Falando o que penso


Ah meus tempos! parte III (final)

Nunca neguei a importância dos governos militares, principalmente dos de Castello e  Costa e Silva, para a consolidação da Embratel e o ressurgimento das telecomunicações brasileiras.

 

Deploro, por outro lado, o de Geisel, primeira grande pá de cal no chamado STB. Foi ali que o FNT deixou de ser voltado para o setor, e passou a ser desviado para o dito "fundão" criado pelo Min. Reis Velloso. Além de se proibir o reinvestimento de suas próprias receitas: as operadoras tinham que transferir seus lucros para a holding. Com isso, a Embratel financiava as Telaimas e Telerons, além de cobrir os déficiits de Telerj e outras igualmente mal geridas.

 

Pode-se constatar, nos Orçamentos Gerais da União (OGU), que as dotações consignadas (ou seja, a aplicação de verba pública anual) eram ZERO, em todos os anos, de 1975 a 1997, quando parei de acompanhar.

 

Uma noite, na Câmara dos Deputados, o deputado gaúcho Ibsen Pinheiro era seu presidente, na inauguração de um stand da Embratel, presentes seus diretores, comentei esse fato de o setor não depender de verba pública orçamentária.

 

Ibsen Pinheiro olhou meio de lado como quem se surpreendia com aquela minha afirmativa. E eu fui rapidamente afastado, levado pra longe, pois não se podia confiar no que eu pudesse pensar ou dizer a mais e que não lhes convinha.

 

Em 1980, elaborei um texto e o propus para ser apresentado no Intelcom 80-Rio. A diretoria da Embratel não deixou que eu o apresentasse no Rio, em maio, e os organizadores do evento me pediram autorização para incluí-lo no evento seguinte, em novembro (Los Angeles). Ao qual, obviamente, não fui autorizado a comparecer (menos uma dívida de gratidão).

 

Naquele texto, eu contei a história das telecomunicações no Brasil desde D. Pedro II, destacando o pioneirismo mundial em muitos setores - radiodifusão, inclusive -, a crise vivida durante cerca de 30 ou 40 anos de acomodação e retrocesso / estagnação (durante esse tempo, eram os militares que se destacavam até na CTB) e o renascimento a partir de 1965, descrevendo a epopéia da construção do SNT de que, com orgulho, fiz parte, atolando em muita lama e engolindo muita poeira.

Resumindo, a (re)privatização das empresas de telecomunicações em 1998, governo FHC, foi uma medida política que não trouxe maiores vantagens do que as que se poderia obter, simplesmente, voltando ao status quo ante 1974.

 

Mas pode ter enchido o bolso de muita gente que nada entendia de telecomunicações e, por outro lado, dos aproveitadores de sempre, aqueles que chamo de proxenetas das telecomunicações brasileiras.

 

Não sei se é verdade, mas ouvi dizer, em 1998 ou 1999, que o presidente da Telefonica recebia 180 mil reais por mês de salário. Arre égua!!!

 

 



Escrito por J.Celso às 20h24
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Meu tempo, parte II

Um dos meus últimos chefes na Embratel, e disparadamente o pior que tive, disse (não sei se soltou sem querer ou queria mesmo dar o recado)  que minha experiência na UIT / CCITT e o prestígio adquirido com isso, notadamente perante a Telebrás, me fazia indesejável.

 

Que eu fosse procurar novos caminhos, pois  eu não tinha como permanecer na divisão de engenharia que ele chefiava. Tirou-me todos os encargos que as chefias anteriores ma haviam confiado ou atribuído, quase me leva à loucura com o ócio, regozijou-se com minha saída.

 

É que eu estava escrevendo muitos textos técnicos (que eram aceitos e publicados, davam retorno e, para alguns, me transformavam em especialista) e sendo convidado a proferir palestras ou coordenar grupos de trabalho, em abrangência cada vez maior. Integrava grupos de trabalho por correspondência no CCITT, a convite.

 

Recebia muitas mensagens (não havia e–mail, ou não era ainda tão popular – eu não tinha nenhum) via fax, sendo chamado a participar de eventos nacionais e internacionais, pondo em cheque a sagrada lei do "santo de casa não faz milagre".

 

Mais de uma vez, recebia ligações de Genebra ou outras origens. Era autorizado a fazer ligações telefônicas internacionais e também a mandar telex internacionais,

coisas que, acho, nem o Sup CO podia fazer (havia disso sim).

 

Eu procurava não me vangloriar ou abusar, restringindo-me ao mínimo, ou a receber os telefonemas. Para retornar, quando necessário, ia ao prédio da Telebrás, onde

a vigilância e o despeito / inveja não eram tão ostensivos.

 

No momento em que a Telebrás me indicou para ser o coordenador técnico de um seminário internacional realizado em Brasília (CNTr-TB, 1991) - en passant. a partir de uma sugestão minha, aproveitando que estariam aqui algumas das mais importantes autoridades do SG XII / CCITT), também em decorrência de uma idéia que tive em Genebra, durante uma reunião daquele grupo de estudos, prontamente apoiada pela TB e, pasme, pelo Diretor Geral do CCITT, Mr. Theodor. Irmer - passei a correr o risco ou a ser o risco.

 

Em tempo: o evento transcorreu com absoluto êxito, reconhecido por todos (ingleses, franceses, italianos, o pessoal da UIT - nenhum suíço -, .....), e dele lembro-me

do sucesso que foi uma apresentação do colega José Luiz Lobo Rodrigues, a quem convidei de improviso, numa emergência..

 

Um dos principais engenheiros presentes, Mr. Giorgy Lajtha (húngaro) antigo chairman do SpC (ou teria sido do SpD?) e do SG XVI, citou meu nome em artigo que publicou sobre o evento - disse ele que eu fora a principal razão do êxito alcançado. Exagero, gentileza ou gratidão.

 

Claro que subiu a inveja onde já existia, e surgiu onde ainda faltava.

