Eu, quase um cidadão do mundo
Certamente, conheço mais cidades brasileiras que estrangeiras. De algumas, como Brasília, sou fã declarado, ótima para se morar. De nosso país, meu tempo de (im)plantador de sistemas de telecomunicações me levou de Norte a Sul e de Leste a Oeste. Na verdade, o Norte ficou meio prejudicado, não conheci quase nada (mesmo no meu Nordeste de nascença, faltou ir ao Piauí). Em particular, o Maranhão, para mim, se resumiu a cerca de 24 h em São Luís, nos idos de 1977.
Do Rio Grande do Sul ao Paraná, viajei por terra, ainda que não parando muito, foi uma viagem de Porto Alegre a Lages e Curitiba, mas fui passando por cidades e mais cidades. Entre Rio e São Paulo, percorri cada quilômetro mais de uma vez e de Sampa a Campo Grande, repeti o roteiro umas duas ou três vezes.
No Nordeste, de Fortaleza a Recife e de Recife à divisa com Minas, faltou muito pouca coisa para percorrer, pois atuei na implantação do Tronco Nordeste (BH a Recife, passando por Salvador, Aracaju e Maceió) e na do Tronco Recife / J. Pessoa / Natal / Fortaleza. Aliás, duas vezes fui de BH à divisa com a Bahia (ou seja, conheci de BH a Recife, praticamente – faltando umas duas repetidoras em Sergipe, se muito).
Aqui na região Centro-Oeste, viajei mais pelas capitais, embora haja “gramado” uns bons dois meses em torno de Paracatu, indo de Cristalina a João Pinheiro. E a algumas estações remotas, como Livramento (MT) e Rondonópolis, ou Cáceres e Corumbá, ou Anápolis (acho que, fora as capitais, foram essas as cidades da região onde estive, entre 1985 e 1998 – melhor dizendo, até 1991, quando deixei de atuar em implantação, expansão ou realinhamentos).
Também não viajei pelo Espírito Santo a serviço, mas atravessei o Estado em viagens de férias.
E no exterior? Conheço razoavelmente a Europa, exceto Portugal, Espanha e a maioria dos países do chamado Leste europeu, de que somente conheci Praga e a Eslovênia (que conheci praticamente toda, em sete dias de viagens nas quatro direções tradicionais, do Adriático à fronteira com a Croácia).
A Holanda foi minha primeira descoberta e encanto, durante três meses, em 1968. Varri o país todo, e costumava dizer que somente não levantara o tapete pra ver o que tinha debaixo. Também não é difícil percorrer ele todo, que mede um Sergipe e meio (33 mil km2, aproximadamente).
A Bélgica também parece minúscula, e já a cruzei por terra e trem, com estadas em Bruxelas, Liège e Bruges, e passagens por Ghent e Antuérpia (além de outras cidades pequenas cujos nomes nem registrei).
Entrei em Luxemburgo, dei uma volta na cidade e dei-me por satisfeito.
A França também já me permitiu rodar por algumas de suas auto-routes em várias direções, inclusive passando em estradinhas vicinais, indo e voltando de Lourdes, numa peregrinação, em 1992. Claro que estive em Paris (umas cinco ou seis vezes), Fontainebleau, Lyon, Nice, Collegien, Versailles, Cannes, Marseille, na Alsácia Lorena, ...
Também rodei pela Itália, Alemanha e Áustria E pela Suécia, Finlândia e Suíça.
A Europa tem a vantagem de as distâncias serem curtas. Em 1968, de Hilversum ou Huizen, quantas vezes fui almoçar em Amsterdam e voltava para a fábrica da Philips, entre as 12 e as 14h. Em um fim de semana, visitava dez cidades num roteiro que podia incluir Alkmar, Marken, Edam, Volendan, o Afsluijtdijk, e voltava a Eemnes, onde dormia. Ou pegava um trem ia a Rotterdam, Ultrecht, Den Haag e chegava de tarde a Amsterdam ou de volta a Hilversum.
