Eu, mais uma vez, falando dos que se foram
Creio já haver dito aqui (se não foi aqui foi em outro lugar, mas já disse isso), que Deus sempre foi muito bom pra mim, me dando mais do que eu fizera por merecer.
E a coisa vem do berço, porque tive tias e tios abençoados, maravilhosos, a quem sempre dediquei carinho e admiração. Se pelo lado paterno só tenho uma, por parte de mãe eram seis, sendo quatro homens, um deles meu padrinho de crisma.
Perdi uma dessas duas tias ainda muito criança (aos 3 anos) e dela guardo pouquíssimas recordações. A outra, porém, era um doce de pessoa e passei ótimos momentos em sua casa, na Fazenda Camelo, local de quase todas minha férias escolares até os 14 anos.
Quanto aos tios homens, dois deles eram mais afastados geograficamente. Um, porque foi estudar fora do Estado e por lá ficou, ao passar num concurso do Banco do Brasil, à época, o maior emprego que se podia pretender. Melhor do que ser funcionário público, exceto Fiscal do Consumo. O outro, de Fortaleza mudou-se para Resende, ao ingressar no Exército. Quando veio servir em Olinda – PE, ficou mais perto para umas duas estadas minhas em sua casa (eu morava em Natal).
Dos outros dois, um foi praticamente meu irmão mais velho, porque morou conosco muitas vezes e por períodos curtos ou longos, desde o Açu até Natal. Era o caçula de meus tios, e quando o meu avô morreu, ele com 14 anos, passou a ficar mais tempo morando na casa da irmã Dolores (minha mãe) do que na de sua própria mãe, minha avó.
Meu padrinho, a meu ver, era o mais inteligente e brilhante de todos. Difícil era escolher o mais querido. Quando morávamos no Rio, mais ou menos em 1967, ele foi nos visitar, e dessa sua viagem guardo a lembrança de uma noite encantada em que ele e outro parente, Moacir Medeiros, esgrimiram cultura e genialidade para meu deleite e encanto; melhor diria, deslumbramento.
Vez por outra choro meus mortos. Hoje, 4 de junho, seria o aniversário daquele meu tio militar com quem convivi muito, a partir de nossa mudança, em 1960, para o Rio de Janeiro, exceção feita aos tempos em que ele foi servir em Macaé – RJ e quando eu morei em Recife (de 1969 a 1971).
Ele era o único que me chamava “Joãozinho”. Honrou-me convidando para ser seu compadre quando eu tinha somente 10 anos de idade. E em seu redor passei momentos extremamente felizes e até curiosos. Morreu cedo, muito cedo, aos 48 anos. Tio Emílio era o militar do tipo dito “caxias”, mas, despindo a farda, era um amor de pessoa. Deixou uma enorme e impreenchível saudade.
Escrito por J.Celso às 09h38
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