 

O texto do Virgílio, alguém me mandou há umas duas ou três semanas (acho que Adalberto Castello Branco). Há alguns senões ou erros dele, por exemplo:

"5. Quando entrei para a Telesp, o Brasil todo tinha 3 sistemas de micro-ondas – um ligando o Rio a São Paulo, outro ligando São Paulo a Campinas e um terceiro ligando o Rio a Brasília.

 

Virgílio fora engenheiro da Embratel em 1969 ou 1970, e diz no item 4 "Quando entrei na Telesp, subsidiária da Telebrás em São Paulo, em 1973....".

Ora, naquela época (1973), a Embratel já implantara praticamente toda sua malha básica terrestre do Sistema Nacional de Telecomunicações (SNT), e já existia o cabo submarino Bracan, por exemplo.

No item 6, Virgílio Freire comete outro pequeno deslize. O FNT – Fundo Nacional de Telecomunicações foi criado quando da aprovação do Código Brasileiro de Telecomunicações, art. 51. da Lei nº. 4.117/1962 (governo João Goulart|), que também criou o Contel – Conselho Nacional de Telecomunicações e, creio, o Dentel – Departamento Nacional de Telecomunicações (para servir como Secretaria Executiva do Contel, art. 25 daquela lei).

 



Escrito por J.Celso às 20h17
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As telecomunicações brasileiras e meu tempo nela - parte I

 

Um tanto inexplicavelmente, o pessoal das telecomunicações sempre foi do tipo “técnico puro”, e são raros aqueles que vêm a público dizer o que pensam ou como pensam.

 

Ocorrem-me, no momento, dentre os que abraçaram para a carreira política, Arolde de Oliveira (dizem que mais pelo eleitorado evangélico), Jorge Bittar e Walter Pinheiro. Pode ser que haja outros.

 

Isso pode ser ainda mais um resquício dos governos militares, quando a maior credencial para assumir cargos de direção era ter vestido a farda, e eles são rigorosos na obediência à hierarquia, na base do “manda quem pode e obedece quem tem juízo”. Passando para a “reserva”, ficam na moita.

 

Não se vê, amiúde, pronunciamentos de quem foi autoridade naqueles tempos.

 

Recentemente, contudo, andou circulando pela internet (recebi de umas três ou quatro pessoas) um “manifesto” do Gilberto G. Garbi e agora outro do Virgilio Freire.

 

Não sei se sou mais suspeito, ou menos, do que Virgilio, por exemplo, para dar pitacos.

 

Ainda enquanto na ativa (antes de me aposentar e dar baixa no Crea), e mesmo antecipando-me à concorrência (que eu entendia benéfica), preguei no deserto a favor de outro  modus faciendi, da Embratel em particular, que afastasse, mais que qualquer outra coisa, a prática de endeusar ou entronizar pessoas menos capacitadas, para não fazerem sombra ou ameaçarem o comando dos de sempre.

 

Em vigor, o emprego da chamada Lei de Parkinson.

 

O exemplo vinha de cima, e alguns que não tinham competência (no sentido de saber fazer) para muita coisa, eram escolhidos para os postos de chefia.

 

Será que ali atrapalhariam menos? não creio que fosse esse o objetivo, pelo menos na maioria dos casos, podendo ser apenas nos das exceções que confirmavam a regra.

 

Nós, os mais antigos, conhecemos dezenas de casos. Não vou citar nenhum nome. Fomos subordinados a diversos deles. No começo, anos 60 e começo dos 70, er militar era a credencial bastante. Ou o requisito essencial. Ninguém mais merecia confiança.

 

Com isso, muitos profissionais “civis”, por maior que fosse a capacidade, iam ficando encobertos, postos para escanteio, impedidos de aparecer, pois poderiam, inesperada e indesejavelmente, brilhar, se destacar, ser parâmetro ou paradigma, referencial.

 

Para um “paisano” ocupar a chefia de um departamento, ser assessor de diretoria e, principalmente, ser diretor, era necessário que fosse quase uma besta batizada, ou servil.

 

Também conheci (e acho que todos conhecemos) algumas centenas desses.

 

Talvez nem fosse o caso de se promover os puxa-sacos ou o carreiristas, aqueles que seriam capazes de dar os dois braços ou entregar a mãe por um espaço

privilegiado . Bastava ser claramente um medíocre, um sem futuro, sem maior ambição.

 

Testemunhei situações em que a regra era "não se corram riscos" Um conhecido, a posteriori, relatou uma discussão na diretoria a que esteve presente, enquanto era assessor e estava interinamente atuando como diretor. Desconfio que eu passei por tais situações.

 



Escrito por J.Celso às 20h09
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Atualizando atrasado

 

De repente, já estamos no fim da metade do ano. Sem nos darmos conta, vai-se 2009.

 

E conseguimos sobreviver, mesmo com tudo o que está acontecendo no Brasil e no mundo. Inclusive, a lentidão do Judiciário, que adia muitas justiças. Alguém (Ruy?) já disse que “quando a Justiça tarda, já falha”.

 

Tenho um processo (de extrema “repercussão pessoal”) parado há quase 3 anos no STF. Uma vez ou outra me pergunto se ele não sumiu em meio aos trocentos volumes dos autos do Mensalão, tão mirradinho é ele, com menos de 150 páginas.

 

Outro, igualmente de repercussão pessoal, foi julgado em maio, mas sequer já saiu publicado o Acórdão, para iniciar-se o prazo recursal (temo que, apesar dos compromissos assumidos pelo Advogado-Geral da União junto ao Presidente do CNJ, vai ser interposto REsp).

 

Sem falar naqueles outros que estão para ser sentenciados há mais de 3 anos (não sei se os juízes entendem que, antecipada a tutela, a pressa acabou).

 

Ontem, graças a Deus, mais um chegou ao fim, com seu trânsito em julgado, o prazo recursal tendo transcorrido in albis para a outra parte.

