De mortos e vivos
O tempo voa, e me dou conta que já faz um ano que chorei um morto.
Na véspera do aniversário de minha irmã, Márcia, e de minha prima Beth (Kongha?), meu pai se foi, faz hoje 31 anos.
Sua saudade (não digo que cresça a cada dia, mas) permanece. Seus amigos e contemporâneos é que também estão embarcando, o que significa dizer que somos menos a lembrar dele. Coisas da vida.
Se vivo fosse, ele estaria com 89 anos, um pré-nonagenário. Quase todos os homens de sua família se foram cedo, o pai com 33; um tio querido com 29; e outro (que talvez nem haja conhecido), antes dos 20. Eta coração assassino!
Quando ele estava prestes a completar 33, amargou uma ansiedade para saber se a genética ia lhe levar também. Confesso que fiz minha mulher sofrer ou passar maus momentos porque também passei pela mesma dúvida. Ele “sobreviveu” mais 25 anos e eu já estou “superando aquela marca fatal” em quase 100%.
Esses assuntos de família são curiosos. Hoje, fiquei sabendo de mais um segredinho escondido a sete chaves. Recentemente, ficara sabendo de uma tia-avó que teve uma filha, e por isso, foi mandada para um convento até a morte. Ora, filhos extraconjugais sempre existiram e vão continuar existindo, depende só da capacidade de resistir à tentação do momento. E se ela for irresistível?
As mulher, coitada, nem sempre pode (será que pode?) esconder uma gravidez, mas dá para esconder quem é o verdadeiro pai, se houver conveniência. Lembro-me de um filme americano em que há um drama familiar em que pai e filho estão às vias de fato e a circunstância de serem pai e filho era fundamental (não em lembro qual era a questão), quando a mãe mostra ao juiz a certidão de nascimento do filho ... e o pai era outro, não seu marido. Lá, nos States, é a mãe quem registra o filho, talvez porque somente ela tenha certeza quem é o pai.
A propósito, me vem à lembrança uma história que papai contou, ocorrida em Maceió, onde ele estudava Direito. Um desses árabes mascates, libanês, sírio ou turco (conforma a fortuna), enfim um fenício, hospedado no mesmo hotel, cismou que papai era descendente de árabes (o biótipo familiar permite supor, pela narigueta) e chamou-o de “brimo”, ao que papai quis explicar que não tinha sangue árabe e que seus pais eram de famílias conhecidas do Rio Grande do Norte e da Paraíba. O comerciante não se deixou convencer, dizendo que a mãe era conhecida, mas que somente ela sabia quem era o pai. Papai partiu pra briga no braço.
Que família não tem um primo bastardo ou negado? Isso não desmerece em nada, se o sangue corre nas veias, muito mais do que no registro civil e no reconhecimento imediato ou posterior.
Escrito por J.Celso às 12h33
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