Falando o que penso


Nostradamus sabia das coisas!

 

 

Creio haver pouquíssimas pessoas no mundo que jamais hajam ouvido falar em Nostradamus, célebre profeta francês que viveu no séc. XVI (1503- 1566).

Lembro-me de ter assistidos, ainda em Natal, a muitas curta-metragens sobre suas profecias. E minha mulher sempre nutriu admiração por ele. Modestamente, ela escreveu um dia, ousa e se arrisca a interpretar o que ele queria dizer nas suas centúrias cifradas.

Ele escrevia em francês arcaico e às avessas (exigindo que fossem lidas ao espelho) porque temia ser considerado bruxo, e ir parar na fogueira da Inquisição . Dos muitos autores que se arvoram como seus melhores intérpretes, temos em casa livros de Ettore Cheynet (Círculo do Livro, 1976), Érika Cheetham (Nova Fronteira, 1973 e 1985), J.C.Fontbrune (Nova Fronteira, 1982) e Henry C. Roberts (Villa Rica, 1991).

Quanto às profecias que já teriam se concretizado, há poucas divergências, porém a coisa fica mais polêmica no tocante às famosas previsões “futuras” (aquelas que não se sabe bem ao certo se já se tornaram ou não realidade). Cada qual quer ter feito a interpretação mais correta.

Contudo, os livros mais recentes (são cerca de dez em nossas estantes) e mais intrigantes são três de uma tal Dolores Cannon, americana, nascida em 1931. Segundo consta desses livros (Sobre a Autora), “em 1968, teve seu primeiro contato com reencarnação mediante regressão hipnótica”. Desde 1970, mora nas montanhas do Arkansas (P.O. Box 754, Huntsville, AR 72740-0754) e, depois que os filhos cresceram, seu interesse por regressão hipnótica e reencarnação ressurgiram, tendo se dedicado ao estudo de “vários métodos de hipnose e desenvolveu uma técnica própria que lhe permite obter  com maior eficiência um grande volume de informações de seus pacientes”.

No prefácio do vol. I, quem faz a apresentação diz que a questionou minuciosamente sobre suas técnicas e se convenceu de que ela não conduzia os pacientes quando se encontravam sob sua orientação, nem fornecia nenhuma das informações que vinham à luz sob hipnose.

Diz mais adiante que “até onde sei, Dolores Cannon jamais havia lido uma quadra de Nostradamus e não sabia virtualmente nada sobre ele e suas profecias antes de descobri-lo ao fazer uma paciente regredir a uma vida passada”. Com isso, ela reuniu material para escrever três volumes intitulados “Conversando com Nostradamus” (Círculo do Livro, 1997).

É Dolores Cannon quem escreve, no prefácio do primeiro volume: “Este livro e seus subseqüentes contêm duas histórias incríveis. A primeira consiste na aventura de entrar em contato com o grande paranormal. A segunda constitui o legado que ele queria revelar ao nosso mundo”.

Em suas palavras, “a aventura começou com enganadora inocência e simplicidade”. Em determinado momento, conheceu uma mulher na faixa dos quarenta anos “nada familiarizada com os aspectos técnicas dos fenômenos psíquicos” que no final dos anos 60 havia passado por uma experiência próxima da morte. E que teve interesse em também experimentar sessões de regressão, por simples curiosidade. Numa delas, algumas semanas depois, de repente, surgiu a suspeita de que, talvez, ela tivesse “vivenciado uma encarnação” com Nostradamus.

Primeiramente, a mulher encarnou (ou incorporou) um discípulo de Nostradamus que admirava aquele mestre como “mais sábio do que qualquer outro homem sobre a Terra”.

Estranho também que Dolores revela ter perguntado àquela mulher se ela “sabia alguma coisa sobre um paranormal do século XVI chamado Nostradamus”, recebendo como resposta que “jamais ouvira falar dele e nem sequer conseguia pronunciar-lhe o nome direito”.

Durante cerca de uma ano, as sessões eram com aquele discípulo, que intermediava os contatos com Nostradamus, até a vez em que ele anunciou que Nostradamus tinha uma mensagem. E que faria contato direto, “pessoalmente”.