 

A saúde vai bem, obrigado, com a barriga diminuindo, mais e mais, a cada dia de dieta. Os cintos já não têm onde fazer furo novo. As calças e bermudas (inclusive as mais novas, compradas depois do carnaval) saem do corpo sem precisar desapertar o cinto. Quando setembro chegar, vou saber quantos quilos perdi desde maio (recuso-me a antecipar a surpresa). Quanto à úlcera, vou ficar sabendo de sua regressão um mês antes, no começo de agosto (nova videoendoscopia digestiva alta – VEDA). A diabetes tipo 2 vai ficando controlada, embora a glicemia em jejum não esteja abaixo de 100, como seria desejado. A artrose ameaça voltar a dar sinal de vida, e eu não tive tempo, ainda, para ir ao médico. Nem para saber o resultado da polissonografia feita em 30 de maio.

 

A vida tem me trazido satisfações aos poucos. Na última semana, recebi exemplares da revista do TRF1 contendo um artigo de minha autoria sobre a questão de quanto tributar nas complementações de aposentadoria pagas pelas entidades privadas de previdência complementar (os fundos de pensão). Seria interessante que sua leitura fosse feita pelo relator de uma apelação cível interposta pela Fazenda Nacional, bem como pelos doutos juízes que ainda estão ruminando sem sentenciar.

 

Em breves dias (começo de julho), espero receber a Via Legal, do CFJ, que deve trazer uma entrevista comigo. Não é nada, não é nada, vai ver, não é nada mesmo.

 

Faltando tanto tempo, começo a me preocupar com as eleições de 2010. Não tenho em quem votar. Os candidatos que estão em campanha, francamente, nenhum deles vai receber meu voto. No tempo das ditaduras militares, pelo menos, nós eleitores estávamos sem culpa pela escolha.

 

Deus se apiede de nós, que não sabemos votar, como vaticinou Pelé!

 

 

 

 

 



Escrito por J.Celso às 10h59
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Um gordo e sua aceitação

 

Nunca fui propriamente magro, posso jamais ter chegado a balofo, porém sempre tive uma camada razoável de gordura a queimar.

 

Quando tive meu infarto, aos 38 anos, cheguei a pesar 78 kg ao fim de 3 meses de licença médica, durante os quais segui uma dieta rígida de restrições. Também havia o medo do que poderia resultar de um excesso ou outro.

 

Um fato é que eu achava que tinha facilidade de emagrecer quando quisesse, bastando me privar de certas comidas e bebidas que o cinto folgava. Concluí que o metabolismo muda com o tempo ou a idade. De repente, observei que já não emagrecia mais quando queria. Ou emagrecia menos do que o desejado ou necessário.

 

Aos 64 anos, comecei uma dieta prescrita por endocrinologista, que não sei o quanto se destina a combater ou controlar o diabetes e o quanto é para diminuir de peso ou a massa corporal (ou somente para isso).. Em 4 meses, perdi, aproximadamente, 10 kg. E sem aparente reflexo na pelanca que, às vezes, se dobra na barriga,  pescoço ou braços de um emagrecimento mais rápido. Ainda não será desta vez que uma plástica se fará necessária, se vaidoso a tal ponto eu fosse.

 

Começo, por outro lado, a recear que aos poucos eu vá relaxando, e deixando de ser estrito ao que diz a dieta. Já me flagro comendo mais amiúde (embora frutas) entre uma refeição e outra, bem como tem ocorrido de não poder deixar de sair um pouquinho dela, por fatores alheios à minha vontade ou nem tanto.

 

Na última terça-feira, por exemplo, naquela viagem ao Rio (Unesa), o almoço foi frugal, porém a bordo da Gol, a caminho do Rio, não resisti a um biscoitinho, posto que haja optado por água para evitar um refrigerante ainda que zero. No regresso, na quarta, creio que foi um polenguinho que me tirou do sério.

 

Por oportuno, sabe-se que o povo do Rio de Janeiro é gentil e hospitaleiro, o que fazia contar com uma boa acolhida nas duas apresentações feitas. Porém devo confessar que superou a expectativa, com aplauso “em cena aberta” e uma fila de cumprimentos  e de autógrafos.

 

É, minha primeiríssima experiência como uma espécie de “professor universitário” foi boa, animadora, talvez, por menos que eu pretenda assumir compromissos desse tipo, porque, calejado, sei o quanto me preocupa a responsabilidade de ensinar. Já escrevi há muitos anos “não nasci pra professor”.

 

Ao chegar a Brasília, tinha uma sessão de julgamento no TRF1. Nela, fiz uma sustentação oral que pode ter contribuído (ou teria sido desnecessária?) para obter mais uma vitória (eu representava a Apelada).

 

Devo admitir, por outro lado, que a matéria em discussão, objeto da ação em que patrocino a Autora em desfavor da União, é bem discutida e com jurisprudência favorável, que eu levara à colação já na Inicial. Em face disso, pelo visto, a Turma resolver reduzir meus honorários de sucumbência à metade....



Escrito por J.Celso às 10h37
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Há quem queira me escutar

 

Pois é, já comentei antes que vida de articulista tem seus bons momentos. Não se recebem só críticas.

 

Na próxima terça-feira, 26/5, vou ter a subida honra de estar na Unesa - Universiudade Estácio de Sá (Campus da Menezes Cortes, Rio de Janeiro) para falar sobre o Ensino Jurídico no Brasil (disciplina de Metodologia no Ensino de Direito, sob a responsabilidade da Profa.. Mara Haum) e também sobre Direito Previdenciário.

 

O convite decorreu de um texto meu publicado em Jus Navigandi há mais de 6 anos (nov/2002) que levou aquela professora  de MED a distribuí-lo a seus alunos, um dos quais é minha filha caçula, Dhenise.

 

Aproveitando a viagem, ofereci-me para abordar, em outro horário, o Direito Previdenciário, que talvez nem faça parte da grade curricular do curso de Direito daquela Faculdade.

 

Em uma  e na outra apresentação, fique claro, vou dizer o que eu penso a respeito, defendendo, quem sabe, algumas das minhas quixotadas. Proponho-me a debater e trocar idéias, sem querer impor as minhas.

