À guisa de mensagem de Natal/Ano Novo
Durante meus primeiros anos na Embratel, costumava elaborar textos natalinos, enviá-los ou pôr em quadros de aviso. Com o tempo, optei por somente transmitir votos de Boas Festas pessoalmente, aos que encontrava, ainda que nas confraternizações. Mais tarde, me dei conta que havia os que estavam longe, seja porque eu mudara de cidade ou os outros haviam mudado. Retomei o envio de mensagens, porém me dava conta que sempre esquecera alguém, muitas vezes (como disse João Bosco) “inesquecível”
Modernamente, na era dos e-mails, a questão ficou mais fácil de resolver, bastando apertar um botão e enviar (ou encaminhar) mensagens. Creio que nunca aderi à moda. Que me lembre, uma única vez servi-me de e-mail recebido e fiz dele o veículo de meus votos; era lindo, dizia o que eu gostaria de dizer, alguém o fizera antes, e eu não sou de reinventar a roda.
Já comentei, mais de uma vez, que não tenho listas de contatos nem undisclosed-recipients e coisas do gênero. Quando envio ou encaminho, quero ter a oportunidade de selecionar os destinatários, caso a caso. Quero ter esse prazer. Logo, ninguém recebe de mim, “tomaticamente”, nada, não tenho “re-encaminhador automático”.
Neste 2007, tardiamente, vejo que sequer agradeci as mensagens que já recebi, e foram dezenas, alguns dos amigos (ou seus re-encaminhadores automáticos) me mandaram mais de uma mensagem, duas e até três. Penso que ainda dá tempo.
Tive um ano feliz, conquanto marcado por cirurgias (foram três). Uma filha conseguiu adquirir seu apartamentinho (um apertamento, talvez), a outra obteve seu título acadêmico de MSc. na UnB, minha mulher prosseguiu demonstrando seu talento no Serviço Público e eu vi algumas das minhas ações judiciais acabarem ou se aproximarem do fim. O saldo foi positivo, não termino o ano no vermelho. O ano que se inicia, espero, trará uma folga financeira maior, porque devo receber uns atrasados polpudos.
Tiro de minha experiência de vida em 2007 as palavras para formular desejos a todos: sejam felizes, valorizando o que têm ou consigam. Almejar ansiosamente pode trazer frustrações e desenganos, melhor não sonhar alto demais. O caro e premiado Alexandru Solomon ensina que não basta sonhar (beleza de romance, presente de Natal recomendado). É indispensável fazer por onde merecer o que a vida nos traga de melhor, posto que devamos estar preparados para que a concretização dos ideais demore um pouco, ou não sejam tão completos como no sonho ou no desejo.
Sempre tive comigo que devemos acumular riquezas num outro plano, pois não levamos fortunas no caixão que haveremos de preencher um dia, e que esse dia demore muito a chegar. Nada como aproveitar a vida, curtindo, viajando, ampliando os conhecimentos e fazendo o bem sem olhar a quem. Surpreendi-me em 2007 com alguns agradecimentos que me foram dirigidos por gestos, quem sabe inconscientes, que tive no passado. Não fizera nada na busca de um agradecimento ou uma retribuição. Fiz porque achei que era o que eu devia fazer, como gostaria que os outros fizessem comigo.
Vai longe o tempo em que pensei que deveria guardar mágoas, alimentar ressentimentos, imaginar revides, esperar a volta do mundo quando eu veria a desgraça de pessoas que (na minha interpretação) agiram mal comigo, faltaram com a lealdade esperada ou traíram a confiança nelas depositada. Entendo hoje que cada um tem sua conta corrente de créditos e débitos pessoais, e nela outros não podem depositar nem sacar. Eu não posso pagar seus débitos, principalmente. Quem age de forma imprópria e não fraternal adquire uma dívida que somente ele pode, e vai, pagar, nem que seja em outra encarnação.
Portanto, qualquer que seja seu credo, ou mesmo que não tenha nenhum, faça sua parte de forma honesta e fraterna. Se não puder dizer algo em favor, controle o ímpeto de dizer ou fazer algo em desfavor. Sobretudo, alimente o perdão. Acredite que o outro pode ter tido motivos, ainda que equivocados, para agir como agiu, e também que ele é que vai responder por seus atos. Confie em seu Deus, que alimenta os pássaros e lhes dá beleza. A felicidade individual é feita e fruto dessas pequenas coisas do dia-a-dia. Nós a construímos com nossos atos ou prejudicamos sua chegada com ações mesquinhas, revanchistas, propósitos inconfessáveis ou criticáveis.
O mundo é um só, e nós o fazemos melhor ou pior conforme amemos ou odiemos, apoiemos ou invejemos, aplaudamos ou critiquemos, estimulemos o sucesso alheio ou torçamos pelo fracasso do próximo.
Que as lições aprendidas em 2007 (2006, 2005, 2004, ...) sejam postas em prática e sirvam ao menos para que 2008 seja melhor.
Escrito por J.Celso às 22h30
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