Não sou nenhuma unanimidade
Pois é, vida de palpiteiro tem suas horas de contestação. No último domingo, 12/4, Jus Navigandi divulgou mais um artigo meu. Como sempre, a reação foi imediata com a chegada de e-mails a respeito. A penetração de Jus Navigandi me impressiona cada dia mais. Há cerca de um ano, horas depois de sair um texto meu sobre a (breve) história da aposentadoria especial no Brasil, recebi um convite para dar entrevista ao vivo na Rádio Justiça do STF. Mais recentemente, talvez como conseqüência direta de vários artigos sobre o tema, fui também convidado para dar outra entrevista, desta vez para uma revista de “alto coturno” (que ainda não se confirmou). Neste espaço, quem me lê sabe, digo o que penso (já me critiquei pelo título dado ao blog: deveria ter sido batizado de “escrevendo” o que penso). E, a mim parece lógico, devo dizer o que EU penso, em vez de apenas repetir o que os outros pensam e dizem, OU dizer somente o que seja agradável de ler ou ouvir. Não ganho nada sendo gentil. Fosse eu um advogado padrão, quem sabe, daria força a qualquer pretensão, por mais absurda ou improvável de êxito que seja. Ao contrário, desaconselho a litigar as causas que me parecem imerecidas ou discutíveis. Por isso, também, raramente sou pioneiro em postulações, somente entrando no barco quando a jurisprudência já me pareceu consolidada (a exceção foi a questão dos expurgos no FGTS e seus reflexos na justiça do trabalho, em que praticamente inovei). Voltando ao recente artigo, de 12/4, recebi uma mensagem de uma pessoa que não entendeu o espírito da coisa ou, o que é mais provável, não concorda uma vírgula com o que eu digo. Nesse segundo caso, a solução, a meu ver, é escrever, ela, outro artigo e submetê-lo a um portal jurídico, questionando e contraditando cada palavra minha. Essa foi a recomendação que sempre dei a quem diverge de meu pensar ou modo de entender / interpretar. Na primeira hipótese, não precisava ter se dado ao trabalho de me escrever, bastando classificar meu texto como “horrível”, “insuportável”,”péssimo”, "ilógico", "obscuro" ou coisa que o valha. Uma terceira opção seria escrever ao editor de Jus Navigandi recomendando maior rigor ou critério na seleção dos textos a serem publicados (já tive textos recusados por eles). Não sei dizer exatamente, mas creio já ser cerca de 20 ou 30 a quantidade de artigos que JN publicou de minha autoria, na pomposa e honrosa categoria de “doutrina” (eu que comento tanto que não há mais doutrinadores no país). Essa pessoa se mostrou revoltada com o que eu escrevi. Respeito sua posição, e recebi sua crítica com equilíbrio e sem réplica (aliás, se ela escrever algo contrário ou “respondendo” ao que escrevi, não treplicarei). Está aí a beleza do Direito e da liberdade de expressão.
Escrito por J.Celso às 11h36
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