 

Sobre o Direito Previdenciário, aliás, começo a desconfiar que, modestamente, já sou uma referência (por falta de outro?) doutrinária, particularmente, no que tange à aposentadoria especialJá dei uma entrevista ao vivo para a Rádio Justiça, do STF, e agora, no começo de junho, vou dar outra entrevista, desta vez para a Revista Via Legal, editada pelo Conselho da Justiça Federal. Não sei se ainda tenho algo novo a dizer, porém nem todos leram ou ouviram o que já expressei.

 

A revista “Insigne”, daqui de Brasília (não sei se ainda circula), publicou alguns dos meus textos sob o epíteto “Polêmica”, que não sei se era lisonjeiro ou depreciativo.

 

Vida que segue, Deus me ajude.

 

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Escrito por J.Celso às 17h26
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Fortaleza revisitada

 

 

Voltei no último dia 12 de Fortaleza, cidade que não visitava havia cerca de 15 anos. Foi uma viagem familiar e, sobretudo, sentimental.

 

O tempo todo, desde o dia 08 (sexta-feira), estive em casas de parentes e, principalmente, com eles, exceção feita de uma ida, na tarde da segunda-feira, ao Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, um espaço preservado e destinado a uma vista interessante. Talvez eu não haja dado sorte de ver tudo, porquanto muita coisa estava fechada (deveria abrir, quem sabe, à noite).

 

Junto a ele, em meio a um planetário, auditórios, cinemas, teatro, espaços multiuso e lojas, existe a Biblioteca Pública Menezes Pimentel, para onde fui em busca de livros do ou sobre Padre Antônio Tomás, o Príncipe dos Poetas Cearenses, falecido em 1941.

 

Descobri um único, de 1950, escrito por uma sobrinha dele. Li que ele deixou como disposição testamentária a proibição de ter sua obra impressa. Se nada mais tivesse acontecido de bom, essa ida à Biblioteca teria valido a viagem.

 

Encontrei o tal livro entre as Obras Raras, depois de procurar entre os poetas e os autores cearenses. Não são as obras completas (ver a vedação acima citada), mas uma homenagem da autora (Dinorá Tomás Ramos) ao tio falecido alguns anos antes. Contém expressiva amostra do que aquele célebre e emérito sonetista nos legou.

 

Avidamente, copiei dois deles, um para corrigir o que a memória traidora me fazia recitar e escrever (aqui mesmo, mais de uma vez, até) com alguns errinhos. Trata-se de seu mais famoso soneto, Contraste. E outro que andava meio esquecido, mas que me veio à mente na hora: O Palhaço era um dos que meu pai recitava sempre (aliás, gravei os dois ao ouvir tantas vezes).

 

“Ontem, via-se-lhe em casa a esposa morta

e a filhinha mais nova tão doente!

Hoje o empresário vem bater-lhe à porta

que a platéia o reclama impaciente.

 

Ao palco em breve surge ... pouco importa

o seu pesar àquela estranha gente....

E, ao som das ovações que os ares corta,

trejeita, e canta, e ri nervosamente.

 

Aos aplausos da turba ele trabalha

para esconder no manto em que se embuça

a cruciante angústia que o retalha.

 

No entanto, a dor cruel mais se lhe aguça

e, enquanto o lábio trêmulo gargalha,

dentro do peito o coração soluça”.

 

 

 



Escrito por J.Celso às 12h54
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É, a idade não perdoa. Foram os excessos cometidos

 

Em 1969, fiz uma bricadeira com Carlos Rubens de Lima Mesquita ("a gente paga por onde mais pecou") quando ele teve uma crise de hemorróidas.

Puxa! A cada dia uma nova surpresa.

 

Hoje, acordei bem, e, quando comecei a sentir uma dorzinha no lado direito (pensei até em apêndice), achei que ia passar logo, mas não passou.

 

Depois do almoço tive uma ânsia de vômito, pus pra fora uma parte do que ingerira (comida e bebida) e a dor foi aumentando, até que não aguentei mais e fui parar no SOS (Pronto Socorro perto de casa).

 

Após uma tomografia, descobri dois cálculos renais, um de cada lado. Um deles, eu já sabia existir desde a ecografia feita em janeiro; o do lado direito, desconfio, era a tal coisa “anecóica”, que se transformou em um cálculo de 2 mm. O do esquerdo, pelo visto, cresceu, e agora tem 5 mm.

 

A médica disse que estão, ambos, próximos de serem expelidos (haja dor para sair, suponho).

 

Resumo da tomografia: “litíase ureteral proximal associada a hidronefrose leve”, seja lá o que signifique isso, e “nefrolitíase renal” não associada à hidronefrose do outro lado (idem).

 

Tenho “flebólitos” na pelve, quem diria..

 

Porém fígado, baço, pâncreas, adrenais e vesícula biliar apresentam aspecto usual, com ausência de linfonodomegalias abdominais ou de retroperotoneais.

 

Ainda bem!

 

Cheguei em casa às 18h30, tendo um monte de remédios receitados para comprar e tomar. Faltava a última surpresa do dia: a resistência do chuveiro elétrico, penso eu, queimou, pois a água não esquentou. Agora, só amanhã para ver se foi isso mesmo, e consertar.

 

A dor passara com a medicação que tomei na veia enquanto aguardava o resultado da tomografia. Nem cheguei a coletar urina (não deu vontade).

 

Um dos remédios é para a hipótese de voltar a sentir dor, embora pelo menos outros dois sejam também para dor, dipirona e coisa que o valha. O quarto remédio é o velho inibidor da bomba de prótons que tomei quase 3 meses para a úlcera gástrica (faço uma terceira videoendoscopia digestiva alta – VEDA - no dia 22/4; era pra ter sido na sexta-feira , 17, mas o médico não pôde fazer, e adiou).

 

A máquina enferruja e ameaça apodrecer, mais e mais, a cada dia.

 

Será que já vivi o suficiente? E será que o Ministro-Relator no STF vai me permitir usufruir um pouco do que postulei em juízo?

 

 

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Escrito por J.Celso às 23h39
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Não sou nenhuma unanimidade

 

Pois é, vida de palpiteiro tem suas horas de contestação.

