Parece que estou ficando velho....
Idade é fogo! O tempo vai passando e nós não ficamos imunes a essa passagem. De repente, descobrimos as marcas deixadas, anonimamente, na calada da noite ou em pleno dia. Uma dorzinha besta nos leva a um médico que se supõe especialista. Ele nos trata sob sua óptica, não vê mais nada que escape à sua área de atuação, como se o doente soubesse o que tem e pudesse adivinhar que médico ou que especialidade deve consultar.
Em fevereiro de 1983, comecei a sentir dores nas costas que não me deixavam nem dormir direito, não adiantou trocar pra colchão duro ou dormir no chão. Fui a um ortopedista que diagnosticou desvio na coluna e prescreveu a terapia indicada: ondas curtas (ou infra-vermelho?), tração cervical, massagens e não me lembro mais o quê. Quinze sessões religiosamente cumpridas, inclusive durante o carnaval. Na quinta-feira “de cinzas”, sobreveio o infarto agudo do miocárdio, latente havia um mês, que causava todo o meu mal-estar.
Há uns 3 ou 4 anos, comecei a sentir dores no joelho esquerdo, e todos me disseram que reumatismo é assim mesmo, chega de repente, dói, incomoda, mas tem cura. Que fiz? Procurei um reumatologista, que pediu exames radiológicos, de sangue, de urina, de fezes, do raio que o parta. Analisou-os em conjunto e não hesitou: ácido úrico elevado (estava no limite, e meu cardiologista jamais dera importância a isso), eu estava com gota e devia parar de beber qualquer coisa que tivesse teor alcoólico; adeus cerveja, vinho, uísque, vodca, conhaque, licores!
Nunca parou de doer (também nunca parei de beber socialmente), atenuava uns tempos doía mais em outros, perturbava ora mais ora menos. Fui agora a um ortopedista (outro, não o de 1983), e ele pediu a ressonância magnética do joelho. Laudo: condropatia patelar grau II e rotura do menisco medial. Tratamento: cirurgia, uma videoartroscopia que me deixará no estaleiro cerca de três semanas e mais um mês, aproximadamente, de hidroterapia.
A máquina óssea enferrujou, provavelmente por sedentarismo, ou a lesão degenerativa, genética, agravou nos dezoito meses de academia, musculação, personal trainer, forçação de exercícios que fiz para melhorar a gota, pois eu não queria ser “gotoso” todo o tempo.
Ainda meio escaldado com a experiência de 1983, vou antes fazer um ckeck-up cardiológico e dar um intervalo, para ver se piora ou se mantém esse achaque, que ainda me permite andar e dirigir (carro automático, sem embreagem). Só receio que acorde um dia sem poder mais andar, arrastando a perna e sem condição de empurrar com a barriga esse recomendado procedimento cirúrgico. A dor, por enquanto, dá pra suportar.
Escrito por J.Celso às 19h56
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