Bodas sem nome próprio
Há 38 anos, eu estava me aprontando para o encontro mais importante da vida: ia me casar!
Chegara de véspera, de Recife onde morava, e desde cedo começara a me vestir de noivo, indo cortar o cabelo (não me lembro se fiz as unhas, é bem capaz) e ficar à altura daquela que, eu sabia, ia estar estonteante.
A cerimônia estava marcada para as 20h na Igreja de Santa Teresinha (Palácio Guanabara, Rio) e um pouco de preocupação havia: será que Gurgel ia atrasar?
Gurgel era um primo de meu pai, padre, que casara minha irmã cerca de 2 anos antes. Vivera os últimos 18 meses, aproximadamente, na situação de morto-vivo, cassado, sem ter quem lhe desse emprego, querendo passar anônimo na multidão. Fora atingido pelo AI-2. E, dadas as circunstâncias, estava largando a batina, apenas aguardando que o Papa lhe liberasse dos votos feitos ainda pós-adolescente. Seus pais, muito religiosos, depois de várias gravidezes interrompidas, finalmente, tiveram um filho, e não hesitaram em fazer a promessa: vai ser padre! Ele não teve escolha.
Porém essa não era sua verdadeira vocação. Exerceu o sacerdócio e o magistério (sua cultura era da mais alta qualidade, beirava a genialidade) com vigor, e foi fazendo das suas, se as moçoilas facilitassem. Não faz muito, soube de uma neta dele que me procurou para reatar ou descobrir a linha ascendente. Creio que a ajudei um pouco.
Um pouco antes de ser fulminado pelo AI-2, fora revelada a existência de uma mulher em sua vida dupla, com quem casou tão logo a mãe morreu, e de filhos do casal.
Ele chegou na hora certinha, vestindo os paramentos de um tio padre dele e de meu pai. Já estava quase em farrapos (esse tio padre morreu quando eu nasci). E Gurgel não deixou de registrar na cerimônia que estava paramentado com aquelas vestes da tradição familiar, e que aquele era o último ato de sua vida religiosa.
Como eu previa, Évelin chegou esfuziante, deslumbrante, magnífica. Talvez mais do que eu houvesse feito por merecer. No altar, os padrinhos meus (Castello/Lúcia, Broad/Tamico) e dela (Krebs/Lea, Rodolfo/Marta), além dos pais (sua mãe falecera meses antes). Na nave, nossos convidados. A igreja lotou.
E foi o início de uma vida que se prolonga, superando obstáculos, tornando-nos cada dia mais cúmplices.
Não tenho qualquer dúvida de que foi um compromisso assumido em múltiplas encarnações, e que, nesta, tratamos de resgatar e cumprir, com a graça de Deus, a qualquer preço e apesar de tudo.
Escrito por J.Celso às 19h13
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Um blog selecionado, legal, elogiado. Agradeço "no escuro"
Recebi, como comentário, que este meu blog fora selecionado como “um dos legais do UOL”. Quem me indicou deve ser muy amgo, mas deveria ter se identificado. Ou quis que eu ficasse quebrando a cuca para ver se descubro quem foi.
Até desconfiei que pudesse ser um vírus daqueles que se instalam no “clique aqui”, não cliquei. Pedi ajuda a quem é experto em assuntos de Informática, e fui tranqüilizado. Era verdade, alguém, pelo visto, gostara do que escrevo. É um estímulo a quem tantas vezes reclamou que ninguém lê o que é posto neste blog.
Certamente, dentre meu leitores, preferia saber quem foi o elogiador, o selecionador, o indicador de meus méritos, para poder dirigir-lhe uma mensagem pessoal de agradecimento.
Posso até me surpreender ao descobrir.
O mais interessante é que, pelo visto, a indicação produziu um efeito maior do que o desejado e, de repente, seis comentários apareceram (um deles de brincadeirinha), o que constitui um recorde (antes, no máximo, tinham aparecido dois ou três a uma das minhas mensagens, e quase sempre uma era meu, em resposta).
Este blog, em alguns momentos, extrapolou o âmbito ou o tema mais íntimo, de parente e amigos, ex-colegas. Os assuntos abordados são, na maior parte das vezes, nostálgicos, emocionais, pessoais, rememorativos. Raramente, embora tenha ocorrido, abordei temas momentâneos, que estejam em voga. Acho mesmo que quem não me conheça, ainda que superficialmente, não vai entender bem ou inteiramente o que eu escrevi, ao referir-me a siglas ou passagens vividas, pessoas que fizeram parte de minha existência, nos bons e nos maus momentos.
Observe-se que este tópico que suscitou o elogio e o recorde de comentários, na verdade, é relacionado a uma estada, em 1968, em Eemnes – Holanda, no Motel De Witte Bergen. Ou a minhas idas a Genebra, duas vezes a serviço e outras duas em viagens de férias, todas elas me hospedando no mesmo hotel, e no mesmo apartamento 16 mais de uma vez.
Que bom se foi alguém estranho. Estaria eu ultrapassando o círculo que pretendia alcançar de início, quando divulguei que começara a escrever em um blog, pus-me a dar o endereço e pedir que fossem ler e deixar algum registro da visita. E, por gentileza, espalhassem e sugerissem aos amigos e conhecidos que também o visitassem e, igualmente, deixassem um registro, nem que fosse uma crítica. Não me pareceu ter obtido a repercussão e o retorno que esperava.
Tenho a impressão que meu público-alvo termina sendo outro, imprevisto, inimaginado. Quando vejo minha filha pôr um comentário (14/7/2008), fico alegre, porque nem sabia que ela me lia, como eu leio o blog dela.
Minha mulher, por exemplo, jamais leu nada do que eu escrevi neste ou no meu blog anterior, pois a internet para ela é ferramenta de trabalho, e somente deve ser usada para e-mails. Rarissimamente, ela navega e, se muito, é para se informar sobre o que aconteceu no mundo. Acho que ela nunca foi ao Google, por exemplo. Nem pesquisou jurisprudência ou acompanhou andamento de processos. Escrever um blog, para ela, deve ser bobagem..
Vou acreditar que a indicação é sincera e espontânea. E me esforçar para fazer deste blog algo cada dia mais legal.
Obrigado a todos.
Escrito por J.Celso às 22h43
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