Outra despedida precoce
Foi-se mais um “bom”, daqueles que faziam a caridade cristã anonimamente. Tive ocasião se ser seu subordinado durante uns dois ou três anos, e nele encontrei apoio e estímulo, num momento em que havia quem torcesse contra. Um dia, em conversa informal, me perguntou se eu sabia por que fora lotado na Divisão Comercial (que ele chefiava), sendo eu um engenheiro eletrônico com quase 24 anos lidando exclusivamente com a parte técnica, (área de transmissão) e vindo de uma experiência administrativa na Administração Pública Direta (Ministério da Justiça). Estava estudando Direito (portanto, pouco ou nada a ver com comercialização de serviços). Não sabia dizer; acreditava que fosse onde cabia (vaga) mais uma pessoa, se bem que os que lá estavam davam conta do recado com sobras. Ele me deu outro, como o motivo: me mandar fazer algo que eu potencialmente não sabia fazer (não tinha experiência) e patentear minha incompetência, quem sabe para justificar uma demissão. Acho que quem pensava assim quebrou a cara, pois vesti a camisa, mostrei versatilidade, executei a tarefa com destemor e acerto. Tornei-me uma referência, em certa medida, chamado a integrar grupos de trabalhos de âmbito nacional e até coordenar alguns deles. Josias Joaquim de Faria passou de um ex-chefe a uma amigo (além de cliente, pois lhe advoguei duas ações, uma concluída há mais de um ano e outra, espero, próxima do fim). Pessoas como ele desaparecem de repente, nos fins de semana, quando fica mais difícil levar a notícia do falecimento a todos os que gostariam de levar-lhe sua última homenagem. Contudo, a quantidade de amigos e irmãos de fé, ex-colegas, ex-subordinados e ex-chefes foi significativa. Ele era, de fato, e em toda extensão, uma pessoa querida. Eis o que eu queria ter dito ontem, em seu velório: “Dignai-vos, ó meu Deus, de acolher, benévolo, a prece que vos dirijo pelo Espírito de Josias. Fazei-lhe entrever as claridades divinas e tornar-lhe fácil o caminho da felicidade eterna. Permiti que os bons Espírito lhe levem essas palavras, este meu pensamento. Tu, Josias, que tão caro nos eras, neste mundo, ouve o que te digo. Permitiu o Pai que te libertasses , ainda tão cedo, antes de mim e de outros mais idosos. Queixar-se disso, seria uma prova de egoísmo, porquanto seria querer que tu permanecesses mais tempo ainda sujeito às penas e sofrimentos da vida que continuam nos afetando e desafiando. Tua missão de resgate e aperfeiçoamento espiritual, certamente, estava cumprida. Deixaste bons exemplos e uma família criada, que guardará de ti as melhores lembranças. Como em mim e em muitos outros, amigos e admiradores que garimpaste neste existência. Fica esse nosso mundo mais pobre com tua partida, e tua falta se fará sentir em cada um daqueles a quem ajudavas com abnegação e cristandade.”
Escrito por J.Celso às 13h07
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