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Europeando na primavera fria
Algumas vezes já comentei que entendo só poder dizer que conheço uma cidade se e depois de andar a pé por ela. Dessa forma, não digo que conheço Londres, nem Lisboa nem Frankfurt, Luxemburgo ou Los Angeles, apesar de já ter pousado em seus respectivos aeroportos (no Grã Ducado – como fizera em Bologna – dei uma volta de carro). Conheci recentemente Baden Baden e Freiburg, na Alemanha, e revisitei Basileia (Suiça). Entendo que agora posso dizer que conheci Basileia (Bales ou Basel, conforme a língua francesa ou alemã). Mesmo tendo demorado lá apenas um dia, deu para andar de tram e a pé, formando uma boa noção da cidade. Num dos trajetos (a Eglises), ao chegarmos, uma alemoa nos disse que, se quiséssemos ir até a Alemanha, teríamos de pegar o mesmo tram (bonde) de novo, porque, em território suíço, aquele era o fim da linha. Saltei e andei cerca de 50 m até a esquina seguinte. Há duas placas, uma de cada lado da rua: Aqui termina a Suíça e Aqui começa a Alemanha ou algo no sentido. Eu sabia que a cidade era fronteira entre os dois países, já passara por lá umas três ou quatro vezes, porém não observara ou fora alertado para a singularidade de ser uma cidade parte suíça parte alemã. Como Genebra tem sua parte francesa (sem placas indicativas). Outra descoberta é que algumas catedrais são um tanto ecumênicas, tantas as vezes que foram católicas ou protestantes. Aliás, para mim, lugar de oração não precisaria ter confissão religiosa exclusiva. A prece pode e deve sair do íntimo e seguir em direção ao destinatário. Entrei em várias Igrejas nessa viagem (Paris, Strasbourg, Lausanne, Annecy) e não me preocupei em saber se eram reformadas, luteranas ou católicas, ali rezando para o meu Deus (o mesmo Criador de todos que professam a religião cristã). Tanto mundo a conhecer embora já haja viajado bastante. Eu chego lá. Ontem mesmo, discutimos a possibilidade de irmos (mais uma vez) à Europa, o que nunca é demais (e onde ainda não fomos à Espanha nem a Portugal, por exemplo, para não falar em Hungria, Polônia e Rússia, rotas a cumprir, se Deus quiser e permitir).
Escrito por J.Celso às 14h31
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IPad, tablet, notebook, estou fora
A vida moderna nos quer impor comportamentos padronizados nem sempre coerentes com a maneira de pensar de cada um. Há um arquivo que circula pela internet sobre como conseguimos sobreviver na infância sem cintos de segurança, dentre tantas exigências legais, no banco traseiro do carro de nossos pais. E não se concebe que uma pessoa, hoje, não tenha e-mail ou não participe de uma ou mais redes sociais. Ou que não ande com seu notebook, seu smartphone, seu Ipad e coisas do gênero. Eu me frustrei mais, ao perder meu celular, com a impossibilidade de continuar com um aparelho que apenas recebesse e enviasse chamadas telefônicas do que com as fotos de meu neto recém-nascido que haviam sido tiradas na maternidade e ainda não haviam sido baixadas. Por mais que eu pedisse, era impossível (outubro de 2010) ter algo que não fosse um smartphone com acesso à internet, mandando e recebendo e-mails, consultando redes sociais, além de sintonizar FM, filmar, fotografar, etc. Confesso que sequer aprendi a mandar mensagens; no máximo, aprendi a ler as recebidas. Minha filha costuma me pedir emprestado meu aparelho para entrar na internet ou ler seus e-mails. Agora mesmo, durante 20 dias, provavelmente, eu poderia ter me conectado, via celular, à rede mundial, lendo o noticiário do Brasil e sem depender do que visse na TV (em tempo: sobre a América do Sul, falou-se em mineiros peruanos soterrados, Cristina Kichner estatizando empresas espanholas – talvez nem desse tanta repercussão se fossem brasileiras – e a presença de Obama na Reunião de Cúpula das Américas – por causa de Obama e a pressão para desbloquear Cuba). Em dois escassos momentos, na Alemanha, vi um terminal na portaria de hotéis, e entrei em um dos meus e-mails, principalmente para rogar aos amigos que não atolassem minha caixa de entrada, pois eu não ia ler – como não li – nenhum dos e-mails recebidos até voltar ao Brasil. Na verdade, eu procurei ficar distante do que se passava aqui, bastando-me ter notícias de minhas filhas e do neto, o que chegava quase que diariamente pelo celular. Inconscientemente talvez, que pretendia me atualizar depois que aqui estivesse, temendo, por exemplo, que minha presença fosse impreterível e inadiável perante alguma Vara ou Tribunal, e eu não poderia fazê-lo, sofrendo com isso. Desde que cheguei, creio que ainda não consegui saber de tudo que aconteceu, e não me fez falta esse desconhecimento (pode ser que eu venha a descobrir algo de maior relevância com atraso. O que não tem remédio remediado está. Logo, não tenho razões para lamentar). Quero continuar sem tablets, notebooks e similares. Enquanto eu me deslumbrava com as paisagens nos trens europeus, mais da metade dos passageiros estavam preocupados em saber se tinha WIFI (tinha quase sempre) e se isolavam de tudo, concentrados nas suas maquininhas infernais, sem me causarem inveja. Nem mesmo câmara fotográfica levei desta vez. Minhas retinas guardaram o que valia a pena reter, sem perder tempo em ficar atrás de um visor e em busca do melhor ângulo. Sou um analógico incorrigível, anacrônico, obsoleto, irrecuperável (não foi à toa que a Embratel em 1998, me incluiu na cota dos inaproveitáveis para poder entrar no Programa de Incentivo à Rescisão Contratual).