O que Nostradamus queria era, simplesmente, que a médium (ou “veículo”) encontrasse determinadas quadras “que prevêem o futuro do nosso mundo”, meditasse a respeito delas, e que as traduzisse “sozinha”. Dolores Cannon teria que ajudá-la com as correções que o próprio Nostradamus faria enquanto ela estivesse em transe (as sessões de regressão sob hipnose eram gravadas; a paciente não tinha plena noção do que estava acontecendo, embora, depois do transe, pudesse aditar algumas lembranças – ou seja, durante o transe, ela estava inconsciente).

Que tamanha responsabilidade! Enquanto muitas pessoas passaram anos tentando interpretar o que Nostradamus quisera dizer, ali estava uma pessoa que nem sabia quem fora ele, que desconhecia tudo sobre o assunto, que jamais lera uma única das quadras (ou centúrias), com a tarefa de “decifrar o enigma”, fazendo o que os outros não haviam conseguido; parecia um “total absurdo” ou uma missão impossível.

Nostradamus teria dito que aquela mulher estava pronta para realizá-la, e que era “algo que ela tinha de fazer”, e logo (o tempo urgia, pelo visto). Sua reação inicial foi “Cruzes, essa uma responsabilidade terrível. Não sei se posso fazer isso. Não sei nem se quero.”

O fato é que a tarefa ditada foi levada avante. Dolores também tratou de conhecer as interpretações (de Érika Cheetham), selecionar algumas que julgava relativas ao nosso futuro, uma das quais mencionaria “uma descoberta de documentos bíblicos”. O ano era 1986.

A primeira quadra selecionada (VII – 14) diz: “Faux esposer viendra tipographie / seront les cruches des monuments ouvertes:/ pulluler secte saincte phiosophies, / pour blanches, noirs, & pour antiques verts

Segundo Roberts (livro que temos), “a estrofe prevê um período corrompido da história, quando se espalharão muitas seitas, provocando conflitos no seio da Igreja” (Católica, óbvio). Cheetham, por sua vez, associa-a à Assembléia Nacional Francesa (1789), também referindo-se a seitas “anticristãs” que floresceriam e tomariam o lugar da “religião”, mas o povo concordaria em que “preto é branco” e aceitará “novas idéias em lugar das antigas tradições”.

Em uma de suas sessões de regressão sob hipnose, Elena (esse o nome da paciente) interpretara que aquela quadra referia-se à descoberta dos Pergaminhos do Mar Morto e também à descoberta da Arca (e das profecias divinas). E que “negro por branco” significaria “fotografar os pergaminhos, criando novas páginas das antigas”. A resposta de Nostradamus foi que a primeira parte estava incorreta, pois se tratava de “obra perdida”, e não dos Pergaminhos (achados).

Uma outra quadra selecionada foi a Centúria II – 48: “Le grand copie qui passera les monts / Saturne en l´Arq tournant du poissons Mars: / venins caches soubs testes de saulmons, / leur chef pendu à fil de polemars”. Roberts acha que “profetiza-se uma invasão através de montanhas, com tristes resultados, pois essa força será expulsa para o mar e seus chefes mortos” Cheetham interpreta referir-se a uma conjunção (Saturno, Sagitário e Marte em direção a Peixes) muito rara que até então acontecera uma única vez, em 1751, e que prevê-se ocorrerá de novo em 2193. Na regressão, uma primeira “correção”: “não está correto. Essa configuração ocorrerá no décimo segundo mês de 1986”. E precisa o dia: 22 de dezembro.

Dolores lembra que, posteriormente, tomou-se conhecimento que foram avistados OVNIs naqueles dias (perto de 22/12/86), que corresponderia a uma “exibição de luz”.

Em outro momento (outubro/86), com outro paciente, Nostradamus volta a tratar dessa quadra para dizer que ela tem mais de um significado. E que, como conseqüência de um erro cometido por um líder, ocorrerá um incidente internacional cujo principal problema seria (ou ainda será?) ocasionado por “uma interrupção na comunicação entre as duas potências envolvidas” e que redundará num grande fiasco, contribuindo para o fim da carreira política daquele líder, como se correspondendo a uma morte (política), um enforcamento. Cannon acredita que tem algo a ver com a questão Estados Unidos - Irã, no governo Reagan.

