Já ouvi essa história antes, ...
Ah, os grampos!
Desta vez, estranhei que não apareceu (ainda) ninguém do PT para admitir a veracidade do fato acusado, pois até então sempre alguém vinha dizer que era verdade, e acrescentava mais detalhes.
Já comentei antes sobre o Boca de Ouro (Nélson Rodrigues): “a mulher tem que negar sempre; uma vez, eu estava com uma na cama quando o marido dela entrou no quarto. Ela negou com tanta veemência que até eu fiquei em dúvida”.
Quando surgiu aquela história do suposto dossiê (não se sabe se contra Serra ou Alckmin, pois não apareceu quem tivesse tido acesso a ele), imediatamente, houve uma confissão implícita de que aquela dinheirama era pra comprar mesmo um dossiê.
Lembro-me de uma vez, há trocentos anos, em que D. Hélder teria feito uma acusação de que a Embratel estava grampeando seu telefone em Recife, no Palácio Arquiepiscopal de Olinda. Acho que eu nem era mais responsável, Chefe da Seção Técnica do Distrito de Recife, mas tive o ensejo de encontrá-lo e esclarecer (ele era leigo em telefonia) que na Embratel, fosse na Comutação fosse no Multiplex, era dificílimo monitorar e grampear ligações, pois o sistema automático cada vez selecionava um juntor ou um canal diferente, imprevisível. Que, se grampo havia, era provavelmente feito pela telefônica local, que pendurava um chupa-cabra na sua caixa telefônica.
Não sou ingênuo a ponto de dizer que Abin, PF e que tais não consigam grampear o que bem queiram, porém, principalmente com telefonia digital (tudo 0 ou 1), o grampo se faz mais simples e menos arriscado se feito na instalação interna, a que costumam ter acesso os terceirizados do serviço público (fáceis de serem comprados, lembremo-nos do rapaz que vendeu a cópia do CD com a gravação de uma sessão secreta de uma CPI no Senado, se não me engano por R$ 50,00).
Isto é, antes de acusarem A ou B, I ou N, P ou F, deveriam ver quem andou fazendo manutenção no PABX do STF ou no telefone direto do Presidente da Corte (ou de quem mais haja sido grampeado, no Senado, no Planalto, onde quer que seja).
A Krol é do ramo, e andou ligada a Daniel Dantas em arapongagens, na briga pela Brasil Telecom. Atualmente, com a Oi comprando a BrTelecom, quem sabe não haveria algum interesse na espionagem industrial?
Os controles de entrada e saída nos prédios públicos permitem dizer quem, quando e onde andou mexendo nos telefones do STF ou do Senado para gravar as conversas entre o Ministro-Presidente (já era Presidente?) e o Senador, tão íntimo, que se tuteiam.
Estão complicando o que pode ser fácil, ou começando por fazer acusações que vendem revista e dão margem a discursos revoltados de tribuna parlamentar.
Devagar com o andor... o telhado de vidro pode quebrar e poucos ganharão com isso, a menos que não interesse conhecer a verdade, preferindo-se ficar com a versão que mais convenha.
Escrito por J.Celso às 14h01
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|