Escrito por J.Celso às 17h57
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Choques europeus ano 2012
Acabo de viver uma experiência semelhante a outra vivida em 1990. Sei lá por quê, pusera na cabeça que os países europeus manteriam sua intangibilidade eterna. Esse meu decreto pessoal nasceu, talvez, na minha temporada holandesa, de 1968, quando tudo me parecia como que intocado havia séculos. Ou dos filmes em que a Paris que Van Heflin viu pela última vez (A última vez que vi Paris, filme dos anos 50 ou 60) era a mesma dos anos 20 e que eu vira várias vezes, inclusive vi agora em 2012. Porém, tal como acontecera com a Holanda (e principalmente com Roterdam, Hilversum e Huizen), constituiu uma surpresa enorme constatar mudanças em Genebra, que eu imaginara permaneceria para sempre como Rousseau a deixara no século XVIII. É bem verdade que o fundamental continua igual, a Gare de Cornavin (sendo reformada na metade internamente, e bastante modernizada com elevadores e esteiras rolantes novas para as plataformas de embarque e desembarque) está no mesmíssimo lugar, mas não encontrei os grandes magazines La Placette e Au Grand Passage e outras lojinhas que pretendia revisitar. Mudaram de nome ou de lugar ou fecharam, viraram sushi. Imagino que, 13 anos depois (não ia lá desde 1999), é como se alguém chegasse hoje ao Rio de Janeiro em busca da Mesbla, da Sears, do Rei da Voz, da Cássio Muniz, do Tabuleiro da Baiana, ou dos antigos postos de salvamento de Copacabana. Contudo, pude me lembrar dos antigos colegas Leandro e Lobo ao rever o Hotel Moderne (rue de Berna) e o Montana e o Bernina (rue des Alpes). Ainda estão lá, embora, suponho (não conferi) a preços extremamente modificados. Uma vez mais, me hospedei no Les Arcades. Se entre 1990 e 1999 aqueles apartamentos (todos no segundo andar da Place de Cornavin, 14-16) tinham diária de menos de 60 ou 80 dólares, hoje estão por quase 200.00 USD (CHF 170,00, CHF 1,00 valendo USD 1,20). A antiga diária que recebíamos não pagaria. Em Paris, também, os preços subiram astronomicamente; o hotel simples da rue de San Roch que me hospedou umas duas ou três vezes por algo como USD 80.00, está com diária de, segundo vi na porta, 260,00 euros (hospedei-me em outro, ali perto, 3 estrelas, com portas pantográficas manuais, por 165,00 euros/noite). Penso que a vida mudou e a economia foi muito afetada pela moeda única (um dos candidatos a presidente francês propunha simplesmente voltar ao franco francês, talvez porque quem manteve seu padrão monetário não haja sofrido tanto seus efeitos).
Escrito por J.Celso às 08h22
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A falta que vão fazer
Os gênios brasileiros estão indo embora, faltam apenas alguns poucos (Niemeyer, Ziraldo, ....) – não são muitos. Tão em seguida a Chico Anysio, embarcou Millôr Fernandes. Vão divertir a plateia lá de cima com certeza (achei ótima uma charge de Chico com Dercy). Faz tempo que comento que o outro mundo está ficando muito bom de viver, com gente de tão alta qualidade. Nem por isso estou com pressa de conviver com eles lá, o que não depende de minha vontade. Millôr, que não encontrei mais que três ou quatro vezes (uma delas no balcão dos acionistas do Banco do Brasil), mostrou sua genialidade em tudo o que fez na vida. Era, sobretudo, um filósofo com um finíssimo humor poucas vezes visto. Seu pseudônimo Vão Gogo, no tempo de O Cruzeiro, já era uma prova. Consta que seu nome deveria ter sido Milton e que por Milton foi chamado até a adolescência, quando precisou tirar uma nova certidão de nascimento, e o escrivão não transigiu com a leitura do que fora feito a mão livre (como era o costume) e bico de pena: uma falha na tinta transformou o corte do t em um acento circunflexo e o t parecia mais um l. Ficaram os dois ll. Que alguém tire a dúvida com seu irmão Hélio.