Foi referida a Centúria II -46, que também fala em algo semelhante: “Após grande miséria para a humanidade, uma outra ainda maior se aproxima, quando se renova o grande ciclo dos séculos. Choverá sangue, leite, fome, guerra e doença. Nos céus, será visto um fogo arrastando uma trilha de faíscas” (Cheetham). Roberts entende que “depois da grande época industrial do vapor e da eletricidade, ocorrerá  outra estupenda revolução, novo tipo de energia iria acelerar o progresso humano. Mas, antes que isso aconteça, serão vistos terríveis projetis aéreos, causando muito sofrimento”. Cheetham interpreta que Nostradamus previu uma grande catástrofe ligada ao aparecimento de um cometa no fim do século (Halley ia aparecer em 1986) e que poderia ser o começo da terceira guerra mundial.

O esclarecimento recebido no transe foi que a primeira parte se refere às nações negras  sofrendo com a fome. A segunda parte, ao cometa  que estaria passando naquele tempo. A terceira, ao “armamento que tem causado doenças no ar, que serão destrutivas para as plantações e para a respiração, o que levaria as pessoas a cuspirem sangue”.

Apareceram, naquele 1986, outros cometas, além do Halley (cuja “passagem” foi pífia, representando uma frustração enorme, pela expectativa existente).

Imediatamente, argüiu-se o desastre de Chernobyl (abril/86), o que foi confirmado. E em agosto daquele ano, aconteceu uma “inexplicável emissão de gás” num lago vulcânico da República de Camarões, com cerca de 1.500 mortos, porque o ar estava envenenado e as pessoas não podiam respirar. Algumas pessoas cuspiam sangue e as colheitas por onde o gás se espalhou foram destruídas.

Uma interessante conclusão: uma mesma quadra pode prever mais de um evento quando ocorrem mais ou menos na mesma época.

Em seqüência, por meio de várias pessoas (a Elena precisou se mudar e as comunicações com Nostradamus prosseguiram com outros pacientes; depois, ela reassumiu a função), diversas Centúrias foram discutidas, e a cada uma delas o profeta ia dando o verdadeiro sentido do que  ele vira e escrevera enigmaticamente, apontando, às vezes, os erros das interpretações conhecidas. Era o autor dizendo o que ele queria dizer em suas Centúrias.

Claro que a maior parte dessas quadras, desde o início dos estudos sobre a “herança” deixada por Nostradamus, fica fácil de identificar quando as coisas acontecem e a tradução se torna “evidente”. “Ah! Era isso a que ele se referia. Saddam Hussein, Osama bin Laden, Reagan, quem sabe G. W. Bush, guerras do golfo, etc.

Com o tempo, Dolores foi ficando como que “íntima” do “Homem”, e criando coragem para dirigir perguntas sobre o futuro, principalmente sobre o que não estaria nas Centúrias tão badaladas. Em junho de 1989, usando como uma paciente chamada Brenda por médium, ela perguntou:

“eu queria saber sobre a situação em que nos encontramos agora, no meu período de tempo.  Há algumas coisas estranhas ocorrendo que se relacionam com os países comunistas na Europa e em partes da Ásia. Subitamente, tudo parece estar mudando. Poderia ver o que causa essas mudanças, e quais serão as conseqüências?”

Resposta obtida de Nostradamus:

“grandes mudanças estão prestes a ocorrer. Sempre que estão para acontecer mudanças de peso, sejam políticas ou sociais, aparecem alguns sinais de aviso, antes do grande surto de mudanças. Numa escala maior, quando às vésperas de uma mudança mundial devastadora, alguns poucos países entram em revoltas sem nenhuma razão aparente. Haverá, então, mais demonstrações abertas, marchas de protesto pelas ruas, e uma inquietação civil. Isso acontece porque, da maneira como as coisas são estabelecidas, determinados países ou sistemas sociais podem ser especialmente sensíveis ou vulneráveis às mudanças que se aproximam. Assim, reagem primeiro, e este é o sinal de aviso de que mudança maiores estão a caminho.”

