MEIA TRÊS ESTÁ CHEGANDO
Pois é, está chegando mais um 18 de janeiro, igual a muitos outros e diferente em tantos aspectos também.
Repito que ficarei apenas 1 dia mais “experiente”, o que não muda quase nada. Outra vez, venço uma cisma, qual a vivida aos 33 e aos 56; portanto, nada de acreditar mais em previsões ou coincidências. Meu avô morreu com a chamada idade de Cristo e meu pai se foi com a segunda das que indiquei, porém eu tive um infarto aos 38 (Bodas de Prata em fevereiro agora) e acho que não terei outro.
Ou seja, cada qual com sua sina. Com certeza, eu poderia também ter feito cedo a viagem sem volta, oportunidades ou motivos (quem sabe, desejos) não faltaram, porém quem decide essas coisas achou que eu precisava permanecer um tempo a mais entre os reencarnados, não sei se para cumprir alguma outra missão ou se para resgatar meus pecados durante um tempo mais longo. Em 1983, escrevi para uma possível lápide tumular: “a vida é bela e eu parto dela tão cedo ainda” que não foi posta em granito, por enquanto.
Já dizia o Padre Antônio Tomás, cearense e excelente sonetista, que, a partir de determinada idade, “os desenganos vão conosco à frente e as esperanças vão ficando atrás”, ao contrário do que acontecia “quando partimos, no vigor dos anos” – então, as esperanças vão conosco à frente, necessariamente. Precisam ir, têm que ir.
Não sei se ainda não cheguei a essa idade (quando “eis que chega a velhice, de repente”), mas não vejo desenganos a me acompanharem, por mais que as esperanças sejam comedidas; definitivamente, estas últimas ainda não ficaram para trás, no meu caso. Ao contrário, vou criando a certeza de que elas se concretizarão, embora eu não alimente sonhos de glória ou fortuna. Há muito tempo (sempre?), quis ter apenas o que me bastasse, porque não estou seguro de estar pronto para administrar muito mais. Já é tão difícil, vez por outra, cuidar do que tenho....
Acho que já revelei algum dia, se não foi neste blog foi em outro lugar, que parei de dizer que tinha mais do que merecia, frase que cometi tantas vezes inconseqüentemente, talvez. Deus dá o frio conforme o cobertor e somente nos impõe aquilo que podemos suportar (ou devemos enfrentar como desafio). Se tenho o que logrei obter (bem como se passei poucas e boas) foi para o meu crescimento, misto de merecimento e compromisso. Não me cabe questionar a vontade do Pai, discutir seus desígnios, e tantos são extremamente duros de aceitar como tal (há poucos dias, Cinara me perguntava se certos fatos são mesmo desígnios de Deus).
O curioso é que, malgrado os achaques e a artrose, sinto-me pleno de vida (só não digo que faço coisas de menino por conta da piada), e costumo dizer dos quarentões que eles “são umas crianças”, estão na flor da idade, ou na melhor idade (dá-lhe Asastel!).
Decididamente, não vou fazer 63 anos, mas “18 com 45 de experiência”; ou três maioridades das antigas (3 x 21). Ainda tenho muito por fazer, e hei de fazer, até quando for chamado para o acerto de contas com meu verdadeiro Juiz Natural.
Escrito por J.Celso às 00h06
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