Escrito por J.Celso às 20h40
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A morte de um gênio
Enquanto eu ainda morava em Natal, usando calças curtas ou as primeiras compridas (aos 10 anos, mais ou menos), me ligava ao mundo exterior à província via rádio. Um daqueles “rabos quentes” com várias faixas e que meu pai mantinha ligado desde o amanhecer. Um de seus programas favoritos, às 17 horas, era sintonizando uma emissora suíça que transmitia um programa em português naquele horário, diariamente (“Habla Suiza”, ainda escuto). Porém as emissoras cariocas eram as preferidas, particularmente a Rádio Nacional e a Mayrink Veiga. Escutávamos tudo o que podíamos quando não estávamos na escola. Principalmente os programas humorísticos, PRK30 e coisas do gênero. Anos 50, desde o Rio Grande do Norte, conheci Zé Trindade, com seu famosíssimo cozido, e Chico Anysio, com a Escolinha do Professor Raimundo, ao lado de, dentre outros, Nancy Wanderley, com quem era casado ou viria a casar, a primeira de suas muitas esposas (comentava com seu bom humor que pagara muitas pensões a ex-esposas e a seus filhos, durante muitos anos todos homens). Eu nem imaginava que sairia de Natal e que poderia conhecer pessoalmente os donos daquelas vozes. Em 1960, fui morar no Rio de Janeiro e, como não tivesse TV em casa e morasse perto (Copacabana), pus-me a rondar a TV Rio, onde passei a ter acesso com alguma facilidade. Por pouco, muito pouco, não cheguei a trabalhar lá, onde meu pai foi “locutor de cabine” E pude assistir muitas das gravações de, acho, o primeiro programa em VT da televisão brasileira, o Chico Anysio Show, que “ia ao ar” aos domingos, no horário nobre, hoje, o ocupado pelo Fantástico da TV Globo. Eu chegava em casa contando qual seria o cenário do programa que seria exibido no final de semana seguinte, e causava espanto adivinhar (comentavam na segunda-feira aqueles que tinham TV em casa e haviam assistido na véspera). Fiz suspenso durante algum tempo, até esclarecer que eu assistira parte das gravações (ou simplesmente lera o roteiro afixado na entrada dos artistas que dele fariam parte; uma das personagens fixas era Zélia Hoffman, no papel de Maria Teresa, a esposa do Coronel Limoeiro: “O pessoal fala que ela casou comigo por meu dinheiro, mas essa mulher me ama”). Nessa época, ele começou a namorar Rose Rondelli, mãe de Nico, se não me engano. Não sei precisar se em 64 ou 65, seu filho Luís Guilherme (do casamento de Nancy Wanderley, na verdade chamada Stela) era colega de escola de meu irmão caçula, e ia muito lá em casa (perto da rua Miguel Lemos). Lug ainda nem sonhava em ser Seu Boneco quando crescesse. A partir daí, o acompanhei pela TV ou nos palcos, nos “Chico Anysio Só”, seus espetáculos que anteciparam em muitos anos os StandUps de hoje. Inegável sua genealidade. Para completar, ele aniversariava em 12 de abril, junto com minha mãe, e eu costumava desejar-lhe feliz aniversário nesta data, nas nossas comemorações familiares. Um ano, se não me engano, aconteceu de eu encontrá-lo, e desejar ao vivo. E o Vasco da Gama ainda nos unia na torcida. Apesar de não vê-lo mais com frequência na telinha, tenho em casa sua dublagem em Up e, na memória, as muitas faces de um talento enorme que nos divertiu a todos por tantos anos. De dificílima substituição. E li com deleite seus livros com histórias maravilhosas.
Escrito por J.Celso às 20h56
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De e-mails e de papeis antigos
Já cheguei a ter 6 e-mails com esses gratuitos-isca (depois de algum tempo nos impõem passar a pagar). Creio que um ou dois terminaram com minha exclusão por falta de uso (até hoje não sei se perdi ou o que foi que posso ter perdido). Um deles vez por outra dá problema e peço que não o usem. Por ele só chegam spams. Porém durante algum tempo, foi aquele que usei para receber mensagens decorrentes de meus textos em Jus Navigandi (JN) e também os andamentos processuais. Mesmo desusado ainda “arquivava” quase 4 mil mensagens (quero crer que a expressiva maioria já desnecessárias, superadas, descartáveis). Na ultima vez que deu um chabu, resolvi fazer uma limpeza porque não conseguia dar jeito. Ficou reduzido a seis mensagens, e umas duas apenas para preservar o endereço de contatos pouco habituais. Estou criando coragem para limpar também seu irmão gêmeo Lycos (este outro está com menos de 800 mensagens antigas – vou ver se reduzo a umas 200). Um terceiro, de meu provedor Uol, vez por outra me apronta uma – quando preciso reformatar ou trocar de equipamento –, por mais que tente e com ajuda dos técnicos, perco a história. Ou seja, apesar de salvar tudo, não consigo mais abrir e ler nada que salvara, por falta de algum programa ou incompatibilidades microsoftianas. Por fim, tenho um Hotmail que abro uma vez por dia e que somente um contato usa, além de ser aquele que substituiu o que eu usava para receber mensagens dos usuários de JN (leram algum artigo meu e enviaram perguntas ou tiraram dúvidas). Admito que o erro é meu, basicamente, ao não “deletar” as mensagens lidas, como regra geral (com as exceções que a confirmam). Já me aconteceu de receber recados mandando limpar a Caixa de Entrada quando a capacidade está próxima de ser atingida. É que não me corrijo do vício de juntar papeis. Tenho em uma pasta documentos embratelinos desde janeiro de 1968. E, por incrível que pareça, já precisei recorrer a essa papelada várias vezes. Sem contar que me fizeram falta alguns papeis que eventualmente haja perdido: numa sexta-feira, tirei a pasta da gaveta na Embratel, esqueci de guardar de volta e a faxineira pensou que aquela pasta velha era lixo. Quando vi que ela sumira, já era segunda-feira, fui catar no aterro do DLU e soube que devia estar enterrado debaixo de três palmos; só deu para recuperar (obter nova cópia) metade do que fora pro lixo. Mesmo assim quantas vezes não encontro o que procuro. Ao escrever minhas memórias, para tirar dúvidas ou lembrar de fatos passados, releio a montanha de papel e me frustro se não localizo determinado Memorando ou documento desse tipo. Não deixa de ser outra forma de “deletar” arquivos mortos.