E prosseguiu esclarecendo ante novas indagações:

“A sociedade está enfrentando muitas mudanças, Onde antes as pessoas nada possuíam, subitamente, são capazes de possuir terras outra vez, ou de comprar mantimentos nos balcões das mercearias. E, portanto, ficam mais vulneráveis às influências externas. Embora as pessoas estejam ansiando pela liberdade, e lutando por ela, tudo está mudando, movimentando-se, sem estabilidade” (os comentários parecem cair como um luva nos países da antiga Cortina de Ferro, com perestróica, glasnost, fim da URSS, ....).

Entretanto, nada parece mais atual que esse momento, com um outro paciente, Wayne.

Discutia-se a Centúria VI-10: “Un peu de temps les temples de couleurs / de blanc et noir des deux entremeslée; / rouges & jaunes leur embleront les leurs / sang, terre, peste, faim, feu d´eau affollée” Roberts diz que “depois de um período de muita luta, todas as raças do mundo deixarão de lado os preconceitos e serão uma só”. Cheetham não arrisca dizer nada.

Eis o que diz Nostradamus, via Wayne:

“Isso tem a ver com a situação nos Estados Unidos, com grande parte de suas terras sendo conquistadas por outros países. Num curto período de tempo, será muito semelhante a uma execução de hipoteca, e os conquistadores exigirão o que lhes pertence. Os investimentos estrangeiros neste período de tempo têm sido, e ainda são, imensos. Não estou recebendo uma época específica, mas logo será como se o dinheiro não fosse satisfatório como pagamento por propriedades, construções, e eles exigirão mais bens do que a moeda sem valor”. E esclareceu que tipos de bens: “Terras, propriedades, linhas aéreas, cidades, construções”. “O negro e o branco irão lutar lado a lado, unidos por uma causa comum”.

E, curiosamente, revela que algumas quadras se referem a Bush (o pai? O filho?) como a “raposa” porque é esperto, manipula as pessoas, fez tudo o que tinha de fazer para chegar onde está agora. Que ele é “pacato como uma raposa”, discreto e quase invisível, e que não está pensando nitidamente sobre o quadro geral e, portanto, “o povo dos Estados Unidos irá sofrer em conseqüências  de seus atos. Infelizmente, algo poderá acontecer, mais depressa do que se imagina”. E completa: “O que Bush está tentando realizar realmente surtirá efeitos nocivos aos Estados Unidos porque, em última instância, estará afetando os direitos constitucionais”.   

 



Escrito por J.Celso às 18h12
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Mudanças pra complicar

 

Na língua portuguesa, havia alguns prefixos (em rigor, elementos prefixo-radicais) que não admitiam hífen. Em todos os países lusófonos.

 

Aí, resolveram unificar a língua e acordaram uma propalada (e muitas vezes adiada) Reforma Ortográfica para que todos escrevessem da mesma forma, ainda que continuassem pronunciando de forma diferente e, sobretudo, dando emprego distinto a palavras iguais.

 

Bicha em Portugal vai continua sendo nossa fila, qualquer menino vai continuar sendo puto lá, e qualquer moiçola, rapariga.

 

Tranqüilo e lingüiça perdem o trema; vôo e abençôo perdem o circunflexo; idéia e jibóia deixam de ser acentuadas; etc.

 

Como “se é possível complicar, para que simplificar?”, com a tal reforma, palavras que se escreviam iguaizinhas em todos os países, vão continuar sendo escritas igual, mas de forma diferente.

 

É que os gênios da língua acharam por bem introduzir hífen em palavras que não o tinham: micro-ondas, áudio-operador, vídeo-operador, tele-educação, multi-infectado, ...

 

Durma-se com uma reforma dessas.....

 

Estão, com isso, afetando bem mais do que o linguajar comum, os livros e as gramáticas (a ABL tem que editar correndo um novo VOLP).

 

A metrologia vai sofrer conseqüências, porque uma de suas regras básicas é que os prefixos (decimais) são justapostos ao símbolo da grandeza (kg, kΩ, μA, GA, MHz, ....), bem como ao nome dessas grandeza ao se usar o nome do prefixo (e não seu símbolo).

 

Teremos de escrever  quilo-ohms, mega-ampères  e que tais.   

 

 



Escrito por J.Celso às 23h18
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