 

No último domingo, 12/4, Jus Navigandi divulgou mais um artigo meu. Como sempre, a reação foi imediata com a chegada de e-mails a respeito. A penetração de Jus Navigandi me impressiona cada dia mais.

 

Há cerca de um ano, horas depois de sair um texto meu sobre a (breve) história da aposentadoria especial no Brasil, recebi um convite para dar entrevista ao vivo na Rádio Justiça do STF.    Mais recentemente, talvez como conseqüência direta de vários artigos sobre o tema, fui também convidado para dar outra entrevista, desta vez para uma revista de “alto coturno” (que ainda não se confirmou).

 

Neste espaço, quem me lê sabe, digo o que penso (já me critiquei pelo título dado ao blog: deveria ter sido batizado de “escrevendo” o que penso). E, a mim parece lógico, devo dizer o que EU penso, em vez de apenas repetir o que os outros pensam e dizem, OU dizer somente o que seja agradável de ler ou ouvir.

 

Não ganho nada sendo gentil. Fosse eu um advogado padrão, quem sabe, daria força a qualquer pretensão, por mais absurda ou improvável de êxito que seja. Ao contrário, desaconselho a litigar as causas que me parecem imerecidas ou discutíveis. Por isso, também, raramente sou pioneiro em postulações, somente entrando no barco quando a jurisprudência já  me pareceu consolidada (a exceção foi a questão dos expurgos no FGTS e seus reflexos na justiça do trabalho, em que praticamente inovei).

 

Voltando ao recente artigo, de 12/4, recebi uma mensagem de uma pessoa que não entendeu o espírito da coisa ou, o que é mais provável, não concorda uma vírgula com o que eu digo. Nesse segundo caso, a solução, a meu ver, é escrever, ela, outro artigo e submetê-lo a um portal jurídico, questionando e contraditando cada palavra minha. Essa foi a recomendação que sempre dei a quem diverge de meu pensar ou modo de entender / interpretar.

 

Na primeira hipótese, não precisava ter se dado ao trabalho de me escrever, bastando classificar meu texto como “horrível”, “insuportável”,”péssimo”, "ilógico", "obscuro" ou  coisa que o valha. Uma terceira opção seria escrever ao editor de Jus Navigandi recomendando maior rigor ou critério na seleção dos textos a serem publicados (já tive textos recusados por eles).

 

Não sei dizer exatamente, mas creio já ser cerca de 20 ou 30 a quantidade de artigos que JN publicou de minha autoria, na pomposa e honrosa categoria de “doutrina” (eu que comento tanto que não há mais doutrinadores no país).

 

Essa pessoa se mostrou revoltada com o que eu escrevi. Respeito sua posição, e recebi sua crítica com equilíbrio e sem réplica (aliás, se ela escrever algo contrário ou “respondendo” ao que escrevi, não treplicarei). Está aí a beleza do Direito e da liberdade de expressão.

 

 



Escrito por J.Celso às 11h36
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Envelhecendo....

 

Aos 64 anos, sinto os efeitos da idade em vários aspectos.

 

A saúde está se deteriorando, exigindo tratamentos e remédios aos quais sempre fui arredio. Nem mesmo o fato de ser cardiopata desde os 38 anos (quando sofri meu infarto agudo – hoje, antigo – do miocárdio) me fazia tomar medicação.

 

Lembro-me que fui parando de tomá-la aos poucos, um dia por esquecimento e outros por vontade de testar se fazia falta. Sempre que voltava ao consultório do  médico - e ouvi-lo dizer que eu estava muito bem -, à pergunta “e os remédios?”, eu respondia: “aqueles que o senhor prescreveu” para ouvir dele “então continue tomando, que estão dando bom resultado” (isso há 26 anos).

 

Um dia, talvez dois anos depois, criei coragem e confessei que não tomava os remédios havia bem mais de 1 ano. Dr. Juan não perdeu a pose, e decretou “pode parar, porque não está fazendo diferença”.

 

É verdade que meu colesterol alto (ma non troppo) me leva a tomar remédios, já tendo experimentado uns quatro produtos, que produzem efeito redutor durante algum tempo. O último deixou de dar resultado há mais ou menos um ano. Estou apenas acabando com a caixa aberta (e que ia acabar a validade).

 

Desde 2007, contudo, descoberta a artrose que já me rendeu duas cirurgias nos meniscos mediais internos, fiquei sabendo que eu tinha uma úlcera (que nunca me incomodara muito), e uma diabetes mellitus tipo 2 (carência relativa de insulina) se instalara insidiosa. O cálculo renal é um detalhe passageiro e menor.

 

Ah e eu que pensara que meu mal maior era de outra ordem!

 

Repito que o único lucro recente foi com a operação de catarata (2007) que me permitiu abandonar os óculos que me acompanhavam desde a juventude.

 

Farei uma terceira videoendoscopia digestiva alta em breve. De acordo com o resultado, o gastroenterologista é capaz de querer me operar (não sei se vou concordar).

 

O endocrinologista, por sua vez, parece que está satisfeito com o tratamento que  fez minha glicemia pós-prandial – 2 h após o jantar - estar baixa (acabo de medir: 99). Em maio, farei uma medição da hemoglobina glicada. Ele disse que meu metabolismo é que estraga tudo, com o fígado produzindo muita glicose, inclusive enquanto durmo (ele atribui ao metabolismo também meu colesterol alto).

 

É, o que não tem remédio, remediado está.

 

  

 

 



Escrito por J.Celso às 21h56
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País de urubus

 

Vou voltar ao tema, provavelmente pela última vez.

 

Sou um assumidamente imbecil em assuntos econômicos, mas desconfio que ainda me resta um pouco de lógica.

 

Ouço e leio que o Brasil foi pro buraco porque o PIB do quarto trimestre de 2008 foi negativo. E que a marolinha imaginada pelo Lula virou um tsunami.

 

Quem protesta e se indigna com os fatos deve acreditar que a Economia é algo infinito, e que tem de crescer eternamente. Um país com um PIB de 1 trilhão de dólares americanos em determinado período/ano/exercício, se não crescer no ano seguinte é mau ou péssimo sinal, desgraça, retrocesso, má administração, etc.