Escrito por J.Celso às 23h55
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Mais um dia histórico
Há 42 anos, era uma sexta-feira antes do carnaval, e eu não almocei. Estava no Rio a serviço desde o dia 2, a segunda-feira anterior, e adotara o hábito de almoçar junto com minha então namorada. Optamos por ir à Casa Masson, na rua da Assembleia, cujo slogan falava em alianças eternas e amores intermináveis. E eu deveria voltar pra Recife na terça-feira de carnaval; aquele era o último dia útil. Em vez de almoçarmos, compramos as alianças de noivado, ainda que não soubéssemos em que dia iríamos noivar. À noite, enquanto eu tomava banho, minha namorada chegou à casa de meus pais e, conversa vai conversa vem, deixou escapar (não sei se sem querer) a compra feita. Fui surpreendido ao sair do banheiro, ainda enrolado na toalha, com minha avó me esperando na porta para pôr minha aliança no mão direita. A de Évelin não sei quem pusera. No sábado, fui conhecer sua família (coisas de loucos ou de apaixonados). O fato é que, parece, deu certo. Menos de seis meses depois elas mudaram para a mão esquerda. Construímos uma história de vida juntos, superando dificuldades e mudanças (muitas, uma e outra). Passado esse tempo todo, ainda descobrimos razões para querer prolongar a relação, reinaugurando-a nem que seja numa nova lua de mel na Europa. Será nossa quinta ida ao Velho Continente juntos, pela segunda vez sem as filhas. O que Deus abençoou o diabo não separa, por mais que tente!
Escrito por J.Celso às 10h49
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A terceira idade
Enquanto vamos chegando à terceira idade, aparecem os achaques que dormitavam ou hibernavam na idade anterior. Certamente, não surgem de um dia para outro, apenas irrompem, despertam, dão sinal de vida. Quando, aos 38 anos, tive um infarto, comparei a cardiopatia que não foi evitada a um dente que vai cariando sem tratamento e, chega um momento, precisa ser arrancado por não mais ter jeito (aliás, isso era antigamente, pois hoje a Dentística dá jeito em tudo, nem que seja com uma coroa ou um implante; as populares “pererecas” estão cada vez menos usadas).
Há cerca de 40 anos, fui a um médico que me pediu uma biópsia. Não a fiz e anos depois voltei à consulta, acreditando que a Medicina em cinco anos, aproximadamente, tivesse novos recursos para aquele meu mal, sendo surpreendido com novo pedido de biópsia (segundo ele, nada progredira nesse campo). Nunca mais o procurei, mesmo por que me mudei do Rio em 1982. E não precisei de biópsia nenhuma para atingir o objetivo que me fizera procurar seus serviços profissionais Em outras especialidades, contudo, o avanço foi enorme. E na era dos transplantes e das pesquisas com células-tronco é cada dia menor a lista dos males insolúveis. Ou não-atenuáveis. Só sofre, hoje em dia, quem não se cuida. Posso dar meu testemunho pessoal, com a apneia obstrutiva do sono domada pelo CPAP e minha cardiopatia e minha diabetes controladas, embora às custas de comprimidos que eu preferiria não precisar tomar. Porém, se parar, as taxas sobem. E glicemia abaixo de 100 e colesterol abaixo de 180 são metas alcançadas que não quero correr o risco de ver superadas outra vez. A propósito, amanhã é dia de fazer os exames periódicos para confirmar o acerto do tratamento. Vou, no embalo, fazer outros exames pedidos pelo urologista, que quer afastar hipótese de infecção após os procedimentos recentes de novembro e dezembro. E, de lambuja, prescreveu mais medicação de uso contínuo que ele costuma receitar a seus clientes diabéticos. E que, no meu caso, parece vai dando certo. Resumindo, tudo indica que vou conseguir pesar no PBD da Telos por mais uns 20 anos, pelo menos, por mais que a entidade de previdência complementar fechada, cujos superávits vêm crescendo há mais de 8 anos, entenda que não deve ratear entre seus assistidos esse superávit, apegada a questiúnculas altamente discutíveis. De minha parte, a vingança ”malígrina” vai ser viver muitos anos além do que eles esperavam que eu vivesse. No momento, o plano é fazer uma viagem, para, dentre outras coisas, ir a uma apresentação de André Rieu em Strasbourg-França, por menos da metade do preço cobrado nas apresentações marcadas para São Paulo, em maio/junho/julho próximo. Se tudo correr nos conformes, vamos revisitar cidades de que gostamos, como Genebra, e aproveitar para ir a novas paragens (provavelmente, Floresta Negra e Baden-Baden). Se possível, ir também a Keukenhof (vai depender muito dos horários de trem e disponibilidade em hotel; parece que todo mundo está viajando pros mesmos lugares ao mesmo tempo, do tipo “veja a Europa antes que acabe”).