Em 1992, não nos hospedamos em Paris, porque o Novotel de Marne-La-Valée estava a meia hora da capital, usando o RER. Podíamos ir lá todo dia. O mesmo da primeira vez que fui a Veneza, ficando em Padova, nem na segunda vez, ficando em Oriago di Mira. De fato, só me hospedei em Veneza propriamente uma vez, nas incontáveis vezes que estive lá (ficando em Oriago, podia ir até três vezes por dia a Veneza).
Também não me hospedei em Mônaco ou Monte Carlo, visitando o principado no tempo do Rainier III saindo de Nice ou Menton, a meia hora de trem.
A Suíça parece um cartão postal, e nós dentro dele. Conheço umas dez cidades suíças. Há gente que trabalha em Genebra (na UIT) e nem mora no país, tendo residência em Liechtenstein. De todas, com certeza, Genebra é minha favorita, talvez eu vivesse feliz lá.
Para dizer que conheço uma cidade, preciso saber me orientar nela, ter andado em suas ruas, caminhado, poder até ser cicerone. Isso acontece comigo em relação a Genebra, Zurich, Lausanne, Interlaken, Amsterdam, Rotterdam, Haia, Colônia, Roma, Paris, Veneza, Florença, Pisa, Monte Carlo, Nice, ... tanto quanto o Rio de Janeiro e Brasília ou Natal. Dispenso guia e, talvez, até o mapinha.
Adoro viajar, as viagens ilustram.
Escrito por J.Celso às 23h15
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Que queda da bastilha coisa nenhuma!
Foi em um sábado que me tornei pai pela primeira vez. Era um 14 de julho, eu não estava na França, mas foi um dia de festa em nossa casa (ou na maternidade). A meu lado, Gislaine esperava que dr. Vasconcelos desse a notícia. Logo depois, chegava Marta. Eram 11h30 quando eu parei de pular no corredor para ver o que acontecia na sala de parto (dava para ver alguma coisa cada vez que eu alcançava a janelinha lá no alto, a mais de 2 metros de altura). Ela nascera, e eu corri para dar a notícia. Não havia celular naquele tempo, e os parentes de Évelin e meus foram chegando, porque a data do parto era sabida por todos. No dia seguinte, coincidentemente, chegavam primas do Nordeste (Mary Anne e Sandra Celeste – que aniversariava dia 15 - e Mary Anne estava em viagem de lua-de-mel com Luís).
Nascia Rebecca, Raio que de sol invade nossas vidas Embelezando tudo mais ainda, Boneca rosada que te vi nascer, ...” é um acróstico que escrevi naquele dia, pai orgulhoso e babão.
Em mais um, no dia seguinte, eu concluía dizendo: E, vencida a longa espera, Chegaste para nós, Composta só de amor, A expressão maior de nossa arte.
Papai também escreveu seu acróstico (mal de família) em que diz: Repleta de graça e amor, És a afirmação dos teus pais, Bênção de Deus pra teu lar. E assim sendo, inundarás. Cândido botão, serás flor, Com teu perfume perene, A trilha que irás marcar.
Em seu álbum de bebê, há mais de uma dezena de acrósticos: de mamãe, de tio Celso, de Pimpinha, de Enedina, e muitos meus (quase que por dia, na primeira semana de sua vida; o último é datado de 14/02 do ano seguinte). E também a “explicação” para a escolha do nome: “além de ser um nome muito bonito e do agrado de seus pais, corresponde a uma variedade de tulipa exposta no maravilhoso cenário de Keukenhof (Lisse – Holanda)”. Anos mais tarde (1992), estivemos juntos na Floriade – evento que se realiza na Holanda a cada dez anos –, mas não conseguimos ver a Rebecca holandesa plantada em estufas. Não deve ser mais bonita que nossa filha.
Cada dia, mais e mais, nos rejubilamos com as duas flores que trouxemos ao mundo.
Escrito por J.Celso às 22h38
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