Vai-se um outro pedacinho
Em agosto de 2007, escrevi:
"Vai-se mais um pedacinho original meu, sem estepe nem reparo. Amanhã, meu menisco medial do joelho esquerdo vai ser “videoartroscopiado” e, provavelmente, jogado na lata de algum lixo hospitalar."
Dia 06/12, será o direito, que vem me incomodando bastante há dois meses e meio. Mesmo tempo de uso e desgaste que o esquerdo. Nada mais previsível.
Quando, em abril do ano passado, tive que ser operado duas vezes em curto espaço de tempo, fiz um apelo patético que restou em vão. Esta próxima será a quarta cirurgia em menos de dois anos, e meu processo no STF não se resolve. Vez por outra dá a paranóia de que não vou usufruir o resultado. Será para as herdeiras. Que façam bom uso.
Há um brocardo antigo, variante de outro mais conhecido, segundo o qual "a justiça quando tarda, já falha". Por outro lado, acredito na justiça divina. Quem sabe, eu não estou pronto para gozar do resultado. Ou não haja feito por merecer. A verdade é que, em vez de "mais uma pomba despertada mal raia sangüínea e fresca a madrugada", vai-se mais um ano, entrando no terceiro, numa expectativa / anisedade desagrável. Mesmo porque cabeça de juiz é sempre uma incógnita, acabo de passar por isso em outro caso.
Suponho que não terei ânimo ou condições físicas de ficar blogado ou blogando logo após a cirurgia, e se eu já não venho todo dia (às vezes, nem toda semana), talvez só volte a campo depois do Natal. Ou depois do Ano Novo.
Esperem que pretendo voltar!
Escrito por J.Celso às 09h11
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O Brasil visto pelos (maus?) brasileiros
As classes menos favorecidas (notadamente, a média) não se cansam de revelar sua ojeriza ao atual presidente, manifestando-a de várias formas. Já escrevi algumas vezes que também não estou satisfeito e que me frustrei, tanto quanto me frustrara com Sarney (Plano Cruzado) e com FHC. Cada uma em sua época. Não me frustrei com Collor porque jamais ele me inspirara confiança, mas dos que apostaram nele suas fichas, desconfio, pouquíssimos ficaram satisfeitos. E se formos ver pra trás, teve o Jânio, em 1960. Portanto, não constitui novidade no Brasil que os eleitores, principalmente, se frustrem com os eleitos em quem votaram ou ajudaram a eleger. Diariamente, recebo (até mais de uma vez) piadas, charges, gozações com Lula, algumas já conhecidas com Dutra, Costa e Silva, Figueiredo, Itamar, ...já afirmara Chico Anysio que só existem 100 piadas no mundo; o resto é repetição ou variação. Apago após ler (se já repetida, sem nem abrir). Estranha morbidez martirizar-se com isso. Os tucanos e os democratas, pelo menos, aspiram ao poder. O que me causa maior surpresa é constatar que muitos estão aderindo ao “quanto pior melhor”. Querem, torcem, para que a crise financeira mundial atropele o país, faça de nós um Estados Unidos piorado (muitos que moram lá reclamam que o noticiário não divulga nem 10% de como a coisa tá preta). Não seja somente uma marola (quanto maior o tsunami, melhor) pois o Lula é o culpado. Escrevi uma mensagem para Barack Obama, dia 09/11, mais ou menos nestes termos (no meu inglês macarrônico): “Senhor Presidente: Em meu nome, por favor, não desaponte o Mundo! Nós, aqui no Brasil, tivemos alguns recentes problemas com políticos que mudaram, depois, frustrando seus eleitores, matando toda a esperança e confiança.. O Mundo não aceitaria ou entenderia se o Sr. Barack Obama fracassasse.... O Senhor é a nossa última e grande oportunidade para termos paz e progresso. Best wishes, João Celso Neto, Brasília- DF/Brazil (advogado e cidadão)”
No mesmo dia 09, recebi isto: “Dear Friend,
Thank you for contacting President-elect Barack Obama and Obama for America. Barack greatly appreciates the outpouring of messages he is receiving from across the country and from Americans around the world. He is deeply honored by the confidence the American people have placed in him and in Vice President-elect Biden.” Não me iludo, sei tratar-se de uma resposta padrão e automática. Mas ..... Alguém sabe de algum político brasileiro que envie mensagens individuais a cada eleitor ou cabo eleitoral seu? Barack Obama enviou a cada um dos cerca de 200 mil voluntários de sua campanha. Os teor, certamente, era o mesmo, porém quem trabalhou e torceu por ele entende apenas que recebeu um e-mail de seu candidato, uma vez vitorioso: “I'm about to head to Grant Park to talk to everyone gathered there, but I wanted to write to you first. We just made history. And I don't want you to forget how we did it. You made history every single day during this campaign -- every day you knocked on doors, made a donation, or talked to your family, friends, and neighbors about why you believe it's time for change. I want to thank all of you who gave your time, talent, and passion to this campaign. We have a lot of work to do to get our country back on track, and I'll be in touch soon about what comes next. But I want to be very clear about one thing... All of this happened because of you. Thank you, Barack” (Tuesday, November 04, 2008 10:04 PM) Temos muito o que aprender, principalmente a escolher melhor os políticos que vão nos representar no Congresso ou vão governar, com muito mais atenção e critério do que o adotado quando se escolhe um síndico de prédio ou presidente de clube.
Escrito por J.Celso às 22h27
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