Escrito por J.Celso às 15h26
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Mais um 18 de janeiro
A cada ano costumo deixar aqui algum registro da passagem inexorável do tempo. Completo 67 anos neste dia 18 e, sinceramente, não sei se me sinto pior do que estava aos 66 ou mesmo aos 65. Honestamente, não consigo mais precisar quando a idade começou a pesar mais, provavelmente não teve nada a ver com a data de meu aniversário. Lembro-me de uma pegadinha de Zezinho Lucena (viúvo de tia Anatildes) proposta a Gurgel: em que momento o homem começa a envelhecer? Quando Gurgel começou a querer dar alguma explicação científica ou teológica, foi atalhado: na hora em que nasce. Um minuto depois já está mais velho. A verdade é que o achaque pode aparecer a qualquer instante. Minha cardiopatia se manifestou aos 38 anos. A artrose aos 62, a diabetes aos 64. Em compensação, uma cirurgia de catarata aos 63 me fez recuperar uma visão de que eu não gozava desde praticamente os 18. Assim, alguns apareceram mais precocemente, outros ainda faltam aparecer e, espero que pelo menos um deles desapareça o quanto antes. Estou tentando fazer a minha parte, ainda que a custa de remédios (não gosto de tomá-los; já confessei um dia o quanto iludi meu cardiologista mentindo sobre estar tomando sua medicação sem o fazê-lo). Estou me esforçando para tornar realidade o lema da Asastel sobre estar na melhor idade. Meu urologista me disse que eu viaje, viajar faz bem, resolve problemas (será que nos afasta deles?), embora traga saudades (não dá mais para viajar a tropa toda, como fizemos em quatro ocasiões, em 1992, 1995, 2000 e 2001, ao exterior). Vai acrescer a saudade do netinho, e vai nos acompanhar a sensação de que estamos fazendo falta junto a ele. Sei que a memória não é mais aquela “de elefante” que muitos louvavam. Presentemente, resolvi escrever sobre meus 31 anos na Embratel, completando as glosas de 1983 (“Minhas glosas na Embratel”). Recorri a papeis espalhados em várias pastas contendo a parte principal de minha história profissional. E me surpreendo ao ver que eu me lembrava de algumas passagens de forma diferente do que os registros no papel dizem como foram. E que muitas coisas realmente se apagaram. Em suma, tenho que recorrer mais aos alfarrábios que à cachola, que já não merece aquela confiança. O ano que findou foi ótimo sob vários aspectos. Deu-me razões para querer viver mais vinte anos pelo menos. E, por outro lado, a intenção de afastar-me da prática forense, tamanhos os aborrecimentos com demoras incompreensíveis. Lidar com certos juízes e com sua Secretaria é desanimador. Vida que segue, a regra é ser otimista sem ilusões absurdas ou pretensões inatingíveis. Repito a velha frase “Deus foi bom demais comigo”. Meu esforço maior é para merecer tanta bênção divina (ou não desmerecer). E, sobretudo, agradecer sempre e cada vez mais, desde antes de obter, porque confio que, se tiver de ser, será. Ele sabe o que é melhor para mim, e uma das minhas orações mais frequentes diz: “Senhor, quero o que quereis, porque o quereis, como quereis e quanto o quereis” a que acrescento “ se e quando o quiserdes”.
Escrito por J.Celso às 22h23
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Projetos para 2012
Há o renovado desafio do papel em branco (da tela em branco, melhor dizendo) sabendo que não se tem muito de novo, genial ou extraordinário para dizer nesta época de final de ano. Renovar os votos de sempre é o que cumpre fazer. Desejar que o balanço de 2011 haja sido positivo e que 2012 seja ainda melhor, trazendo muitas alegrias, momentos inesquecíveis, inúmeras razões para celebrar. De minha parte, não tenho do que me queixar, sobretudo porque este finalzinho de dezembro trouxe instantes de satisfação e a realização de alguns projetos que estavam empacados. Estou entrando o Ano Novo com os dois pés direitos. A saúde está indo, com os achaques da velhice sob controle, o 67 não deve pesar mais do que pesou o 66. Se bem que submetido à medicação continuada, que diabetes e colasterol não dão folga. Parou, sobem as taxas. Aprendi, às custas de um infarto, que devo me preocupar apenas com as coisas que estejam a meu alcance resolver. O Brasil e seus males não é problema para cuja solução eu possa ajudar (nem minha ajuda seria aceita ou requisitada). O Judiciário é outra questão que foge da minha alçada (ah como muita gente não estaria onde está ou esteve nem certas decisões teriam sido tomadas, se dependesse de mim). O Legislativo, por fim, a meu sentir, não tem mais remédio. Se penso assim em relação ao Brasil, que dirá do resto do mundo. Cada qual com seus dramas e a responsabilidade de encontrar suas soluções. Sobra pra mim visitar o que quero conhecer antes, que acabe. Tomara que a Grécia se conserte a tempo. Sinto saudades da Europa, que não é revisitada por mim desde 2001. Talvez eu vá assistir a uma apresentação de Andre Rieu (lá, pela metade do preço, ou menos até, que estão cobrando para as de São Paulo. Aqui, custará 600 reais uma cadeira parterre que na França sairá por € 80,00). Vida que segue, sempre confiando que o Pai vai nos propiciar, a tempo e a hora, tudo aquilo que fizemos por merecer e desafios proporcionais às nossas humanas forças. E, nos da terra, que meus parceiros escrevam suas memórias para reuni-las e contar nossas experiências embratelinas, legado a mais do que já fizemos enquanto fomos empregados. Eu estou fazendo a minha parte, embora num rascunho já revisado quase que diariamente. Espero ter fechado em mais uns 6 meses.
Escrito por J.Celso às 12h57
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Ai meus rins!
Em 30/3/2009, escrevi no blog: "A saúde está se deteriorando, exigindo tratamentos e remédios aos quais sempre fui arredio. Nem mesmo o fato de ser cardiopata desde os 38 anos (quando sofri meu infarto agudo – hoje, antigo – do miocárdio) me fazia tomar medicação. (......) Desde 2007, contudo, descoberta a artrose que já me rendeu duas cirurgias nos meniscos mediais internos, fiquei sabendo que eu tinha uma úlcera (que nunca me incomodara muito), e uma diabetes mellitus tipo 2 (carência relativa de insulina) se instalara insidiosa. O cálculo renal é um detalhe passageiro e menor. (.....) É, o que não tem remédio, remediado está." Pois é, neste final de 2011, aquele cálculo renal cresceu de 5 para 8 mm, não sendo, em tese, recomendável esperar sua eliminação pela via urinária. Tive que me submeter, no úlitmo dia 4, a uma "nefrolitotripsia flexível a laser" para fragmentar minha "nefrolitíase lateral", CID N 20. Passado mais um mês, terei de voltar à mesa de cirurgia para a retirada de uma cânula ("desbloqueio endoscópico ureteral") que ali foi deixada (marcada para 7/12). E o urologista entende que meu metabolismo é incomum, tendo encontrado algo muito próximo de uma laminha em meio aos cálculos, além de não ter sido possível remover ou dissolver (dinamitar) todos os cálculos que se encontram em cada um dos rins. Todos diminutos (ainda) e que talvez saiam na urina em forma de cristais. Quer ultrassonografias semestrais para acompanhar o caso. Eles só podem ser extirpados cirurgicamente (laser) quando saírem de cada rim. Somei mais esse achaque que, aliás, surgira em proporções menores em 1994, quando tive a primeira crise. Alice Abitibol, há quase 50 anos, me prenunciara problemas renais e recomendara muito chá de quebra pedra... quem mandou eu não dar atenção àquela cartomante (ou era quiromante? ou charlatã...)
