Dia Internacional da Mulher, 8 de março.
Muita gente escreve sobre o Dia Internacional da Mulher, que hoje se comemora.
Perguntou-me uma delas, a mais importante para mim, por que não se comemora o Dia Internacional do Homem? e eu imaginei que nós temos todos os dias, e não precisemos de um em especial. Nem elas precisariam.
A importância da mulher é algo indiscutível, sem ela nada vai pra frente, prospera ou sequer nasce.
A desembargadora gaúcha Maria Berenice, em artigo multipublicado nos últimos dias, conclui seu brilhante texto indagando quem mandou nascer mulher. Divirjo, com a máxima vênia. Sou pai apenas de duas filhas, e ouvi, ao nascer cada uma delas, que foram duas bênçãos que recebi. Concordo.
Sou privilegiado, talvez, porque a mulher em minha vida teve sempre um papel extremamente relevante. A presença delas não se restringiu ao fato de ter nascido de uma. Foram mulheres que me serviram como as primeiras professoras (se bem me lembro, o primeiro homem a me dar aula foi no primeiro ano ginasial). Uma tia deu o polimento inicial, aquela clivagem na pedra bruta que eu fui, como todos nós, “Desemburrou-me” e “alfabetizou-me”. Outras seguiram-na na tarefa, pelo menos nos cinco ou seis anos seguintes. E fui tendo professoras até meu último e mais recente ano de estudo, não faz muito.
A quantidade de pessoas do sexo feminino em minha trajetória (já antecipei que só tenho DUAS filhas) é preponderante. Não conheci meus avôs, embora haja herdado o nome de um deles. Convivi com as duas avós, e, dos quatro tios (contra três tias), convivi equilibradamente com dois e duas. Um deles, aliás, foi quase mais o irmão mais velho que eu não tive, pois morou em casa de meus pais desde os 14 anos, ao ficar órfão do pai. O outro era meu padrinho, querido e adorado, admiração maior. Os outros dois, igualmente queridos, eram mais afastados por morarem distante.
Meu pai foi uma fortíssima influência, mas a de minha mãe foi mais marcante.
Resumindo, o dito (duvido!) sexo frágil me cerca e me enternece: esposa, filhas, avós, tias, mãe, irmã, sobrinhas (um sobrinho apenas), primas, profesoras, colegas de trabalho, vizinhas, amigas, a empregada e sua filha, ... (até o jabuti dizem ser fêmea, uma jabota).
Recapitulando, apenas nunca tive um chefe do belo sexo, o que provavelmente teria sido uma baita alegria.
Parabéns a todas as mulheres neste dia, e em todos os demais. Sem elas eu não seria ninguém.
Escrito por J.Celso às 16h19
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Sobre os embriões congelados
Como afirmou ontem o Min. Carlos Alberto Direito (STF), a questão é tão complexa que exige maior reflexão. Os últimos 3 (ou 10?) anos não bastaram. Faz-se necessário reler todo o processo, analisar cada argumento ou fundamento que levou o Relator (e a Min. Presidente) a votar como votou, entendendo que a chamada Lei de Biossegurança não é inconstitucional.
Aliás, quero repetir o que já escrevi em outras oportunidades: usa-se, ou abusa-se, da palavra “inconstitucional” em muitos casos que, na verdade, nada têm de inconstitucional ou de constitucional (simplesmente, a CF não trata disso; seria, talvez, algo “a-constitucional”)
Sintonizei a TV Justiça durante todo o tempo da sessão de ontem. O Voto do Relator foi, de fato, uma peça antológica, primorosa, além de histórica, pela circunstância de tratar do tema pela primeira vez. Mesmo que não se concorde com sua conclusão.
Claro que pode ter havido incorreções, ele mesmo admitiu que pusera Sto. Agostinho no século errado, ao ser corrigido. Nada que não seja possível retificar quando de sua publicação. Ontem, era a leitura, sob pressão e holofotes.
(Vivi uma experiência semelhante há alguns anos, evidentemente em um fórum bem menos relevante. Fui solicitado a ajudar a rever o voto de um conselheiro em determinada matéria. Coincidentemente, havia uma referência a uma BR que eu conhecera muito bem, entre Natal e Fortaleza, e onde passara uns dois meses antes. Podia até dar um testemunho de seu estado de má conservação.
Apontei a incorreção e disse como eu achava que seria correto, mas não fui levado em conta, provavelmente, pela pressa ou porque pareceu-lhe insignificante e que ninguém iria reparar. Na leitura, saiu da forma errada que eu sugerira retificar. Houve quem questionasse (parte interessada). No voto escrito, apareceu corrigido. Meu mérito ficou omitido, se é que tive algum).
Voltando ao tema da utilização, para pesquisas científicas, das células-tronco de embriões congelados fertilizados in vitro, sabidamente a Igreja é conservadora e, da mesma forma que condena o uso de preservativo ou do sexo sem intenção de procriar, defende que a natureza se encarregue da evolução humana. Se alguém não consegue engravidar pela “via normal”, aquela que veio desde Adão e Eva, não se deve procurar clínicas de fertilização ou fertilização assistida. Provavelmente, é Deus que não quer que o casal tenha filhos, eles devem até parar de manter relações sexuais, pois o sexo se destina exclusivamente a gerar filhos (e já que Deus não quer que eles os tenham, pra que sexo?).
Todos os que sejam extremamente religiosos (não é apenas a Igreja Católica que pensa assim, talvez as Testemunhas de Jeová sejam ainda piores, pois nem transfusão de sangue eles admitem) bloqueiam o raciocínio, a lógica, sofismam e não querem sequer discutir o assunto.
O advogado que falou pela CNBB ontem é um notório filiado à Opus Dei e à TFP.
Mal comparando, o óvulo que não pode mais ser utilizada para gerar uma criança, fecundado in vitro, a célula-tronco do embrião congelado que não se presta mais a virar gente, seja pelo tempo decorrido, seja porque os doadores de espermatozóide e óvulo não querem ou precisam mais dele, embrião (podem já ter engravidado com outro embrião ou adiaram a tentativa), vale dizer, não vai nem pode ser inseminado no endométrio de uma mulher onde se desenvolveria, se tornaria feto e mais tarde poderia nascer, É COMO UMA SEMENTE que, em vez ser plantada (terra, água, algodão molhado, ... qualquer local onde possa virar broto, botão, planta, árvore para produzir flor ou fruto), FIQUE EM CIMA DE UM PIRES ou dentro de um geladeira, gaveta ou prateleira. Vai chegar o dia em que, por não mais servível (ser-vivo), murcha e vai pro lixo. Quem sabe, poderia ter sido útil em algum experimento da Embrapa, para “descobrir” uma nova espécie, resistente a pragas ou o cruzamento e criação de nova flor ou fruto. Nem pra isso presta mais.
Escrito por J.Celso às 11h55
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