Um gordo e sua aceitação
Nunca fui propriamente magro, posso jamais ter chegado a balofo, porém sempre tive uma camada razoável de gordura a queimar. Quando tive meu infarto, aos 38 anos, cheguei a pesar 78 kg ao fim de 3 meses de licença médica, durante os quais segui uma dieta rígida de restrições. Também havia o medo do que poderia resultar de um excesso ou outro. Um fato é que eu achava que tinha facilidade de emagrecer quando quisesse, bastando me privar de certas comidas e bebidas que o cinto folgava. Concluí que o metabolismo muda com o tempo ou a idade. De repente, observei que já não emagrecia mais quando queria. Ou emagrecia menos do que o desejado ou necessário. Aos 64 anos, comecei uma dieta prescrita por endocrinologista, que não sei o quanto se destina a combater ou controlar o diabetes e o quanto é para diminuir de peso ou a massa corporal (ou somente para isso).. Em 4 meses, perdi, aproximadamente, 10 kg. E sem aparente reflexo na pelanca que, às vezes, se dobra na barriga, pescoço ou braços de um emagrecimento mais rápido. Ainda não será desta vez que uma plástica se fará necessária, se vaidoso a tal ponto eu fosse. Começo, por outro lado, a recear que aos poucos eu vá relaxando, e deixando de ser estrito ao que diz a dieta. Já me flagro comendo mais amiúde (embora frutas) entre uma refeição e outra, bem como tem ocorrido de não poder deixar de sair um pouquinho dela, por fatores alheios à minha vontade ou nem tanto. Na última terça-feira, por exemplo, naquela viagem ao Rio (Unesa), o almoço foi frugal, porém a bordo da Gol, a caminho do Rio, não resisti a um biscoitinho, posto que haja optado por água para evitar um refrigerante ainda que zero. No regresso, na quarta, creio que foi um polenguinho que me tirou do sério. Por oportuno, sabe-se que o povo do Rio de Janeiro é gentil e hospitaleiro, o que fazia contar com uma boa acolhida nas duas apresentações feitas. Porém devo confessar que superou a expectativa, com aplauso “em cena aberta” e uma fila de cumprimentos e de autógrafos. É, minha primeiríssima experiência como uma espécie de “professor universitário” foi boa, animadora, talvez, por menos que eu pretenda assumir compromissos desse tipo, porque, calejado, sei o quanto me preocupa a responsabilidade de ensinar. Já escrevi há muitos anos “não nasci pra professor”. Ao chegar a Brasília, tinha uma sessão de julgamento no TRF1. Nela, fiz uma sustentação oral que pode ter contribuído (ou teria sido desnecessária?) para obter mais uma vitória (eu representava a Apelada). Devo admitir, por outro lado, que a matéria em discussão, objeto da ação em que patrocino a Autora em desfavor da União, é bem discutida e com jurisprudência favorável, que eu levara à colação já na Inicial. Em face disso, pelo visto, a Turma resolver reduzir meus honorários de sucumbência à metade....
Escrito por J.Celso às 10h37
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