Escrito por J.Celso às 19h09
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Eu me meto em cada uma, parte II
Não sei dizer se alguns, ou quantos, participantes – contribuintes ativos ou assistidos -, ao falecerem, deixaram ou deixarão mais de um pensionista. Para mim, parece que somente cabe a distribuição desses superávits acumulados entre os assistidos de cada Plano, uma vez que os que ainda contribuem (no caso do PBD, uma parcela muito pequena) terão sua vez, no futuro, de ratear o superávit gerado pelas suas respectivas contribuições. Penso assim (que esse superávit somente deve ser empregado em favor dos atualmente assistidos) porque não fazê-lo significaria que teríamos contribuído para a formação de um fundo detentor de um patrimônio invejável, mas que ficaria para quem? Pode-se pensar em calcular o rateio, por exemplo, proporcionalmente ao montante ou ao tempo de cada um nós enquanto éramos contribuintes ativos. E ainda que esse rateio seja feito em doze, vinte e quatro ou sessenta meses, escalonadamente. Com o passar do tempo, vamos, ao envelhecer (havendo quem insista em dizer “a melhor idade”) adquirindo as doenças próprias da idade (diabetes, artrose, cardiopatia, etc.) e precisando gastar mais, todo mês, com a manutenção ou tratamento da saúde pessoal e familiar, pois parece impossível evitar essa despesa. Nada mais justo, portanto, que recebermos esse rateio ainda em vida. Sugeria, em face do exposto, que era (e continuo sendo) a favor de que seja definida uma maneira de dividir conosco, assistidos, o superávit acumulado em cada plano. Os ainda ativos passariam a receber sua parcela do superávit ao passarem à situação de assistidos. Essa “partilha” proporcional, evidentemente, não impediria a adoção de outras medidas, tais como parar de cobrar de nós, assistidos, uma contribuição mensal sobre o beneficio recebido. E, sobretudo, no presente ano de 2011, deveria conceder o reajuste da variação plena do IGP-DI (10,75%), sem uma pretensa compensação de uma alegada não redução aplicada em 2009 (variação do IGP-DI negativa de 1,76%). Como já dito antes, no ano de 2009, a rentabilidade foi positiva, de 2,36%. Certamente, a regra a estabelecer definiria também o que (como) fazer se a morte chegar antes daquela idade estimada, sem que o falecido tenha recebido integralmente seu quinhão do superávit acumulado. Praticamente tudo que escrevi se aplica aos do PCD e aos do PBD. Fui procurado por alguns ex-colegas buscando assistência advocaticia, que me neguei a dar por entender que não há direito algum violado, por enquanto. Continuo entendendo que qualquer superávit, sobretudo um que não para de crescer ano a ano, tem que ter alguma destinação. Além do fim da cobrança de nossas contribuições mensais, quem sabe, poderia haver uma redução nos juros cobrados dos empréstimos, que de fato já são muito baratos. Entretanto a isenção atinge a todos, enquanto a redução dos juros só iria beneficiar os que pegarem empréstimos. O rateio dos superávits também seria mais “democrático”. Nada foi sequer conjecturado, ao que se saiba, e minha atitude (não sei se posso dizer "revolta") consolidou-se mais um pouqunho ao saber que outra EFPC (a Sistel) anunciou que vai distribuir metade de seu superávit em breve. Ou seja, pode ser feito, dependendo apenas de uma decisão administrativa (Diretoria e Conselho Deliberativo da EFPC). E a surpresa maior foi saber que nossa associação de assistidos capitaneou, ou deu apoio a, uma proposta de vedar a possibilidade dessa distribuição de superávits, nos termos das Leis Complementares que tratam da matéria, sem proibir nem determinar isso. Cheguei a pensar que, quem sabe, nem seria tão absurdo assim que a mantenedora também pudesse pegar seu quinhão, embora haja recuado dessa ideia ao meditar: se criou um fundo de previdência, aquele dinheiro ali empregado foi contabilizado e deve ter gerado deduções, etc. E permitir isso poderia ensejar manobras como as que, segundo dizem, algumas mantenedoras adotam em relação à sua fundação, ”apropriando-se” desse superávit (já aconselhava Dom João VI a seu filho Pedro, “... antes que algum aventureiro ....”. Na apresentação a que me referi logo no início, de abril último, nasceu toda essa elucubração sobre o que fazer dos superávits. E chego à conclusão hoje que eu teria feito melhor negócio se tivesse permanecido quieto. Um dia eu aprendo a me conter. Fui infeliz, talvez, em levantar essa questão, já deveria ter deixado pra lá. Vou me policiar a partir de agora para não abrir mais a boca nem gastar meus ricos dedinhos para expor as caraminholas da minha cabecinha de vento, cheia de ideias malucas. Acho mesmo que a fundação e a associação podem estar certas, na delas. Para que aceitar ou endossar uma ideia minha, sem a atribuição de méritos a elas ou a seus dirigentes? Quando e cada vez que busquei divulgar o que eu pensava, ou como pensava, atrás de tudo, estava a intenção de pôr a ideia em discussão, pois eventualmente eu poderia estar míope. Vendo monstros e moinhos de vento, qual um Quixote tresloucado. Duas cabeças, evidentemente, pensam melhor que uma, e uma dúzia melhor que dez. Com cem pessoas, quem sabe, permite-se chegar a um consenso bem razoável. Era a tal ”piramidação” a que eu me referira em abril passado. É hora de eu pisar no freio. Como dito acima, penso que esses superávits somente devem ser empregados em favor dos respectivos assistidos. Não fazê-lo significaria que teríamos contribuído para a formação de um fundo com um patrimônio invejável, sempre crescente, etc., etc. “Nada mais justo, portanto, que recebermos esse rateio ainda em vida." Não creio que configure uma "vingança" (alguém comentou isso comigo) vivermos todos 100 anos, 15 a mais do que os 85 das tábuas atuariais consideradas. Ou será que estou completamente equivocado?
