De volta, no "bronze"...
Pois é, estou bronzeado pelo sol de Jacaraípe-ES, onde passamos o carnaval e a semana seguinte (voltamos ontem). Deu praia todos os dias com um sol esplendoroso, cerveja gelada e muito fruto do mar (abusei!).
Lá, como no resto do Brasil, só se fala em cartão corporativo, destacando-se os estaduais quase tanto quanto os do governo federal.
Lembrei-me de quanto Deus, mais uma vez, foi bom para mim. Nos idos de 1974 (registrei isso em uma glosa publicada em Minhas glosas na Embratel, p. 47), quase que a mosca azul me mordia. Claro que a razão fundamental de ter escapado da mordida não foi esta, mas numa viagem que fiz a Aracaju para conhecer a Telergipe onde eu ia ser DT, recebi como primeira informação que teria direito a um “cartão de crédito”, podendo gastar até mil e quinhentos por mês. A gratificação, se não me engano, era de uns 4 mil e meu salário na Embratel era quase 10 mil.
Antes, jamais eu ouvira falar que nenhuma empresa no Brasil adotasse essa mordomia extra; certamente estava enganado, pois não creio que o Presidente e seus colegas de Telergipe tenham inventado a coisa. A justificação era exata e precisamente constituir uma verba de representação para despesas eventuais (e não sei qual deles pagou as que tiveram comigo e com Évelin naqueles quatro dias que ali passamos, tantos foram os almoços, jantares e passeios em Atalaia, à noite, para comer pata de caranguejo).
Até aí, nada de estranho, porém, em off, me confidenciaram que passavam-se meses em que não havia necessidade de pagar almoços ou jantares para visitantes, e neles a verba deixava de ser utilizada, era perdida..Por isso, haviam feito um acerto com o comércio local para usá-la “de forma mais útil” (pra quem???), podendo fazer compras, que as lojas dividiam em parcelas mensais um pouco inferiores ao teto (1.500) e sempre em valores diferentes, para não levantar suspeitas (um deles mobiliara toda a casa e outro, foi esse meu maior espanto, comprara um automóvel) .
Não ia dar certo, eu não ia me enquadrar no esquema (e teria problemas conjugais, será?), ainda bem que eu não era cacifado para o posto – o anterior estava saindo porque também não seguia o padrão estabelecido pelos outros dirigentes, dois militares da reserva, o que incluía o comando da mulher de quem chefiava sobre as esposas dos demais.
Acontece que minha esposa era filha de um ex-sargento, marcada na adolescência pela obrigação de ir se exibir ao acordeon e em outras artes sempre que o comandante do quartel em que seu pai servia queria que assim fosse.
Na primeira noite em Aracaju, fiquei sabendo que às terças-feiras haveria um chá em nossa casa – que o presidente escolheu e alugou sem ouvir nossa opinião – porque “a P” oferecia às segundas, a esposa do comandante da Base Naval às quartas, a do da Base Aérea às quintas e a da do Exército às sextas, faltando quem recebesse às terças.
Livrei-me de boa, amém!
Escrito por J.Celso às 14h20
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|