Um dia de festa
Já escrevi uns dois artigos em que abordo a questão da aposentadoria compulsória do servidor público (homem ou mulher), dando-se ela ao completar, ele ou ela, 70 anos, nem um dia a mais. Para tanto, homens e mulheres são iguais perante a lei.
Há uma presunção da lei segundo a qual aquela pessoa está inapta para o exercício da função pública, seus préstimos já não são mais necessários, ela seria mais um “peso” que mão-de-obra disponível e aproveitável no Serviço Público.
Ou seja, o custo / benefício seria muito alto, não se justificando sua permanência na ativa Vai onerar os cofres do Erário sem produzir mais.
Pareceu-me sempre que é uma presunção equivocada e que não poderia ser tão genérica. Muitos demonstram cabalmente já nem manter equilíbrio emocional ou mental bem antes daquele idade enquanto inúmeros (por exemplo, professores universitários) estão no auge de sua produtividade aos 70 anos, posto que se vejam compulsoriamente aposentados das universidades públicas em que ensinavam e transmitiam seu saber às novas gerações, simplesmente porque atingiram aquela idade limite. O mundo está cheio de exemplos em contrário (Churchill, Adenauer, De Gaulle, ...)
Nos últimos anos, quantos Ministros do STF e de outras Cortes (dois no TST, em fevereiro último, se não me engano) foram jubilados pelo implemento da idade.
Tanto se questiona o dispositivo que impede os que completam 70 anos de continuarem prestando (bons) serviços, que a matéria é objeto de uma PEC elevando, em alguns casos, a idade para 75 anos. Não tenho notícias atualizadas sobre a tramitação dessa PEC, preciso até ver, por curiosidade.
Escrevo isso porque alguém está completando hoje 70 anos e, posso garantir, continua com plena capacidade produtiva. Tive a ventura de ser chefiado por ele e a alegria (ou honra) ainda maior de continuar privando de sua amizade.
Carlos Eugênio Mendes de Moraes é um exemplo de pessoa íntegra, fraterna e capaz. Conheci-o, faz quase 40 anos, no Recife, cidade que ele “adotou” tão amplamente a ponto de não faltar quem o imagine pernambucano, até pelo sotaque.
Carioca da gema, de tradicionalíssima família de militares, cresceu dentro do atual Colégio Militar do Rio de Janeiro, ao tempo em que seu pai era o Comandante. Ali fez seus estudos e, inevitavelmente, foi parar na Aman, onde venceu balas acidentais que o atingiram e superou todos os obstáculos, saindo dali para a vida militar com formação sólida e um caráter irretocável. Tornou-se Engenheiro pelo IME, na área de Comunicações. Seu único rim não atrapalhou o desempenho das várias missões a ele confiadas, sempre com êxito.
Confesso que eu não sei dizer qual seu maior mérito, dos muitos que reconheço. Bom marido, bom pai e avô, não é menor seu sentido de amizade e fraternidade. Aliás, é uma característica do casal esse dedicar-se, seguindo a fé cristã e seus ensinamentos de amar ao próximo como a si mesmo e aos seus de sangue.. Já presenciei provas disso, e eu mesmo recebi seu apoio, provei de sua imensa compreensão, ouvi seu conselho e recorri a seu ombro.na hora da necessidade.
Desejar-lhe parabéns “nesta data querida” é pouco, muito pouco, porque pessoas como ele e Mariza merecem 365 dias de felicidades por ano (366, nos bissextos). Ainda que seja para servir com satisfação e perseverança a quem lhes peça ajuda. .
Escrito por J.Celso às 10h26
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