Escrito por J.Celso às 23h24
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Eu me meto em cada uma, parte I
Dentre outras atividades, integro uma comunidade que nada tem de rede social. Somos os aposentados de uma ex-paraestatal (privatizada no governo FHC) e recebemos complementação de aposentadoria do fundo de pensões criado para tal fim (EFPC - entidade fechada de previdência complementar). Existem dois planos, um mais antigo (de Benefício Definido – PBD) que complementa a aposentadoria na espécie concedida pelo INSS e outro (PCD – da Contribuição Definida) que paga mensalmente um valor previamente estabelecido pelo próprio contribuinte enquanto estava na ativa. Este segundo plano começou dois meses depois de minha saída da empresa, tendo havido como que a migração compulsória como condição de preservar o emprego. Cada um deles tem peculiaridades, mais vantajosas ou mais desfavoráveis, que os tornam diferentes. Confesso que pouco conheço (ou tive a curiosidade de conhecer) o que diz o PCD, porém conheço bem o que me diz respeito (PBD). E acompanho tudo que possa afetá-lo (quer dizer, o que afeta meu bolso). Nos últimos dois anos, envolvi-me em batalhas que até deram resultado, mas em abril deste ano, depois de assistir a uma apresentação, fiquei sabendo de um dado que me aguçou a imaginação: ambos os planos, notadamente o PBD, vêm apresentando superávits crescentes ano após ano. E não me contive, tomando a iniciativa de propor a vários outros integrantes da comunidade que fosse manifestada à fundação ser pelo menos parte desse superávit revertida em nosso benefício. Esperava contar com algum apoio da associação dos assistidos por considerá-la nosso “advogado” natural nessa postulação. Passados cerca de dois meses, não tive qualquer notícia sobre manifestações à fundação sobre o que fazer dos superávits acumulados dos Planos PBD e PCD. Soubera, no máximo, que a associação planejara debater uma “Proposta à PREVIC - Como Compatibilizar a Acumulação de Superávits dos Planos de Benefícios em extinção, com as taxas médias de sobrevida decrescentes de suas massas de Assistidos/A função das Reservas de Contingências”. Como um assistido, entendi que podia dar minha opinião, para não parecer, no mínimo, omisso. A fundação costuma destacar em seus Relatórios Anuais qual a rentabilidade alcançada no exercício anterior, e, como também reconheço, a Administração da Fundação tem sido extremamente bem sucedida ano após ano, pelo menos desde 2004. De fato, o Relatório Anual de 2003, ao que me lembre, fora o último a falar em resultados abaixo da meta estabelecida. Porém observava-se que o superávit conseguido vem crescendo, merecendo destacar o conceito que a própria entidade dá ao que seja “superávit”: “em planos de previdência, significa o excedente financeiro em relação aos compromissos totais dos planos de benefícios de uma EFPC. Entendo que “excedente financeiro em relação aos compromissos totais” quer dizer “já computados todos os benefícios a serem pagos a todos os assistidos do respectivo plano por todo o tempo estimado na tábua de mortalidade empregada”, a qual estima que viveremos, em média, até os 85 anos, acho. Havendo um tempo de “turbulência”, seria necessário e possível rever esse superávit, que pode até diminuir, embora não venha se verificando. Pelo contrário, vem aumentando sem parar, graças a Deus. Se tomarmos os anos em que a variação do IGP-DI (que reajusta nossos benefícios) foi baixa (em um deles, negativa), tem-se que a rentabilidade foi sempre superior, quando não mais do que o dobro (2005: 1,68% x 3,78%; 2006: 3,58% x 8,70%; 2009: -1,76% x +2,36%). Assim, parece inexorável o superávit se tornar cada vez maior. No PBD, em 2008, falou-se em superávit “total” de quase 80 milhões; em 2009, a cifra citada foi R$ 217 milhões; em 2010, teria superado os 300 milhões. No PCD, os valores foram, respectivamente: 7,5 milhões (2008); 25 milhões (2009); e 71,6 milhões (2010). A pergunta que cabe é a seguinte: a quem pertencem esses superávits? Entendo que pertencem exclusivamente aos que contribuíram por anos a fio para a formação desse capital (registrando, de novo, que a gestão foi de primeira qualidade). Segundo dados recentes, nossa EFPC tem cerca de 3.400 aposentados e pensionistas e menos de uma dezena de participantes ativos (ainda contribuintes) no PBD, enquanto os números são bem diferentes: 2.980 já recebendo benefício e quase 7.000 ainda ativos no PCD. Pode-se dizer que o PBD é um plano em extinção, ainda que dentro de cinco ou dez anos, quando o último contribuinte ainda ativo se aposentar (talvez em menos tempo).
Escrito por J.Celso às 23h21
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Ah, quanta emoção!
