Como é difícil viver!
Já escrevi antes que nós devemos amar ao próximo sem retaliar ou retribuir o mal que entendamos que o outro nos fez ou tentou fazer. Quantas vezes avaliamos equivocadamente as circunstâncias, e acreditamos que alguém quis nos atingir propositalmente. Talvez ele não tivesse alternativa, pode ter sido involuntária sua atitude, quem sabe nos pegou por tabela (não éramos seu alvo).
Por outro lado, já constatei inúmeras vezes que, ao se fazer uma ofensa ou desfeita, ao se perseguir, ao se procurar prejudicar outrem, a chamada “lei do retorno”, mais dia menos dia, fará com que o autor daquela ofensa, desfeita ou perseguição, necessite de sua antiga vítima, fique sujeito a seu arbítrio, vá depender em algo de sua boa-vontade e / ou precisar de sua ajuda.
É sabido que perdoar, certamente, é uma das atitudes mais difíceis de adotar. Perdão passa por esquecimento, não querer o revide, ou mesmo não se regozijar com a desgraça de quem nos atingira no passado.
Alimentar ódio e ressentimentos, contudo, é péssimo, não favorece o ressentido (ao contrário) e vai, como costumo dizer, “ocupar memória com arquivo que deveria ter sido apagado”. Esquecer o mal que nos fizeram, ainda que na forma tentada, é exercício contínuo de aperfeiçoamento e evolução espiritual. Exige tempo aprender a fazer isso, mas não custa um centavo.
No passado, não posso negar, encontrei pessoas que, a meu sentir, agiram de forma pouco fraterna comigo, quiseram ou me deram rasteiras, me passaram pra trás, me causaram maus momentos que, graças a Deus, com o tempo, muita leitura e reza consegui (será que já consegui 100%?) superar, esquecer, perdoar.
Devo admitir que, até hoje, não me lembro de ter sido procurado para prestar ajuda a quem agiu incorretamente comigo. Portanto, não sei ou posso dizer que lhe seria útil, retribuiria o mal com o bem, ou seja, faria o que digo que deve ser feito. Gostaria de ter uma oportunidade que fosse para me testar, me conhecer melhor, me avaliar.
Durante muito tempo, defendi que preferia não me programar para o imprevisto (como reagir em tal situação?) e já não estou tão certo se não devo me preparar para o imponderável, por mais que eu não queira ter a experiência, que pode ser desagradável.
Agradeço repetidamente pelo que recebo do Pai, pela Sua proteção, Sua contínua assistência. Desde antes de receber, estou agradecendo, pois sei que virá, se não da maneira que eu queria (humano e imperfeito que sou, devo pedir e esperar o que nem sempre seria o melhor modo de ser atendido), no momento mais adequado e da forma mais enriquecedora, mais favorável, mais merecida.
Assim, quando eu estiver pronto, haverá de surgir, repentinamente, a ocasião de dar o exemplo de cristandade a quem foi falso comigo, e que se rejubilou com meu tropeçar naquela atitude que esse alguém teve na volta da vida em que ele estava podendo. E torço para eu não falhar, e retribuir-lhe o mal com o bem.
Com isso, se eu realmente tiver êxito nesse propósito, sei que sairei ganhando nas coisas que importam de verdade.
Escrito por J.Celso às 21h16
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