles, no cafezinho, eu ia plantando minha sementinha, sem falar ou propor em nome da Administração brasileira. Parei de agir assim em 94, quando me despedi de vários outros grupos ou subgrupos de estudos internacionais.
Voltando à grata surpresa e satisfação, descobri que, em dezembro de 98 (não sei se já souberam no Brasil ou se adotam), o IEC (the leading internacional organization for worldwide standardization in electrotechnology) aprovou prefixos, com nomes e símbolos, para múltiplos binários “para uso nos campos de processamento e transmissão de dados”.
São tais prefixos: kibi (Ki), mebi (Mi), gibi (Gi), tebi (Ti), pebi (Pi) e exbi (Ei), ditos, respectivamente, quilobinário, megabinário, gigabinário, terabinário, petabinário e exabinário.
Curioso o que está dito naquele portal (http://physics.nist.gov/cuu/Units/binary.html), que visitei ontem, sobre a conveniência de não confundir 1 kbit (um quilobit, mil bits) com 1 Kibit = 1.024 bits; ou um megabyte (1 MB, um milhão de bytes) com um mebibyte, 1 MibiB (1.048.576 bytes). Etc. Embora seja suspeito, porque era minha tese desde 20 anos atrás, recomendo a leitura. Ora, se no Brasil minha luta foi inglória para evitar o uso incorreto de Kbps, como esperar que parem de usar os prefixos decimais para representar múltiplos binários? Ainda bem que me aposentei, parei de me aborrecer com o que não era de minha conta.
Escrito por J.Celso às 20h15
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