 

Sempre estive com os dois pés atrás na tal globalização. Não posso conceber que um país, (Haiti, Mali, Armênia ou Casaquistão que seja) estruture sua economia exclusivamente em investimentos externos ou no comércio exterior (exportações). Seria pôr todos os ovos na mesma cesta.

 

Certamente, e não é de hoje, o Brasil age assim.

 

Já citei um gerente do Bemge da Presidente Vargas (prédio da Embratel) que afirmava que no dia em que um dos engenheiros da empresa quebrasse ou não quitasse / reformasse seu papagaio, em cascata, todos quebrariam, porque cada um avalizava o empréstimo de outro, e haveria o efeito dos vasos comunicantes.

 

Ora, quem errou (deve fazer uns 20 anos - um pouco mais ou um pouco menos -, quando se encontrou dinheiro fácil no FMI), apostando que o círculo de giz caucasiano seria eterno (países não vão à falência nem são executados; será?), não está mais no poder para responder, e, acomodado, abre falação para criticar e culpar o atual ocupante. Que, como sabido desde antes, não é exatamente um intelectual nem um financista, sendo principalmente, ou apenas, bom de palanque.

 

Um dos erros de Lula, talvez, tenha sido confiar o Banco Central a um Deputado Federal eleito pelo PSDB (teve de renunciar ao mandato antes de assumir – tê-lo-á vendido? -, ou seja, abriu mão da boquinha....). Porém não foi por essa razão que o mundo entrou em crise. Todos sabemos que foi mais ao Norte, o Big Brother republicano, que levou seu país e os demais à crise atual.

 

Está bem, estamos aqui, na terra tupiniquim e nos preocupa (ou deveria preocupar) mais que tudo o que se passa no nosso quintal.

 

Não vejo nenhum político ou comentarista econômico abrir a boca para analisar friamente NOSSA situação interna. Como está o povo, se está passando fome ou se está morrendo à míngua. Quem se arvora de sabichão ou de  palmatória (os Jabor e Miriam Leitão da vida) quer é Ibope e holofotes. E quanto mais criticar e espicaçar, melhor.

 

Estudei Estatística e Economia na ENE. Não esqueci tudo o que aprendi com Pardal e Dias Leite. Contudo, relativizo as coisas. Já comentei aqui que um investimento que fiz rendeu 200% em dois dias: apostei R$ 2,00 e ganhei R$ 6,00 na Lotofácil.

 

Espanto-me com a ênfase que a imprensa (com letra minúscula mesmo) dá às variações do mercado (esse guru e comandante imbatível, outra atitude que não entendo é submeter-se ao “rei” mercado) alarmando: o dólar subiu ou desceu 2 por cento. Vai-se ver, variou 1 centavo.

 

Numa visão macroeconômica, vá lá, pode resultar em algo expressivo, mas o povinho, o comum dos mortais, não vai sofrer com isso. E a tal alta ou baixa foi em relação a quê? à cotação de meia hora atrás? à cotação da abertura? à do fechamento da véspera?

 

Há cerca de um ano, o alarde foi que a Argentina e outros países sulamericanos teriam tido um desempenho muitíssimo melhor que o Brasil em determinado período (só ficáramos à frente do Haiti). Enquanto o Brasil tivera um PIB de 1 trilhão, a Argentina tivera de 200 bilhões.

 

No ano anterior, paradigma, o nosso PIB fora de 950 bilhões, por exemplo, e o da Argentina fora de 180.  LOGO, o nosso PIB crescera “apenas” uns 5%, enquanto o do nosso hermano crescera mais de 10%  

 

Ninguém se deu conta ou destacou que crescêramos 50 bilhões e eles 20.

 

Estou surdo de ouvir dizerem que estamos mal, vamos quebrar e sermos arrastado por um tsunami. O Brasil tem que ser (e é) maior que a crise e, mais ainda, do que o tal apavorante Mercado.

 

 

 



Escrito por J.Celso às 13h19
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Cada macaco no seu galho!!!!

 

Há certos assuntos que se tornam obrigatórios na conversa. Viram moda ou “o assunto”.

 

Por outro lado, parece que se exige a opinião de todos. Ninguém pode quedar silente ou se “omitir”.

 

Um terceiro aspecto que quero lembrar é a cobrança feita a governantes se esses não se manifestam ou se não vão in loco ver o que acontece. Mesmo que não haja o que ele, governante, fazer ali de mais útil (quem sabe, do palácio do governo poderia tomar iniciativas ou decisões mais relevantes ao caso).

 

Um parêntesis: na época das enchentes em Santa Catarina, cobrou-se a “omissão” do Presidente Lula em não ir lá, sobrevoar ou aterrissar nas áreas afetadas, mesmo que ali já tivesse ido, por exemplo, o Ministro que poderia liberar verbas ou ordenar ações. Que poderia o Presidente fazer? Solidarizar-se com os desabrigados?  Que de prático isso resultaria?

 

Isso me recorda um fato passado, quando uma tia minha era prefeita de um município que sofreu enchentes. Enquanto ela estava em terra ajudando as pessoas a saírem do sufoco, salvarem-se de eventuais afogamentos ou distribuindo roupas e mantimentos, um deputado cuja base eleitoral era a mesma (e era adversário local de minha tia) SOBREVOAVA a área em companhia do governador e soltava do ar bilhetinhos a seus correligionários dizendo que ali estava, tendo levado o governador, blá-blá-blá, ....

 

Em tempo: nenhuma verba estadual foi liberada (a prefeita era adversária política, não se deve esquecer), e somente os esforços físicos e as atitudes práticas teriam, e tiveram, alguma valia.

 

Pois bem, o caso do aborto eugênico da menina pernambucana. Legal foi, porque expressamente posto no CP como inimputável.

