Capital especulativo
Pois é, parece que vai acabar o império do rei “Mercado”. Graças a Deus, já acaba tarde. Xô satanás!!!
Nas poucas vezes em que me detive sobre a Economia (decididamente, não é minha praia), sempre procurei deixar patente que não estou convencido de que o Senhor Mercado rege o mundo. E lavrei meu modesto protesto quanto a essas políticas pouco nacionalistas que tornam o país dependente dos investimentos externos. O Estado tem que ser maior do que o Mercado. Não pode se curvar a ele.
Ora, todos sabemos que o capital externo que vem ao Brasil é, em sua imensa maioria, especulativo. Está aplicado aqui enquanto convier ao especulador estrangeiro, nunca se comportando como investimento.
Em 1968, lembro-me bem de um dos booms da Bolsa de Valores, quando se tornou assunto indispensável nos noticiários diários a cotação de blue chips E tome de falar em Banco do Brasil ON e OP (anda existiam ações ao portador), Petrobrás, CSN, Vale do Rio Doce, .... (note-se que todas paraestatais).
A diversão (que diversão!) de muitos colegas era passar a hora do almoço no “aquário” da Praça XV, onde funcionava a BVRJ. E, creio, muitos deles perdiam fios de cabelo quando havia uma variação negativa. Ao longo do tempo, somente quem não se desesperou (isto é, quem manteve a esperança e, de fato, aplicou a longo prazo) pode e deve ter ganho bom dinheiro.
Outra febre foi comprar dólar. Ou ouro. Isso nunca me atraiu por uma simplérrima razão: se eu investisse 1.000 cruzeiros (o salário de um mês) em ações, dólar ou ouro, poderia ver meu investimento subir 30% de um dia para o outro, ou de uma semana para a seguinte. Porém, se eu vendesse (“realizasse” o lucro), não conseguiria mais comprar nem o que vendera. Se eu tinha 1.000 ações, com a valorização, ia poder comprar, talvez, 700 ao vender aquelas 1.000. Isso também ocorria com o dólar (e continua acontecendo).
Somente o corretor ganha sempre, porque cobra sua comissão quando você compra e quando você vende, não importa se você ganhou muito ou se perdeu tudo.
Acho que investir é aplicar com algum objetivo. Por exemplo, tenho o plano de comprar uma casa própria. Em vez de pôr na poupança tudo o que posso economizar, aplico parte em ações (se o mercado estiver com perspectivas de subir). E saio daquela aplicação ao atingir meu objetivo (ou seja, já ter obtido a valorização almejada). O que estraga é a ambição ilusória do lucro fácil.
O investidor em Bolsa, se não for um profissional (e existem muitos), é um otário (entra induzido ou iludido, e tem alta probabilidade de se arrepender mais tarde). Comparo quem investe em Bolsa, sem ser profissional, a quem entra em um cassino e começa ganhando. Deslumbra-se e vai reaplicando, apostando de novo, o “lucro” até perder tudo – é inevitável: tudo que sobe desce, não há bem que sempre dure. Esses jogadores são irresponsáveis!
Já ensinava Aristóteles Onassis: “aposte o dinheiro alheio, jamais o seu”.
Escrito por J.Celso às 21h02
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Pacem in terris
Nossos humores sofrem alterações, às vezes, sem motivo aparente de uma hora para outra.
E não nos damos conta disso. Os próximos é que notam, e nem sempre reclamam, embora possam reagir, para nosso espanto.
Ou, se nós mesmos detectamos essas mudanças, quase nunca sabemos por quê elas ocorreram.
Parece difícil, se não impossível, jamais mudar de comportamento, ser monotonamente invariável no proceder. Seria necessário não interagirmos, vivermos em redomas, isolados e imunes às influências do que nos cerca.
Meu pai repetia uma máxima genial ouvida por ele de um semi-analfabeto: “o comportamento do indivíduo varia com o ambiente em que ele convive” (nas palavras do autor: a comportança do indivído vareia com o ambiente em que ele conveve). E arrematava: “o mais é folclore!” (ou fiquilore, no seu português imperfeito).
Quantas vezes reagi passivamente quando outrem teria partido “pra cima”? Talvez porque dotado de uma índole conciliadora, pacificadora, antibeligerante.
Muitas das atitudes que tomei na vida são (ou foram) consideradas covardes, até. Impróprias, não eram coisas de macho. Lembro-me de outro adágio: “antes ser um covarde vivo que um herói morto”.
Claro que não se tratava de correr risco, mas de reconhecer ou admitir que não ganharia nada discutindo, retrucando, querendo impor minha opinião. Quem sabe, algumas vezes eu estivesse demasiadamente envolvido para não ver ou aceitar que eu estava errado.
Ao fechar alguém no trânsito (por exemplo, para evitar um atropelamento), o motorista do carro fechado, vai soltar um impropério. Que tal perguntar-lhe: de onde conhece minha mãe?
Tentar explicar ou justificar sua manobra vai ser complicado e, provavelmente, tempo perdido. Provocar uma risada ou desconcertar o outro pode ser uma melhor saída.
Um outro aspecto a ter em conta é que com velocidade que o humor se vai, ele pode voltar. E uma discussão pode gerar uma desavença interminável, criar uma inimizade ou um caminho sem retorno.
O ruim é quando não somos compreendidos nessa intenção. A piada perde a graça ou resulta em agressão.
Ontem (não sou de ver muito TV, exceto esportes e telejornais ou filmes), na casa de alguém, assisti a um quadro em que um personagem “goza” todo mundo repetidamente, mas engrossa quando um terceiro faz uma piadinha com ele. Após partir pra cima e provocar quebra-quebra, um tempinho depois, ele cai na real, entende e vê que era uma piada, mas que “o cara não soubera contar....”.
Escrito por J.Celso às 21h57
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