ACM se foi
Uma coisa que não se pode dizer é que ACM foi irrelevante na política (assim mesmo, com “p” minúsculo) brasileira. Dele, malvadeza ou ternura, o que não se disse em vida será dito no post-mortem.
Inegavelmente, ele foi muito importante para seu estado, que lhe deve muito pelo progresso e desenvolvimento alcançados, mesmo às custas de truculências e abusos ocasionais.
Udenista de carteirinha, como Lacerda (e acho que Sarney também), não negou suas raízes e foi um revolucionário de segunda hora. Deu o apoio que lhe pediram (e convinha dar) a todos os governos militares, mas lá estava ele, oportunistamente, no primeiro governo pós-ditadura, o de Tancredo, aquele que morreu em boa hora e será lembrado como a viúva Porcina (a que foi sem nunca ter sido).
Seu legado no setor de telecomunicações foi bem singular, além da atuação na área de comunicação (televisão, rádio e jornais): ao tomar posse no Minicom, nomeou para altos cargos do Sistema Telebrás todos os diretores da Telebahia (será que não conhecia ninguém de fora daquela empresa-pólo?).
Almir foi ser P da Telebrás. e Pollini diretor; Madruga foi para a Embratel; e Dílio acomodado como DT da Telesp.
Lembro-me de um fato curioso, quando ocorreu uma pane no sistema da Embratel (se não me engano, no Morro do Livramento) que afetou os sistemas de microondas de lá pro Nordeste (Tronco Nordeste, BHE/RCE tão ligado á minha história pessoal). Neiva era o Sup da Região CO e por algum motivo não foi localizado. Sobrou pro Mendes de Moraes, que era chefa da CO1 e foi encontrado por telefone, em casa, ali elas 19h00. O próprio ACM exigia que ele, Mendes, pusesse o sistema da Embratel mediatamente no ar, sob as ameaças típicas e de praxe, se não cabeças iam rolar, pois não admitia que algo no interior do Rio Grande do Sul tivesse reflexos na Bahia..
A seu respeito, recordo a declaração de JK quando foram lhe perguntar sobre a morte de Humberto de Alencar Castello Branco: “não discuto os desígnios de Deus”.
Sua cadeira no Senado, tal como disseram da cadeira de Ruy Barbosa na ABL, permanecerá vazia..., pois sue filho-suplente será uma presença ausente, tal como foi entre maio de 2001 e janeiro de 2003, após a renúncia de babalorixá baiano.para escapar da cassação no escândalo da quebra do sigilo do painel eletrônico. E duvido que se reeleja em 2010.
O ciclo do carlismo não findou porque temos seu neto (filho daquele novo senador) que promete ocupar a cena, agora como “o” chefe político da clã. E ACMNeto tem muito chão para trilhar. Ao completar 30 anos, se candidatará ao governo da Bahia, depois, para o Senado, e seu tio pode ser ofuscado pelo que o popular “Grampinho” possa significar na política baiana e brasileira, por brilho e valor próprio.
Escrito por J.Celso às 16h55
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