Na véspera de mais um ano novo
Chegamos a mais um fim de ano e, na verdade, apenas passamos de um dia para o seguinte. Já comentei antes sobre a ilusão de que haja grande mudança, o que, sabida e logicamente, não ocorre. O que explica essa ilusão é a esperança de quem teve um ano menos feliz e quer acreditar, ou torça por isso, que seja melhor sucedido no ano novo que chega.
Em minha vida, vou provavelmente me repetir, tive réveillons maravilhosos, alegres, festivos, e os tive solitário, em engarrafamentos, dentro de ônibus lotados, talvez até triste por viver crise existencial. Com isso aprendi que a vida é um continuum sem maiores soluções.
O que pode e deve ser feito é um balanço do conjunto, como as empresas fazem, havendo exercícios que se encerram em outros meses que não dezembro. Fazer recortes, não necessariamente de doze meses sucessivos. No Natal, escrevi aqui sobre a frustração de quem sonha demais. Quem aspira a Megassena sozinho, vai se sentir menos premiado ou sortudo se a dividir com mais um que seja. E se acertar apenas a quina ou o segundo sorteio da Dupla Sena, se descuidar, rasga a aposta. Já soube de vários que não foram buscar sua quina.
Costumo dizer que meu saldo foi sempre positivo, e tenho provas disso. Ao longo da vida, os momentos de sofrimento e dor se misturaram com os de extrema felicidade passageira no curso de um ano civil ou de doze meses seguidos. Não faz diferença, se estamos saudáveis e, sobretudo, sobrevivemos a intempéries. A probabilidade de alguém levar a vida toda em mar de almirante ou céu de brigadeiro é diretamente proporcional a jamais dizer uma mísera e escassa mentira. É a velha história de haver dois tipos de pessoas: as que nunca falham e as que mentem sobre seus insucessos.
Desejar que seu 2008 seja maravilhoso, feliz, inesquecível, é, no fundo, desejar que ele lhe enseje passar momentos felizes, inesquecíveis, ainda que advenham também alguns outros nem tanto. Quimeras e utopias não são elementos de realização, porém podem contribuir para decepções e desânimos.
Seus sonhos não precisam se tornar verdade como sonhados, desde que a realidade seja algo dentro dos limites do razoável, do tolerável, do suportável. Devemos estar prontos para aceitar a vontade do Pai e não nos revoltarmos com seus desígnios. Quem somos nós para julgar o que era melhor para cada um? Recebi há uns dois meses (mais de uma vez) a história do homem que viu seu filho único se ferir seriamente e ficar inválido, mas um servo o alertou para que Deus faz sempre as coisas certas. Veio uma guerra e o filho não pôde servir ao exército, sobrevivendo, etc. (não sei se salvei essa mensagem ou se ainda não a apaguei).
Portanto, nos contentemos com aquilo que obtivermos. Se dispusermos de um limão, façamos uma limonada. E a saboreemos como um néctar, que de fato é. Por outro lado, se tivermos uma fortuna, a empreguemos de maneira produtiva, sem perder a humildade nem a fraternidade tão indispensáveis para nos trazer uma felicidade real e não ilusória.
FELICDADES A CADA NOVO DIA PARA CADA QUAL QUE ME LÊ!
Escrito por J.Celso às 13h13
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