 

Não sei como eu agiria se uma filha minha tivesse sido estuprada e engravidado em idade tão tenra. Nunca fui de raciocinar “em tese”, porque sempre fui mais de reagir (e nem sempre logicamente, pois meu emocional costuma falar mais alto). Entra aí a questão religiosa, e o meu credo diz que nada acontece por acaso, temos dívidas a pagar ou resgatar, compromissos assumidos a priori.

 

A controvérsia começa com o arcebispo saindo de seu palácio arquiepiscopal (que conheci, em Olinda, ocupado por Padre Hélder Câmara, Paraninfo de minha turma ENE 67) para opinar sem ser instado a fazê-lo (agiu “de ofício”). Em seguida, na falta de assunto (será que foi o único aborto, eugênico ou não, realizado no dia ou na semana?), a imprensa sai a cata de opiniões de médicos, juristas, ministros – até o do Meio Ambiente foi entrevistado, e poderia ter se reservado a não dar palpite por ser judeu, por exemplo -, gente do povo e, por fim, o Presidente da República.

 

Como poucos, se alguém, apoiaram a excomunhão ou a intromissão daquela autoridade religiosa em assunto estranho à Igreja (e se a família fosse evangélica, judia, budista ou atéia?), não vejo razão maior para se dar tanto estardalhaço ao fato, e que acabou por envolver as relações internacionais, com a opinião do Vaticano e da CNBB condenando o que dissera o Presidente Lula (manchete do Correio Braziliense de hoje: “Vaticano e CNBB se opõem a Lula”).

 



Escrito por J.Celso às 13h27
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Voltando a Brasília

 

No dia 12 do mês passado, escrevi aqui:

 

“Às vezes, chego a me arrepender de ter e-mail. Se não bastasse, tenho bem meia-dúzia deles, e divulguei-os a todos os amigos, conhecidos, ex-colegas, imaginando que seria uma maneira de nos comunicarmos amiúde.

 

Não pensei que serviriam para o re-encaminhamento “automático” de tanta mensagem. Como o círculo de amigos ou ex-colegas é finito, quase sempre recebo de todos a mesma coisa (cada um que recebe me retransmite, pelo visto), isto é, recebo quatro ou cinco vezes a mesma mensagem.

 

E tome de apagar mensagens repetidas. Porém, antes de apagar, vejo-me levado a ler, para confirmar que é a mesma coisa.”

 

Não deu outra: é bem verdade que nem todos ficaram sabendo que eu viajaria, e são menos ainda os que leem o que escrevo neste blog (quem manda não ler meu blog, onde a viagem foi anunciada?).

 

O fato é que, em doze dias, chegaram mais de 300 e-mails. Somente em um deles, foram 150. Destes, uns 120 enviados pela mesma pessoa (havia, talvez, menos de 10 que tivessem algum interesse para mim; uns 5 eram repetição de outros, inclusive, enviados antes por ele mesmo). Contrariando meus hábitos, deletei sem sequer abrir uns 80. Eram o re-encaminhamento de matérias conhecidas, como falar mal do Lula ou elogiar Jarbas Vasconcelos (ESSE NOVO MUSO) que não me engana. Há muito tempo que concluí ser ele um a mais na fauna do Congresso, apenas ambicioso e ávido por poder e aparecer.

 

Devo louvar dois que normalmente me encaminham dezenas de mensagens, e que não enviaram uma sequer naquele meu afastamento e distância da internet? Katia e Mauro, obrigado.

 

Felizmente, não perdi nenhum prazo processual, o que me apavorava pudesse acontecer. Em 2000, embora fosse ficar 40 dias fora, substabeleci poderes para a eventualidade de ser necessário atuar. Graças a Deus não houve necessidade, ainda que o substabelecido haja juntado o termo aos autos no dia seguinte.

 

Em contrapartida, nada andou significativamente. Nem mesmo uma sentença conhecida desde o final de janeiro foi publicada (saiu ontem a publicação). Os processos que estão no fim, na fase de cumprimento (a antiga execução), também não caminharam. Os cinco ou seis recursos (sou pelo recorrido / apelado), igualmente, dormem em prateleiras ou à espera de despacho.

 

E, por último, aqueles outros cerca de dez processos que esperam a prolação de sentença ou a decisão monocrática do Relator também quedam inertes, dois deles há mais de dois anos, quase três (“conclusos”, é o que diz o acompanhamento processual na internet).

 

Coitado de mim - já lamentei isso antes - com as Cortes Superiores, onde minhas causas demoram anos para serem julgadas, despidas de repercussão geral, malgrado a natureza alimentícia e a prioridade na tramitação por implemento de idade. Cada vez que alguém se oferece para pedir preferência (há disso sim), agradeço e peço para não fazê-lo. Estou me convencendo que, se estava na vez, volta para o fim da pilha....



Escrito por J.Celso às 19h40
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Paixões e nem tanto...

 

Se fui, talvez, precoce em matéria de literatura ou artes (aos 8 anos frequentava saraus e recitais, enquanto aos 12 era sonoplasta, cenógrafo e contrarregra de teatro não escolar), fui um tanto retardado em matéria amorosa.

 

Aos 11 ou 12 anos, tive uma paixonite, que não sei mais explicar, pela irmã de uma atriz de uma peça cujos ensaios eu acompanhava. Não durou muito mais do que o tempo em que esteve em cartaz a peça (Cândida, de Bernard Shaw; meu tio era o ator principal, tendo ganho o prêmio de melhor ator, em um festival no Recife).

 

Somente aos 17 ou 18, fui ter outra paixão, essa já mais amadurecida, por uma moça um pouco mais nova que eu. Desconfio que errei na estratégia de me tornar amigo de seus pais como forma de ir toda noite à casa deles. Não deu resultado, nunca namoramos sequer. De tanto que eu gostava dela, e como seus pais – toda donzela tem um pai que é uma fera -, confiassem inteiramente em mim, acompanhei-a algumas vezes para ela encontrar um namorado que seus pais não aprovavam.

 

Anos mais tarde, apaixonei-me por outra moça. Com essa, cheguei a idealizar um futuro róseo. Também não deu certo, ela achou outro (com quem casou) que foi mais rápido no gatilho.