Nunca escondi que sou um nostálgico incorrigível. E já falei de minhas felizes recordações da vida no Rio de Janeiro dos anos 60, quando fazia jus, em toda plenitude, ao título de Cidade Maravilhosa. Estes dois últimos dias me reservaram momentos para relembrar, quase reviver, uma adolescência e início da idade adulta (dos 15 aos 20). Na sexta-feira, fui assistir a “Nara” e hoje assisti a um show somente com músicas de João do Vale. Ambos excelentes. Coincidentemente, personagens de “Opinião”, aquele espetáculo que marcou época. Foi uma certa surpresa constatar que uma casa e outra estavam lotadas, mas não constituiu surpresa ver que a expressiva maioria dos presentes era de pessoas na faixa etária dos 60/70. Ou seja, mais que plateias calorosas, gente saudosista. Não tive a ventura de ser tão próximo dela como fui dele. Na primeira vez que fui ao Opinião, encerrado o espetáculo, fui conversar com João do Vale, de quem conhecera ainda menino, em Natal, algumas de sua músicas sem me dar conta de quem era o compositor (dávamos mais importância ao cantor). Terminamos a noite em um boteco da Ladeira dos Tabajaras e firmando uma amizade que durou enquanto morei no Rio (abril de 1982). Quantas vezes discutimos sobre fazermos uma parceria, para o que eu não me sentia à altura. Era papo de amigo, e ele me dizia que era “analfabeto” e queria que eu desse uma melhorada nas suas letras. Desconfio que muitas músicas em que ele tem um parceiro declarado, na verdade, eram somente dele, aceitando ceder a parceria como forma de ver sua composição gravada, conhecida. É clássica a história que ele contava no Opinião sobre sua música “Estrela Miúda”, gravada e fazendo algum sucesso na voz de Marlene, muitos anos antes de voltar a ser gravado por Betânia, Elba, Clara Nunes, Amelinha e outro(a)s mais: ao comentar com o pedreiro, “para quem levava massa em construção”, que aquela musica que estava tocando era dele, ouviu “deixa de besteira neguinho, traz massa!”. Pesquisando no Google, encontrei em uma enciclopédia: Conhecendo artistas famosos Trabalhava e dormia na construção; à noite percorria as rádios na esperança de se aproximar de algum artista. O primeiro a que teve acesso foi Zé Gonzaga, que a princípio não quis ouvir suas músicas, mas, depois, gostou muito delas e gravou Cesário Pinto, que fez sucesso no Nordeste. Luís Vieira foi o segundo que João procurou, conseguiu que Marlene gravasse Estrela Miúda (de autoria dos dois). Carreira Embora não tenha sido fácil, o início da carreira de João do Vale foi rápido, pois ele chegara ao Rio no final de 1950 e, já no ano seguinte, suas músicas começaram a ser gravadas. Em 1952, foi pela primeira vez receber os direitos autorais, surpreendeu-se com a quantia: 200 cruzeiros. Uma fortuna, para quem suava na construção por 5 cruzeiros mensais. Famosos e João do Vale Além de Marlene - que gravou várias composições de João -, Luís Vieira, Dolores Duran, Luiz Gonzaga e Maria Inês também cantaram e registraram seus trabalhos com êxito. Creio que as primeiras músicas dele que ouvi foram na voz de Ivon Curi.
Escrito por J.Celso às 23h50
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Será que tenho origem judaica?
Nascido em cidade do interior, onde se impunha a religião católica, não me lembro se no Açu-RN morava algum judeu. Se os havia, não se fazia muita distinção ou qualquer tipo de segregação ou discriminação. Ao mudar para Natal, estudei a maior parte do tempo em escolas e em um ginásio de orientação igualmente católica, dos que tinham no currículo a Religião e onde tínhamos de fazer a Primeira Comunhão e a Páscoa anual coletiva. Não raro, éramos cobrados sobre a ida à Missa do domingo anterior. Somente em 1959, ao mudar de ginásio, lembro-me de ter tido uma colega judia, Naly, aliás, por quem curti uma paixonite platônica ou recolhida. Outra foi a realidade ao ir morar no Rio de Janeiro. Em 1960, no Colégio Rio de Janeiro (na época, funcionando na rua Nascimento e Silva, perto do Bar Vinte, Ipanema), minhas turmas eram repletas de judeus. Cito Abel Steif, Cláudio Apfel, Isaac Benchimol e outros cujos nomes não recordo. Na ENE, a partir de 1963, a quantidade cresceu bastante, e nos 3 anos de Eletrônica (65-67), após o biênio fundamental, quase que um quarto da turma era de alunos de origem judaica: Abel Klein, Alberto Kogan, Artur e Beni Schechtman (não eram irmãos), Boris Wurman, David Blak, Henrique Goldfeld, Izaquiel Gielman, Jayme Szwarcfiter e Leibich Gruzman (se é que não esqueci de algum). Sem contar aqueles que cursavam Eletricista, Mecânica, Civil, etc. E ainda travei contato e estabeleci relação maior com uns tantos que estavam no seguindo ano quando eu entrei (José Pines, foi um deles). Vários vieram a ser meus colegas na Embratel ou no Sistema Telebrás (Telerj) onde também conheci e me afeiçoei a outros da mesma religião (fui ao casamento de grande número deles). Por que, vez por outra, volto a me referir a esses judeus? É que tenho, além da admiração pela inteligência da maioria deles, terminei por travar amizades que se estendem até hoje, mesmo à distância. Um dos me mandam e-mail quase que diariamente, divulga a causa sionista ou um sentimento anti-islâmico. E num desses e-mails, acabei encontrando indícios de que posso ter origem judaica também. Não me refiro a outro JC (Jesus Cristo), mas a judeus novos do tempo da Inquisição, gerando as famílias Silveira, Oliveira, dentre as que me legaram sangue.
Escrito por J.Celso às 12h47
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