Aproveite o dia de hoje
Recebi hoje de minha querida madrinha Tamico (anjo que Deus pôs em minha vida para lhe propiciar o momento mágico de me apresentar a mulher de minha vida) um vídeo nostálgico, com cantores da Jovem Guarda, dos quais nem conseguimos mais recordar o nome de todos.
Era um tempo quase ingênuo, em que, parafraseando Ataulfo, “éramos felizes e não sabíamos”. E me indaguei se minhas filhas teriam preferido viver aqueles tempos ou se, ao menos, gostariam de tê-los vivido.
E me lembrei que meu pai também sentia saudades de seu tempo, decantando as virtudes de sua meninice e adolescência. Aí, dei-me conta que jamais havia querido trocar minha experiência pela dele. E concluo, não sei se equivocadamente, que minhas filhas fazem muitíssimo bem se não invejarem meu destino e ficarem com o de cada qual, aproveitando o que a evolução da vida lhes reservou para usufruírem.
Claro que as coisas mudam, hoje dispomos de muita coisa com que nem sonhávamos pudessem existir (a internet talvez seja aquela mais importante delas, junto com o telefone celular). E também é verdade que umas poucas coisas não mais existem, incompreensivelmente, se tinham seu valor e nem sempre foram substituídas por novas invenções.
O tempo é algo a que não damos o valor e a importância que merece, desperdiçando-o ou esquecendo-o. Está bem que não cabe ficar excessivamente apegado ao passado, pretender ficar pés no que não volta mais ou, pior ainda, insistir loucamente em reviver. As experiências não se repetem, por mais encantadoras que hajam sido.
Lembro-me de minha primeira volta à Holanda, onde vivi um sonho encantado (1968) em uma época irrepetida. Durante aqueles três meses mataram Robert Kennedy, Martim Luther King, houve a célebre greve de Paris, a Primavera de Praga, e o Brasil também explodiu em muitas situações de conflito e arte.
Em 1990, idiotamente, eu imaginara que iria reencontrar exatamente o que guardara na memória. E me surpreendi ou desencantei ao ali chegar. O maior susto foi com Rotterdam, onde não consegui sequer ver o Euromast, e descobri que poucos da cidade ainda sabiam o que era. Amsterdam se rendera, mais ainda, à exploração do sexo, tornando praticamente impossível encontrar um souvenir que não tivesse conotação sexual.
Sem esquecer as experiência “para não ter de, novamente, experimentar”, devemos curtir cada momento, que não sabemos se e quando vão ocorrer de forma semelhante. Carpe diem!
Escrito por J.Celso às 13h35
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