 

No meu primeiro ano no Recife (1969/70), morei com dois colegas, ambos eméritos paqueradores. E eu me continha.

 

Creio que meu mal maior era ser seletivo. Queria encontrar a amada perfeita, aquela que Deus me reservara e ao lado de quem seria feliz (e a faria feliz). Custou um pouco, mas quando a encontrei, há quase 40 anos, em pouco tempo estávamos noivos, não havia mais tempo a perder, eu já estava com 25 anos.

 

Entremeando essas paixões maiores até encontrar o amor definitivo, decerto, tive alguns namoricos inconsequentes e eventuais. Efêmeros. Que não deixaram saudade.

 

Curiosamente, passei por duas ou três experiências estranhas.

 

Em 1966, por exemplo, conheci uma pessoa simpática e com papo agradável, que era uma espécie de “dama de companhia” de umas moças bem mais atraentes. Um colega e eu, pretendendo nos aproximarmos de duas delas, fizemos amizade com a outra. E trocamos endereços, mantivemos uma correspondência (eu e ela) formal, tendo eu, sem querer (desconfio), abusado na frequencia.

 

Jamais, ao que me lembre, insinuei nada de mais sério. Escrevia por escrever, para aprimorar o estilo epistolar. Um dia, em 1969, fui à cidade onde ela morava e, pelo endereço, localizei seu telefone (era a Maria que está no Céu, pois este era o nome da rua onde ela morava) e disquei perguntando se ela estava. Perguntaram-me quem queria falar com ela. Eu disse meu nome e ouvi como resposta: “ela está em viagem de lua de mel”. Antes que eu manifestasse minha alegria ao sabê-la casada, ouvi ”taí, você bobeou, o cachimbo caiu, ela casou com outro”.

 

Outro caso insólito, foi com uma holandesa que conheci em 1968 em Hilversum. Em um open-house que a Philips promovia toda terça-feira, fazia muito barulho e começamos a trocar poemas (ela era poetisa). Gozado, eu dizia os meus em português, traduza-os para o inglês, e deixava escrito em português. Ela fazia o mesmo, com sua letrinha miúda, escrevendo versos em holandês, que traduzia para o inglês (provavelmente, ainda os tenho, pois guardo muito papel antigo, material que pretendia utilizar algum dia em projetos abandonados). Ao voltar para o Brasil, iniciamos uma correspondência, coisa de uma carta por mês, dando notícias genéricas e, no máximo, lhe enviei um LP com MPB.

 

Quando eu estava para casar, em 1970, mandei-lhe o convite. E, um dia, recebemos um presente vindo pelo correio. E a correspondência acabou ali.

 

Houve um terceiro caso que até hoje me deixa sem entender direito. Conheci uma moça, bem namorável, mas ela me parecia esquiva, fugidia. Desisti, não era de mulher difícil. Um dia, ela me levou o convite de sua formatura (eu ainda era passarinho livre, ainda nem conhecera Evelin). Fui ao baile, e a conversa não passou das generalidades cabíveis na ocasião. Dois meses depois, eu já noivo, recebi outra visita dela na minha sala de trabalho na Embratel. Senti que ela levou um choque ao ver minha mão direita com a aliança. E “nunca mais nos falamos, vai distante”.

 

 

 

 



Escrito por J.Celso às 20h41
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Momentos revividos

 

À vida pedi como quem pede um beijo na face,

que ela, a vida, não me negasse....

Passou a vida, não me quis ver...

            ... Ora morrer!

Morrer é a vida de que se nasce.”

 

Em 1966 ou 1967, não me recordo mais, vi o poeta João Lins Caldas pela última vez. Eu estava de férias no Açu – RN, minha cidade natal, e ele ainda se entusiasmava com a possibilidade de publicar-se. Não fazia por menos: queria ter seus versos trilíngues: em português, francês  e inglês. Morreu inédito, com sua fama reduzida aos poucos e felizes que tiveram a ventura de conhecê-lo.

 

Preservo originais (autógrafos) dele. Sua psicose o levava a assinar cada poema; se numa página houvesse um dúzia de poemas, seria uma dúzia de assinaturas.  A “certeza” de que todos queriam roubar-lhe a obra, para publicar como própria, negando ao autor o mérito e a genialidade.

 

Recordo um professor de Português que tive, no Colégio Rio de Janeiro, em 1961. Um dia, levei-lhe poetas do Rio Grande do Norte que eu admirava e queria dar a conhecer. Um deles era Caldas. E o mestre afastou e frustrou meu ânimo, ao dizer que, se ele não os conhecia,  “não podiam ser bons”.

 

O primeiro verso do poemeto acima está sempre presente na minha memória, junto com outro, de outro poeta norte-rio-grandense que admiro, Jorge Fernandes (não me lembro de havê-lo conhecido, mas convivi na infância com sua filha, Alice):

 

Deus lembrou-se de mim, lembrou-se,

Ungindo-me de bondade e de amor!

Martirizou-me para tornar-me santo

E deu-me asas pra fugir da dor..........”

 

Já disse, mais de uma vez até, que sou nostálgico, o que nem sempre é bom. Há quem diga que é péssimo.

 

Porém não consigo me desligar de meu passado, enquanto não esqueço dele. E, vez por outra, por alguma razão (ou sem razão alguma), voltam-me fatos e pessoas que fizeram parte de minha história.

 

Quase sempre, para mostrar, de novo, que Deus foi, em todos os momentos, muito bom comigo. O beijo que quis roubar e não o fiz; o “sinal” que deixei de avançar; a ilusão dormida e que assim permaneceu; talvez a experiência que me faltou.

 

Tudo a seu tempo, não há necessidade de ter pressa. A verdadeira mulher a ser amada surge no instante próprio, como escreveu Bandeira (Consoada), na hora em que estiver “lavrado o campo, a casa limpa, a mesa posta, com cada coisa em seu lugar”. Foram as Marias de quem  não provei, aquelas que amei em silêncio ou que me faltou coragem para me declarar a tempo.



Escrito por J.Celso às 15h28
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